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União Europeia aponta baterias ao carvão russo com novas sanções

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De  Pedro Sacadura
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União Europeia avança com sanções energéticas contra a Rússia
União Europeia avança com sanções energéticas contra a Rússia   -   Direitos de autor  INA FASSBENDER/AFP

As receitas energéticas da Rússia provenientes do comércio de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) estão na mira da União Europeia. A partir de agosto, o bloco comunitário vai parar de importar carvão, de uma vez por todas.

O embargo faz parte do quinto pacote de sanções - agravado por causa da guerra na Ucrânia - e que acaba de ter "luz verde" dos 27.

Os especialistas falam, acima de tudo, numa medida simbólica. Lembram, antes, a importância de apontar o foco para o petróleo e o gás russos e defendem o fim dos tabús.

"Este embargo às importações do carvão não vai atingir [o presidente russo Vladimir] Putin assim tanto. A Europa paga, todos os dias, cerca de 10 milhões de euros pelo carvão que recebe da Rússia. Por outro lado, paga 850 milhões de euros, todos os dias, pelo petróleo e pelo gás que recebe da Rússia. Por isso, está claro que, para ter um impacto real, a Europa precisa falar sobre sanções ao petróleo e ao gás, imediatamente. É aí que precisamos atingir Putin. É aí que estão os seus interesses económicos", sublinhou, em entrevista à Euronews, Simone Tagliapietra, investigador no think tank Bruegel.

A nova ronda de sanções, que a Comissão Europeia considera ser "de longo alcance" inclui, igualmente, um congelamento total dos ativos de quatro importantes bancos russos: Sovcombank, Novikombank, VTB e BankOtkritie. As empresas que lidam com cripto ativos também serão forçadas a limitar os serviços aos russos na União Europeia**.

Há mais entidades e indivíduos que foram adicionados à lista negra, incluindo as filhas de Vladimir Putin: Katerina Tikhonova e Maria Vorontsova.

Por outro lado, os navios com bandeira russa não poderão entrar em portos europeus e, tal como os camiões de registo russo e bielorrusso, só poderão operar no bloco se transportarem alimentos, ajuda humanitária, medicamentos e energia.

Um setor que a Ucrânia considera vital para deter o apetite bélico do presidente russo, como explicou, em entrevista à Euronews, Taras Kachka, vice-ministro da Economia da Ucrânia: "é um ótimo sinal que a pressão esteja a aumentar sobre a Rússia. Continua a aumentar. O pedido que fazemos aos nossos parceiros, especialmente na Europa, é bastante claro. Queremos que se cortem à Rússia as fontes de financiamento da guerra. E 1/3 das receitas públicas e do orçamento da Rússia vem das exportações de petróleo. É por isso que defendemos um embargo ao petróleo."

De acordo com o chefe da diplomacia europeia "as novas sanções foram adotadas na sequência das atrocidades cometidas pelas forças armadas russas em Bucha e outras localidades que se encontram sob ocupação russa."

Josep Borrell acrescentou que "o objetivo é parar o comportamento imprudente, desumano e agressivo das tropas russas bem como tornar claro aos decisores políticos do Kremlin que a agressão ilegal tem um custo elevado."

Um sexto pacote de sanções - no qual os governos europeus decidiram começar a trabalhar - deverá incluir um embargo ao petróleo russo.

Estados-membros como a Áustria e Alemanha opuseram-se, inicialmente, à ideia, mas Berlim dá sinais de alguma abertura.

A Hungria, por outro lado, manifestou-se abertamente contra a ideia, falando em "linhas vermelhas."