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Novas sanções contra Rússia. Bruxelas propõe embargo total ao petróleo

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De  Pedro Sacadura  & Aida Sanchez Alonso
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A presidente da Comissão Europeia discursou hoje no Parlamento Europeu, em Estrasburgo
A presidente da Comissão Europeia discursou hoje no Parlamento Europeu, em Estrasburgo   -   Direitos de autor  Kenzo Tribouillard/AP

Há uma nova ronda de sanções europeias contra a Rússia à vista e, desta vez, o petróleo, uma importante fonte de receitas para o Kremlin, está mesmo na mira.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs, esta quarta-feira, aos 27 Estados-membros, a eliminação gradual das importações de petróleo bruto no prazo de seis meses e de produtos refinados até ao final do ano.

“Certificar-nos-emos de que eliminaremos gradualmente o petróleo russo de forma ordenada, de modo a permitir-nos, e aos nossos parceiros, assegurar rotas de abastecimento alternativas e minimizar o impacto nos mercados globais. É por isso que iremos eliminar progressivamente o fornecimento russo de petróleo bruto no prazo de seis meses e de produtos refinados até ao final do ano”, anunciou Ursula von der Leyen durante um discurso proferido no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

A proibição da importação de petróleo russo está contemplada no sexto pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia, por causa da invasão da Ucrânia, hoje apresentado.

Está tudo pensado para reduzir a dependência da Rússia, mas, insistiu von der Leyen, não será fácil na prática: "Sejamos claros: não será fácil. Alguns Estados-Membros estão fortemente dependentes do petróleo russo. Mas temos simplesmente de trabalhar nisso."

A Alemanha, um dos Estados-membros mais expostos, aceitou o embargo total ao petróleo, mas a Eslováquia e a Hungria querem um regime de excepção e um período de transição mais longo, porque dependem fortemente deste combustível fóssil.

Mas esse é um assunto polémico. O eurodeputado búlgaro do Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus é uma das vozes contra: "existe uma decisão comum de avançar com sanções contra a Rússia. Sou a favor disso, mas avancemos juntos, em vez de estarmos separados, e em vez de trabalharmos nas costas uns dos outros."

No geral, os eurodeputados mostraram-se esmagadoramente a favor do embargo, mas também há quem diga que peca por tardio.

"Há muito tempo que pedíamos este passo, aqui no Parlamento Europeu. Por outro lado, ainda há um longo caminho a percorrer. O nosso medo é que, com um período de implementação de seis meses e lacunas para a Hungria e a Eslováquia, a proposta acabe por ser muito mais fraca do que gostaríamos", lembrou Rasmus Andresen, eurodeputado alemão do grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia.

As sanções também incluem mais entidades e indivíduos como o líder da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Kirill, ou o coronel e comandante da operação militar em Bucha, Azatbek Asanbekovich Omurbekov, que "matou, violou e torturou civis na Ucrânia e em Bucha."

Ursula von der Leyen também anunciou medidas contra o Sberbank, o maior banco da Rússia que representa 37% do sistema financeiro russo, e dois outros grandes bancos russos, que deverão ser excluídos do sistema internacional de mensagens bancárias SWIFT.

"Com todos estes passos, estamos a privar a economia russa da capacidade de diversificação e de modernização. [Vladimir] Putin queria varrer a Ucrânia do mapa. Claramente não terá sucesso. Pelo contrário: a Ucrânia ergueu-se na unidade, e é próprio país dele, a Rússia, que se está a afundar", insistiu a presidente da Comissão Europeia.

A proposta de sanções ainda precisa da "luz verde" dos Estados-membros.

Terão de aprovar, por unanimidade, o sexto pacote de sanções, e o embargo ao petróleo. Mas isso adivinha-se tudo menos fácil.

O porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, disse, durante uma conferência de imprensa diária, que as novas sanções são uma "faca de dois gumes."

Acrescentou que "o custo destas sanções para os cidadãos europeus aumentará a cada dia."