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Eurovisão: a escolha do público e as lições políticas

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De  Giorgia Orlandi
Ucrânia terá a responsabilidade de organizar o Festival da Eurovisão em 2023
Ucrânia terá a responsabilidade de organizar o Festival da Eurovisão em 2023   -   Direitos de autor  AP Photo/ Luca Bruno

O Festival Eurovisão da Canção é muitas vezes alvo de críticas de participantes descontentes que acusam o evento de ser demasiado político. Este ano, mais do que nunca, a política esteve presente.

A expulsão da Rússia da competição em fevereiro passado na sequência da invasão da Ucrânia teve um impacto significativo no concurso.

Não fui a Turim, mas acompanhei o evento de Roma. Lembro-me de ouvir amigos e colegas dizerem que a Ucrânia ia ganhar. Este, de fato, foi o consenso geral entre os meios de comunicação italianos.

Mas, embora a política tenha parecido ter sempre um papel na distribuição dos pontos, há provas suficientes de que as performances extravagantes de alguns artistas são o que o público realmente procura.

A competição deste ano teve o maior número de interações alguma vez registado nas redes sociais. O Instagram e o Tik Tok foram as plataformas mais usadas, o que deixa entender que a maioria dos fãs deste ano eram de gerações mais jovens.

Em Itália, o evento tornou-se algo marcante. Foram organizadas sessões especiais para assistir ao festival em espaços públicos e bares, para não mencionar sessões privadas nas casas das pessoas.

Tal entusiasmo decorre da vitória de Maneskin no ano passado e do fato de, pela primeira vez em muitos anos, a vitória ter permitido a uma banda de rock italiana obter sucesso global. Os números confirmam a tendência. Itália teve os melhores resultados, com a maior audiência para qualquer espetáculo da Eurovisão, desde o último realizado em 1991.

Ao que tudo indica, os espetadores não foram particularmente distraídos pelo “ruído político” de bastidores, incluindo ameaças de hackers russos para sabotar a vitória da Ucrânia.

A Ucrânia venceu, principalmente, graças a uma grande onda de apoio por telefone do público europeu. E independentemente da origem dos votos, e se isso teve um significado geopolítico, foram as pessoas que escolheram e as pessoas que quiseram que a Ucrânia vencesse.

Apesar de o presidente ucraniano, Volodymyr, Zelenskyy, desejar acolher a próxima edição do Festiva numa “Mariupol livre e reconstruída”, é muito improvável que a Ucrânia seja capaz de receber a competição em maio do ano que vem.

Mas a conclusão mais significativa do resultado é que a Europa e os europeus mostraram unidade ao reafirmar a sua identidade cultural através da música. Nesse sentido, a Eurovisão também venceu o desafio mais difícil – longe das arenas políticas, mostrou-nos o verdadeiro sentimento dos europeus e como se posicionam.