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Porque é que um embargo ao petróleo russo pode não ser para já?

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De  Alice Tidey
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Os Estados-membros estão expostos ao gás russo a diferentes níveis
Os Estados-membros estão expostos ao gás russo a diferentes níveis   -   Direitos de autor  AP Photo/Mindaugas Kulbis

A União Europeia aprovou um embargo ao carvão russo e, após semanas de negociações tortuosas, ao petróleo, numa tentativa de privar Moscovo de uma importante fonte de receita para travar a guerra na Ucrânia.

Teoricamente, em seguida, deveria surgir um embargo ao gás russo, mas este é um tema que se está a revelar ainda mais polémico entre os líderes europeus.

"Não se pode impor um embargo no que diz respeito ao gás", disse o chanceler austríaco Karl Nehammer aos jornalistas, depois de uma cimeira europeia especial de dois dias, concluída na tarde de terça-feira.

A maior conquista do encontro foi o acordo que os líderes dos 27 alcançaram para proibir 90% das importações de petróleo da Rússia até o final do ano como parte de um sexto pacote de sanções.

Os primeiros-ministros de Portugal e da Bélgica defenderam que se deixe perceber, primeiro, o impacto do sexto pacote de sanções antes de passar à fase seguinte, mas nem todos concordam com esta posição.

"Também penso que devemos sancionar o gás", disse o primeiro-ministro letão Krišjānis Kariņš.

A homóloga estónia, Kaja Kallas, também apoiou publicamente este passo, mas admitiu que será difícil: "Penso que o gás deve constar do sétimo pacote de sanções, mas também sou realista e julgo que isso não acontecerá."

Para os dois países bálticos, este posicionamento parece surpreendente à primeira vista. A Letónia importa 93% do gás natural da Rússia, de acordo com a Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores de Energia. Para a Estónia, a participação é de 79%.

Finlândia (100%), Bulgária (79%), Hungria (61%), Áustria (64%) e Alemanha (49%) também estão particularmente dependentes do gás russo.

No entanto, a decisão pode muito bem não sair das mãos dos líderes da União Europeia, conforme referiu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na terça-feira à noite: "a Rússia interrompeu, até ao momento, o fornecimento de gás para cinco Estados-membros: Finlândia, Bulgária e Polónia, a uma empresa nos Países Baixos e outra na Dinamarca."

Veja o vídeo explicativo para conhecer mais detalhes.