Reconstruir a Ucrânia será um "desafio para gerações"

Primeiro-ministri polaco, Mateusz Morawiecki, discursa na conferência de doadores
Primeiro-ministri polaco, Mateusz Morawiecki, discursa na conferência de doadores Direitos de autor AP Photo/Markus Schreiber
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De  Lauren ChadwickIsabel Marques da Silva
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O Banco Mundial avaliou a destruição na Ucrânia em cerca de 350 mil milhões de euros. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou na semana passada, que a UE pretende contribuir com 1,5 mil milhões de euros, por mês, para a Ucrânia, num total de 18 mil milhões de euros em 2023.

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A reconstrução da Ucrânia será um "desafio para gerações" que precisa de começar agora, disse o chanceler alemão, Olaf Scholz, terça-feira, numa conferência sobre a reconstrução do país devastado pela guerra.

Olaf Scholz foi co-organizador com a Comissão Europeia de uma conferência de peritos sobre a recuperação da Ucrânia, como parte da sua presidência do G7.

"Queremos discutir a reconstrução da Ucrânia", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no discurso de abertura.

"Milhares de casas destruídas, várias centenas de escolas em escombros. Inúmeras pontes, estradas, centrais eléctricas, infra-estruturas ferroviárias e indústrias bombardeadas. Para os ucranianos, estas não são apenas estatísticas. Esta é a sua experiência quotidiana", acrescentou.

"O que está aqui em jogo (é) nada menos que a criação de um novo Plano Marshall para o século XXI. Uma tarefa geracional que deve começar agora", disse Scholz.

O Plano Marshall foi o plano de reconstrução para a Europa Ocidental, após a Segunda Guerra Mundial, desenhado pelo governo norte-americano.

"Sabemos que a história de dois países não é a mesma, mas pela nossa própria experiência histórica, sabemos também que a reconstrução é sempre possível e que nunca é demasiado cedo para enfrentar esta tarefa", acrescentou Scholz.

O Banco Mundial avaliou os danos na Ucrânia em cerca de 350 mil milhões de euros.

O Presidente ucraniano, Volodimir Zelenksyy, que falou, via Internt, na conferência, disse que a Ucrânia precisa de fundos para cobrir um défice orçamental de 38 mil milhões de dólares.

O primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, salientou que a Ucrânia precisa de um financiamento rápido "para recuperar imediatamente as infraestruturas" para sobreviver este inverno e evitar uma catástrofe humanitária e uma vaga de migração.

Ursula Von der Leyen anunciou, na semana passada, que a União Europeia pretende contribuir com 1,5 mil milhões de euros, por mês, para a Ucrânia, num total de 18 mil milhões de euros em 2023.

A Europa depende da energia russa "como um toxicodependente".

Já o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, voltou a fazer a comparação da dependência da Europa em relação à energia russa com um toxicodependente que regressa a um traficante de droga.

"Falamos frequentemente sobre a dependência da Europa em relação às matérias-primas russas. E, de facto, a Rússia comportou-se como um traficante de droga", disse Mateusz Morawiecki.

"Um traficante de droga que dá a sua primeira dose de graça porque sabe que o toxicodependente virá mais tarde e pagará muito caro pelas próximas doses", acrescentou.

"Hoje não basta falar sobre a reconstrução da Ucrânia e a reconstrução da Europa. É mais do que isso. Temos de falar sobre a remodelação da Europa", disse o primeiro-ministro polaco.

Antes da guerra, cerca de 40% das importações europeias de gás eram provenientes da Rússia, mas foi fortemente reduzida à medida que o Kremlin cortava os fornecimentos, em retaliação pelas sanções europeias.

Em 2020, a UE dependia das importações russas em 24,4% para as necessidades energéticas. No caso da Polónia, essa dependência era de cerca de 35%.

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