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Eurodeputados pedem demissão de comissário que lhes chamou "idiotas"

O comissário europeu para o Alargamento da UE, Olivér Várhelyi, disse "quantos idiotas ainda restam", num comentário em húngaro
O comissário europeu para o Alargamento da UE, Olivér Várhelyi, disse "quantos idiotas ainda restam", num comentário em húngaro Direitos de autor European Union, 2023.
Direitos de autor European Union, 2023.
De  Jorge LiboreiroIsabel Marques da Silva
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O incidente teve lugar quando o comissário respondia a perguntas dos eurodeputados numa sessão sobre o reforço da política de alargamento aos Balcãs Ocidentais,

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Membros do Parlamento Europeu manifestaram indignação e apelaram à demissão de Olivér Várhelyi, o comissário europeu para a Vizinhança e o Alargamento que se referiu as estes legisladores como "idiotas", num comentário em húngaro, na terça-feira, durante a sessão plenária, em Estrasburgo (França).

Várhelyi (de nacionalidade húngara) lamentou, esta quarta-feira, o que descreveu como um "mal-entendido", acrescentando que os seus comentários foram "retirados do contexto" e tinham a ver com uma conversa privada com o seu chefe de gabinete.

O incidente teve lugar quando o comissário respondia a perguntas dos eurodeputados numa sessão sobre o reforço da política de alargamento aos Balcãs Ocidentais, onde a maioria dos países já têm estatuto de candidatos oficiais à entrada no bloco.

A sessão prolongou-se por quase uma hora e meia e, no final, o eurodeputado croata do centro-direita Tomislav Sokol tomou a palavra para acusar a Sérvia de agir de forma hegemónica na região e "intrometer-se" nos assuntos internos do Montenegro.

O comissário europeu Várhelyi disse que a Sérvia estava vinculada pelas "mesmas condições" que qualquer outro candidato da UE e que os "problemas" de Montenegro estavam "profundamente enraizados".

"Cabe ao povo de Montenegro assumir a liderança e exercer a sua vontade para o futuro do país", disse o comissário.

Sokol voltou a criticar a Sérvia por não ter seguido a política de sanções da UE contra a Rússia, em resposta à guerra da Ucrânia, uma questão que tem atraído muita atenção nos últimos meses e que se refletiu num relatório da Comissão Europeia, divulgado em outubro.

O alinhamento da Sérvia com a política externa da União Europeia caiu de 64%, em 2021, para 45%, em agosto de 2022, disse o relatório, apontando "uma série de ações e declarações" feitas pela Sérvia que eram críticas das posições da UE.

"Estará a UE pronta a suspender as negociações de adesão até que a Sérvia tenha cumprido todas as condições?" perguntou Sokol.

Várhelyi disse, então, que a falta de alinhamento com a política externa não fazia parte dos critérios "com base nos quais se pode suspender as negociações de adesão". "Como sabem, suspender as negociações de adesão é apenas o último recurso", disse o comissário.

"Ainda tenho esperança que a Sérvia compreenda a importância de nos ajudar nesta luta contra o impacto da guerra", prosseguiu Várhelyi. "Temos esperança de que a Sérvia também acabe por  recuperar".

O comentário para o chefe de gabinete

"Lamento sinceramente o mal-entendido em torno da minha observação. Era uma conversa entre mim e o meu chefe de gabinete sobre um assunto completamente diferente, que foi retirado do contexto. Respeito plenamente todas as instituições da UE, incluindo o Parlamento Europeu e os seus Honoráveis Membros.
Olivér Várhelyi
Comissário europeu para a Vizinhança e o Alargamento

Várhelyi sentou-se, a seguir, e falou em húngaro para o chefe de gabinete, dizendo "Hány hülye van még?", que se traduz por "quantos idiotas ainda restam?". O áudio e a tradução foram verificados pelos jornalistas húngaros da euronews.

"Lamento sinceramente o mal-entendido em torno da minha observação", disse o comissário, esta quarta-feira. "Era uma conversa entre mim e o meu chefe de gabinete sobre um assunto completamente diferente, que foi retirado do contexto".

"Respeito plenamente todas as instituições da UE, incluindo o Parlamento Europeu e os seus Honoráveis Membros", prosseguiu no seu comunicado.

A relação entre Várhelyi e o hemiciclo era tensa há basntanete tempo. No mês passado, os eurodeputados acusaram o comissário de "deliberadamente enfraquecer" a questão das reformas democráticas e do Estado de direito no processo de adesão dos países candidatos.

Os legisladores apelaram a uma investigação "independente e imparcial" sobre a conduta de Várhelyi e manifestaram preocupação quanto à sua atitude em relação aos líderes sérvios bósnios do movimento separatista dentro da Bósnia-Herzegovina.

Em dezembro passado, Várhelyi foi entrevistado pela euronews e quando questionado sobre a sua relação difícil com os eurodeputados, respondeu: "Acusam-me de desrespeitar o Estado de direito. Que hei-de dizer? Soa mais a um jogo político do que a uma crítica real e fundada", respondeu.

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Eurodeputados não poupam críticas

Uma porta-voz da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, disse que esta pediu aos  serviços que "investigassem" o incidente.

A observação não foi traduzida pelos serviços do Parlamento Europeu e passou inicialmente despercebida até que o eurodeputado húngaro Sándor Rónai, que pertence ao grupo socialista, publicou um vídeo do momento na sua conta do Twitter.

O vídeo de Rónai teve milhares de comentários e provocou a indignação de outros legisladores.

  • "Insultar os membros do Parlamento Europeu que fazem o seu trabalho, fazendo perguntas críticas tem de ter consequências", disse a deputada socialista alemã Delara Burkhardt.
  • "Pelo menos os idiotas sabem quando o seu microfone está ligado. Isto é o que os diferencia dos grandes idiotas", respondeu a eurodeputada liberal francesa Valérie Hayer.
  • A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, "tem de o despedir imediatamente, caso contrário corre o risco de perder a confiança de todo o Parlamento Europeu", escreveu o deputado liberal belga Guy Verhofstad.
  • Alguns eurodeputados associaram o comentário de Várhelyi à posição do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que tem sido repetidamente criticado por minar a unidade política da UE ao prosseguir políticas tolerantes em relação à Rússia. "É ótimo ouvir o que o homem de Orban em Bruxelas pensa da democracia (da UE)", disse o deputado dos verdes alemão Damian Boeselager. "Oliver Varhely deve demitir-se. Não quero voltar a vê-lo na nossa casa".
  • "O desprezo pelo Parlamento que o Comissário Orbán demonstrou hoje é inaceitável", disse o eurodeputado socialista neerlandês Thijs Reuten.
  • A eurodeputada socialista alemã Gaby Bischoff disse simplesmente: "Está na hora de agir".
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