UE cancela evento em Israel para evitar dar tribuna a Ben-Gvir

Itamar Ben-Gvir
Itamar Ben-Gvir Direitos de autor Ronen Zvulun/Pool Photo via AP
De  Alice Tidey
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A delegação da UE em Israel irá celebrar o Dia da Europa sem a habitual receção, para evitar um discurso do controverso ministro de extrema-direita Itamar Ben-Gvir.

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A Delegação da União Europeia em Israel cancelou a receção que tinha previsto para assinalar o Dia da Europa, para evitar que um ministro de extrema-direita fizesse um discurso.

"A Delegação da UE em Israel espera celebrar o Dia da Europa a 9 de Maio no país anfitrião, como faz todos os anos", afirmou o Serviço Diplomático da UE em comunicado, na tarde de segunda-feira.

"Lamentavelmente, este ano decidimos cancelar a habitual receção diplomática, uma vez que não queremos oferecer uma plataforma a alguém cujas opiniões contradizem os valores que a União Europeia defende", acrescentou.

Na terça-feira, 9 de maio, as delegações da UE em todo o mundo organizam eventos para celebrar o Dia da Europa, que assinala o aniversário da declaração Schuman, de 9 de Maio de 1950, na qual foi proposta pela primeira vez a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.

Os embaixadores dos Estados-membros, bem como os representantes dos governos locais, são tradicionalmente convidados.

O convite dirigido ao governo pela delegação da UE em Israel foi aceite no fim de semana por Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional e líder do partido ultranacionalista Otzma Yehudit, que ocupa seis lugares na Knesset, formando parte da coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O anúncio suscitou controvérsia, tendo os funcionários da UE manifestado o seu desconforto quanto à possibilidade de Ben-Gvir discursar, como é habitual.

Na segunda-feira, um porta-voz da Comissão Europeia disse aos jornalistas que estavam a "consultar internamente e também os Estados-membros" sobre como proceder.

"Não subscrevemos os pontos de vista políticos de Ben-Gvir, não subscrevemos os pontos de vista políticos do seu partido, porque estão em total contradição com todos os valores e princípios que a União Europeia defende e em que acredita", acrescentou o porta-voz.

Ben-Gvir, que é responsável pelas forças da ordem do país, incluindo a polícia de fronteira na Cisjordânia ocupada, foi condenado em 2007 por incitamento ao racismo contra os árabes e por apoio a uma organização considerada um grupo terrorista por Israel e pelos EUA.

É uma pena que a UE, que afirma representar o multiculturalismo, pratique o silenciamento", afirmou no Twitter, reagindo ao cancelamento do evento.

"Os verdadeiros amigos sabem como expressar críticas e como ouvi-las também", acrescentou.

Numa declaração amplamente citada pelos meios de comunicação social israelitas, Ben-Gvir defendeu o seu direito de discursar durante o fim de semana, escrevendo que "Israel é uma democracia e, numa democracia, é possível ouvir opiniões diferentes".

O comunicado acrescenta que entre os temas que o ministro pretende abordar está a guerra conjunta da UE e de Israel contra o terrorismo e a necessidade de reforçar a cooperação nessa luta.

A Delegação da UE em Israel manterá, no entanto, o seu evento cultural do Dia da Europa para o público israelita.

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