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Nagorno-Karabakh: Eurodeputados pedem sanções da UE contra Azerbaijão

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, senta-se ao lado do Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em Sófia, a 1 de outubro de 2022\.
A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, senta-se ao lado do Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em Sófia, a 1 de outubro de 2022\. Direitos de autor AP Photo/Valentina Petrova
Direitos de autor AP Photo/Valentina Petrova
De  Mared Gwyn JonesIsabel Marques da Silva (Trad.)
Publicado a Últimas notícias
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Artigo publicado originalmente em inglês

O Parlamento Europeu criticou a inação da União Europeia (UE) face à crise do Nagorno-Karabakh, apelando à imposição de sanções económicas ao Azerbaijão. Este país entrou em confronto violento com a Arménia, esta semana, tendo sido declarado um cessar-fogo esta quarta-feira

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"A UE deve atuar, impor sanções, incluindo a suspensão das importações de gás", disse Reinhard Bütikofer, eurodeputado alemão do grupo dos Verdes, à Euronews.

O ministério dos Negócios Estrangeiros  do Azerbaijão ordenou, na terça-feiras, uma operação "antiterrorista" em Nagorno-Karabakh, o enclave disputado que é maioritariamente governado pela população de etnia arménia, mas reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão.

O ataque segue-se a meses de tensões crescentes sobre a região separatista, despertando o receio de um regresso às hostilidades da guerra de 2020, em que milhares de pessoas perderam a vida.

A UE condenou a agressão, mas não adoptou quaisquer medidas de retaliação. O bloco assinou, recentemente, um novo acordo para duplicar as importações de gás azeri para a UE, até 2027. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classifica o governo do Azerbaijão de parceiro "fiável".

As tentativas da UE para desanuviar o conflito de décadas entre a Arménia e o Azerbaijão também não tiveram êxito.

Num debate realizado no Parlamento Europeu, esta quarta-feira, os eurodeputados de todas as bancadas políticas afirmaram que a UE tem sido lenta a reagir aos pedidos de ajuda da Arménia desde que as forças azeris bloquearam o corredor de Lachin, há nove meses, impedindo que fornecimentos essenciais como alimentos, medicamentos e combustível chegassem à população de etnia arménia.

Os eurodeputados apelaram, ainda, à aplicação de sanções económicas e comerciais e à suspensão de todas as relações bilaterais com Baku.

O debate teve lugar horas antes de a região separatista ter aceite um cessar-fogo proposto pelas forças de manutenção da paz russas, que estão presentes no Nagorno-Karabakh desde o cessar-fogo mediado por Moscovo em 2020. 

O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, tem pedido ao Ocidente mais apoio, expressando frustração com a posição da Rússia.

"Não fomos capazes de impedir um ataque que previmos que estava para vir", afirmou a eurodeputada francesa liberal Nathalie Loiseau.

"A mediação foi um fracasso total. Nunca nomeámos o agressor. Ignorámos o primeiro-ministro arménio quando este pediu a nossa ajuda", acrescentou.

"A nossa fraqueza e a nossa passividade tornaram-nos cúmplices desta situação", afirmou Loiseau, que também fez eco das afirmações de Nikol Pashinyan, segundo as quais as autoridades de Baku estão a prosseguir uma política de limpeza étnica.

Baku não é um parceiro "fiável

Os eurodeputados criticaram também os acordos da UE com o primeiro-ministro azeri, Ilham Aliyev. O seu comissário para o Alargamento, Olivier Várhelyi, também se encontrou com o ministro dos Negócios Estrangeiros azeri, em Budapeste, no início deste mês, para discutir projetos estratégicos de transporte e energia.

O porta-voz da Comissão Europeia disse, quarta-feira, que as sanções só podem ser impostas pelos Estados-membros da UE, mas que os líderes da UE vão discutir possíveis medidas durante a Assembleia Geral da ONU, a decorrer em Nova Iorque.

Os eurodeputados afirmam que a fatura de gás da UE proveniente de Baku está a financiar diretamente a agressão e a campanha de limpeza étnica do Azerbaijão.

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Os países da UE importaram 15,6 mil milhões de euros em gás natural do Azerbaijão no ano passado, quatro vezes mais do que em 2021. A Bulgária, a Roménia, a Hungria e a Eslováquia também se comprometer am a aumentar as importações de gás do país rico em petróleo.

Os eurodeputados manifestaram preocupação com a possibilidade de o gás que chega à Europa proveniente do Azerbaijão ser "gás russo, de facto" e pediram investigações urgentes sobre a origem do gás importado através do corredor sul.

O porta-voz da Comissão Europeia rejeitou essa afirmação, dizendo aos jornalistas que "o gás que estamos a receber do Azerbaijão é gás do Cáspio". Questionado sobre como podem ter a certeza de que o gás não tem origem na Rússia, o porta-voz disse: "É apenas uma questão de volumes".

"De acordo com as informações de que dispomos, o volume de gás que é exportado da Rússia para o Azerbaijão é significativamente inferior ao gás que estamos a importar do Azerbaijão.

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Interesses geopolíticos

A Rússia e o Azerbaijão têm interesse em instalar um regime fantoche na Arménia, uma vez que o Kremlin pretende reforçar a sua influência no Cáucaso do Sul.

"O objetivo da Rússia é claramente destituir o primeiro-ministro arménio Pashinyan", disse Raphaël Glucksmann, eurodeputado francês do centro-esquerda. "Querem livrar-se de um governo democrático na Arménia, que foi escolhido em liberdade e emancipação", acrescentou.

"Como é que se pode esperar que a União Europeia se afirme como uma potência geopolítica se estamos dispostos a sacrificar aliados tão importantes como os arménios desta forma?", questionou.

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