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Putin deve fazer concessões antes de negociações diretas com a Europa, diz Kaja Kallas

Alta Representante Kaja Kallas.
Alta Representante Kaja Kallas. Direitos de autor  Frederic GARRIDO-RAMIREZ/
Direitos de autor Frederic GARRIDO-RAMIREZ/
De Jorge Liboreiro
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A chefe da diplomacia da UE desencorajou os europeus de procurar uma reaproximação direta com o Kremlin, uma ideia apoiada publicamente por Emmanuel Macron e Giorgia Meloni.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deve fazer concessões tangíveis antes da União Europeia pegar no telefone para restabelecer as comunicações diretas, afirmou a alta representante do bloco, Kaja Kallas, na quinta-feira, numa altura em que mais líderes europeus apelam a um envolvimento direto com o Kremlin, no âmbito do processo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, atualmente mediado pela Casa Branca.

"Não podemos ser aquelesque vão ter com a Rússia e pedem que dialoguem connosco", afirmou Kallas, após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros em Bruxelas.

"As concessões que os americanos estão a fazer à Ucrânia são bastante fortes", acrescentou, referindo-se às notícias de que Washington está a pedir a Kiev que ceda as áreas do Donbass ainda sob controlo ucraniano em troca de garantias de segurança.

"Não creio que haja nada que possamos oferecer à Rússia para além do que já recebem no seu acordo com os norte-americanos, o que significa: por que razão deveriam eles falar connosco? Porque obtêm o que querem nesta relação."

Kallas referiu o facto de, na recente ronda de conversações trilaterais em Abu Dhabi, entre funcionários ucranianos, russos e norte-americanos, Moscovo ter sido representada por um oficial militar, o general Igor Kostyukov, em vez de um enviado político "com poder de decisão".

Tanto Kiev como Moscovo descreveram as conversações como construtivas, embora as suas posições sejam diferentes.

Em vez de se concentrarem em saber quem deve falar com Putin, acrescentou Kallas, os países europeus deveriam dedicar a sua energia a enfraquecer ainda mais a sua máquina de guerra, que mergulhou os ucranianos em apagões a temperaturas abaixo de zero. Bruxelas pretende aprovar um novo pacote de sanções contra a Rússia por altura do quarto aniversário da guerra, a 24 de fevereiro.

"Estamos a trabalhar para exercer mais pressão sobre a Rússia, para que deixe de fingir negociar e passe a negociar de facto, e também para que tenha em conta as nossas preocupações de que esta guerra não continue e não se expanda para outros territórios", referiu Kallas em resposta a uma pergunta da Euronews.

"Penso que é importante compreender isto."

Dialogar ou não dialogar

A questão controversa da reaproximação com a Rússia está no topo da agenda, após o apoio público do presidente francês Emmanuel Macron e da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que argumentaram que a UE precisava de falar a uma só voz no que diz respeito a Putin.

"Penso que chegou o momento de a Europa falar também com a Rússia", afirmou Meloni. "Se a Europa decidir participar nesta fase de negociações dialogando apenas com um dos dois lados, receio que, no final, a contribuição positiva que pode dar seja limitada."

A líder italiana sugeriu que a UE nomeasse um enviado especial para liderar as conversações em nome dos 27 Estados-membros, embora não tenha apresentado um nome específico.

A Comissão Europeia, defensora de longa data da estratégia de isolamento diplomático, admitiu mais tarde que as conversações diretas irão acontecer "a dada altura", mas não agora.

Na quinta-feira, antes de entrar na reunião ministerial presidida por Kallas, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo, Xavier Bettel, disse à Euronews que as conversações com o Kremlin não devem ser descartadas.

"Precisamos de falar com eles se quisermos uma solução", disse Bettel ao programa matinal Europe Today, da Euronews. "E se eu sou demasiado insignificante para fazê-lo, então o presidente Macron ou outra pessoa [deverá] ser capaz de representar a Europa, porque eles não querem falar com Kaja Kallas", acrescentou.

Bettel, que se encontrou com Putin em Moscovo em 2015, quando era primeiro-ministro do Luxemburgo, afirmou que não tem o "ego" para dizer que é a "pessoa certa" para agir como enviado da UE.

"Mas se as pessoas estiverem convencidas de que posso ser útil, fá-lo-ei em qualquer posição", explicou. "E não preciso de estar na frente da cena. Posso fazê-lo também nos bastidores."

Ainda assim, a ideia de reatar relações com Putin continua a ser desagradável para algumas capitais, que receiam que a UE caia numa armadilha e legitime um presidente acusado de crimes de guerra.

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