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Bruxelas diz que a porta para conversações diretas com Putin está a aberta, mas ainda não chegou o momento

Vladimir Putin continua a ser objeto de sanções rigorosas por parte da UE.
Vladimir Putin continua a ser objeto de sanções rigorosas por parte da UE. Direitos de autor  Alexander Kazakov/Sputnik
Direitos de autor Alexander Kazakov/Sputnik
De Jorge Liboreiro
Publicado a Últimas notícias
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A declaração da Comissão Europeia, na segunda-feira, surge dias depois de Emmanuel Macron e Giorgia Meloni terem apoiado a reabertura do diálogo com Moscovo.

A Comissão Europeia levantou publicamente a hipótese de encetar conversações diretas com o presidente russo, Vladimir Putin, para pôr fim à guerra na Ucrânia, advertindo, no entanto, que a implacável campanha de bombardeamento de Moscovo torna tal medida impossível nesta fase.

"Estamos a trabalhar arduamente para a paz na Ucrânia", afirmou Paula Pinho, porta-voz da Comissão Europeia, na tarde de segunda-feira.

"A paz na Ucrânia depende de uma única pessoa. Essa pessoa é, como sabem muito bem, o presidente Putin. Por isso, é óbvio que, a dada altura, terá de haver conversações com o presidente Putin. Entretanto, muito trabalho está a ser feito", acrescentou a porta-voz.

"Infelizmente, não estamos a ver sinais de que o presidente Putin esteja envolvido nessas conversações, por isso ainda não chegámos a esse ponto, mas, a dada altura, esperamos que haja conversações que conduzam finalmente à paz na Ucrânia".

Questionada sobre a possibilidade de ser a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a atender o telefone, Pinho recusou-se a "especular sobre o quando, o se e o quem" e instou Putin a aceitar um encontro frente a frente com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, que o líder russo tem recusado repetidamente.

"Não é por causa do presidente Zelenskyy, que tem dito muitas vezes que está pronto para isso", disse Pinho. "Ainda não chegámos a esse ponto", repetiu. "Gostaríamos de estar lá".

Os comentários representam uma mudança importante na política da Comissão, que até agora, tem estado firmemente focada em isolar diplomaticamente e sancionar economicamente o Kremlin pela sua invasão em grande escala da Ucrânia e ataques híbridos contra a Europa.

A mudança de tom surge dias depois de o presidente francês Emmanuel Macron ter sido o anfitrião de uma reunião da "Coligação dos Dispostos" em Paris e ter afirmado que o restabelecimento do diálogo com Putin deveria ser feito "o mais rapidamente possível".

Macron já tinha defendido que falar diretamente com Putin seria "útil" para evitar depender dos Estados Unidos, que são atualmente o único intermediário.

Emmanuel Macron apoiou a reabertura do diálogo com Vladimir Putin.
Emmanuel Macron apoiou a reabertura do diálogo com Vladimir Putin. AP Photo

Na sexta-feira, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni apoiou o discurso de Macron.

"Penso que Macron tem razão neste ponto. Penso que chegou o momento de a Europa falar também com a Rússia", disse Meloni aos jornalistas. "Se a Europa decidir participar nesta fase das negociações falando apenas com um dos dois lados, receio que o contributo positivo que pode dar seja limitado".

A líder italiana sugeriu que a UE nomeasse um enviado especial para liderar as conversações em nome dos 27 Estados-membros. Mas não avançou com um nome específico.

"Se cometêssemos o erro de decidir, por um lado, reabrir o diálogo com a Rússia e, por outro, proceder de forma desorganizada, estaríamos a fazer um favor a Putin", disse Meloni na sua tradicional conferência de imprensa de Ano Novo.

"Temos este problema desde o início. Demasiadas vozes a falar, demasiados formatos".

Embora não seja inteiramente nova, a ideia de falar diretamente com Putin ganhou força no contexto das negociações promovidas pelos Estados Unidos, que por vezes deixaram os países europeus à margem e a lutar por um lugar à mesa.

Nas últimas semanas, os europeus intensificaram o seu empenhamento com Washington para elaborar um conjunto de garantias de segurança para a Ucrânia do pós-guerra. No entanto, continua a ser a Casa Branca a falar com o Kremlin e a obter o seu contributo.

O reatamento do diálogo com a Rússia, em grande parte cortado desde fevereiro de 2022, continua a ser altamente controverso em todo o bloco, dada a brutalidade persistente da guerra.

Na semana passada, os europeus expressaram indignação uníssona após a decisão de Moscovo de lançar o míssil balístico hipersónico de alcance intermédio Oreshnik para atingir infraestruturas críticas em Lviv, no oeste da Ucrânia, a cerca de 60 quilómetros da fronteira com a UE e a NATO.

"Putin não quer a paz", afirmou a alta representante da UE, Kaja Kallas. "A resposta da Rússia à diplomacia é mais mísseis e destruição. Este padrão mortal de grandes ataques russos recorrentes repetir-se-á até ajudarmos a Ucrânia a quebrá-lo".

Os únicos líderes da UE que mantêm uma comunicação aberta com Putin são Viktor Orbán, da Hungria, e Robert Fico, da Eslováquia, ambos críticos da ajuda europeia a Kiev.

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