Dificuldades na amamentação, depressão, violência: um projeto pioneiro na Chéquia oferece apoio psicossocial para mães. O primeiro passo é um questionário simples, que os enfermeiros entregam às mães um ou dois dias após o parto, e aquelas que o desejarem recebem apoio profissional gratuito.
Na maternidade do Hospital Universitário Thomayer, em Praga, o estado psicológico das mães tem já é monitorizado há seis anos. Até agora, mais de 23 mil mulheres preencheram o questionário do projeto europeu "Apoio Precoce para Famílias em Risco Psicossocial", e 18 % aceitaram ter acompanhamento psicológico ou apoio social.
No final do formulário, é perguntado às mães se desejam ser apoiadas. Se responderem que sim, podem contar com a ajuda de profissionais, desde quatro sessões até um ano de acompanhamento. Lenka Cejpková, chefe de enfermagem na maternidade do Hospital Universitário Thomayer, em Praga, explica que cada mãe "recebe um questionário com uma dúzia de perguntas, que permite aos profissionais avaliar a saúde mental da mesma. Três minutos após o envio, recebe a avaliação por e-mail. Recebe também comentários e os números de telefone e endereços de e-mail de psicólogos ou psiquiatras".
Lucie Vostrovská, que deu à luz recentemente, poderá ter alta hoje, mas, antes disso, a parteira entregou-lhe um questionário com um conjunto de perguntas. São sobre "como me sinto, quais são as minhas emoções após o parto, o que senti durante o parto e se me sinto bem agora ou se tenho algum problema e se preciso de conselhos ou de algum tipo de ajuda. Agora sei que, se tiver um problema, tenho com quem falar. O problema pode ser algo relacionado comigo, com o bebé ou com o nosso bem-estar mental”, explica.
O questionário é disponibilizado a todas as mulheres na ala. Trinta e sete hospitais com serviços de maternidade na Chéquia já aderiram ao projeto, e em 15 deles, como no Hospital Universitário Thomayer, a intervenção dos coordenadores de saúde mental ou dos assistentes sociais pode ser presencial. O orçamento total para este projeto é de 97 301 € e foi financiado na totalidade pelo programa Employment Plus da Política de Coesão da União Europeia.
Apoio pós-parto adaptado às mães
A ideia foi desenvolvida no NUDZ/NIMH, o Instituto Nacional para a Saúde Mental de Klecany. As mulheres que quiserem ter acesso a cuidados de acompanhamento recebem quatro consultas gratuitas com profissionais como Adéla Janovska, coordenadora psicossocial. O apoio é geralmente prestado por telefone, numa altura que seja conveniente para a mãe e a duração da consulta varia. Adéla Janovska comenta: “Normalmente, conversamos sobre a amamentação, sobre o parto e sobre quaisquer problemas económicos que possam ter. O estilo de vida das mães muda e podem surgir dificuldades no pós-parto”. Adéla acrescenta que também houve casos de "mulheres contactadas durante o período pós-parto que sofriam de violência doméstica".
Em alguns casos, os coordenadores podem encaminhar a mãe para outros profissionais que trabalham na área onde esta vive, sobretudo se o acompanhamento tiver de ser continuado. As consultas estão disponíveis até ao final do primeiro ano do bebé.
De acordo com Adéla Janovska, "Das chamadas que fiz, acho que as mães podem sentir-se muito envergonhadas e não estão muito informadas sobre como pode ser o pós-parto. Não sabem que é exaustivo, que podem ter dias em que não conseguem parar de chorar, mas também dias em que se sentem felizes, que é uma montanha-russa de emoções e sentimentos, e que tudo isto é normal. E diria também que há muita pressão social sobre o quão magnífico e bonito este período deve ser, mas na maioria das vezes não é. Pode ser encantador, mas também pode ser muito difícil e exaustivo, dependendo de uma variedade de fatores, como a mãe não dormir o suficiente ou não ter o apoio familiar de que precisa."
Natália beneficiou deste serviço gratuito. "Não me senti bem após o parto e senti que não conseguia lidar com tudo. Foi por isso que preenchi o questionário, e foi a minha salvação. Não vejo qualquer razão para que alguém se sinta envergonhado ou não utilize este serviço se precisar dele", conclui.
O projeto recebeu o prémio REGIOSTARS, que premeia a excelência em projetos financiados pela UE.