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Acordo de paz na Ucrânia sem Kiev enfraquece a credibilidade do Ocidente, diz autarca de Varsóvia à Euronews

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De Anna Weglarczyk
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Numa entrevista à Euronews, o presidente da Câmara de Varsóvia, Rafał Trzaskowski, alertou que acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia sem o consentimento total de Kiev prejudicaria o Ocidente e encorajaria os regimes autoritários em todo o mundo.

O resultado da guerra que a Rússia está a travar contra a Ucrânia irá repercutir-se muito para além da Europa, moldando a forma como os autocratas avaliam a força e a determinação do Ocidente, disse o presidente da câmara de Varsóvia, Rafał Trzaskowski.

"Seja como for que esta guerra termine, tem de ser acordada com a Ucrânia e refletir as prioridades ucranianas", disse Trzaskowski ao programa matinal Europe Today, da Euronews, na quinta-feira. "Todos os ditadores do mundo estão a ver se o Ocidente se mantém unido e forte".

As suas observações surgem num momento em que a atividade diplomática acelera, incluindo as conversações lideradas pelos EUA e o debate renovado na Europa sobre a reabertura dos canais de comunicação com Moscovo, uma ideia recentemente lançada pelo presidente francês Emmanuel Macron.

Varsóvia continua a opor-se firmemente a qualquer iniciativa de paz que possa ser vista como uma recompensa à agressão russa ou como uma imposição de condições a Kiev.

"O mais importante é que o presidente (Volodymyr) Zelenskyy e a voz do povo ucraniano sejam ouvidos", disse. "Não podemos apresentar ideias que sejam inaceitáveis para a Ucrânia. Isso seria completamente contraproducente".

Tal abordagem, advertiu, prejudicaria a credibilidade da Europa e dos EUA numa altura em que as normas de segurança global estão sob forte pressão.

Europa deve sentar-se à mesa

Como vizinha da Ucrânia e um dos seus mais fortes apoiantes, a Polónia argumentou que a Europa ainda não assegurou um papel suficiente na definição do desfecho da guerra, uma convicção apoiada por Trzaskowski.

"Não creio que os europeus tenham uma palavra a dizer", disse. "Não haverá solução, nem segurança, nem reconstrução da Ucrânia sem o nosso envolvimento", disse Trzaskowski.

Trzaskowski sublinhou ainda a necessidade de clarificar quem é responsável pela guerra que está a decorrer e que se aproxima dos quatro anos.

"Não devemos confundir quem é o agressor. Foi a Rússia", afirmou, acrescentando que a Ucrânia continua a enfrentar ataques diários a civis em cidades como Kiev e Kharkiv.

A Europa deve continuar empenhada na reconstrução da Ucrânia e no seu futuro europeu a longo prazo.

A Polónia expandiu dramaticamente a sua postura de defesa desde que a Rússia lançou a sua invasão em grande escala em 2022, tornando-se num dos maiores gastadores da NATO em relação ao PIB.

"Estamos a investir quase 5% do nosso PIB na defesa", disse ele. "Estamos a fortalecer a nossa fronteira oriental e a assumir a nossa própria responsabilidade, exatamente como o presidente (Donald) Trump (EUA) pediu".

Trzaskowski argumentou ainda que a segurança da Polónia é inseparável da sobrevivência da Ucrânia.

"Os ucranianos estão a lutar pela nossa liberdade", afirmou. "Deram-nos espaço para respirar e reconstruir a nossa segurança. Se esta guerra terminar com o sucesso de Putin, será a maior ameaça à segurança europeia".

Ameaças híbridas sobre tanques

Embora minimizando a probabilidade de uma invasão russa iminente da Polónia, Trzaskowski advertiu contra a complacência.

"Se a Rússia tiver tempo para reconstruir as suas forças armadas, poderá voltar e testar a nossa capacidade de resistência", afirmou, apontando táticas de guerra híbridas como a desinformação, a sabotagem e os ciberataques.

As cidades, acrescentou, fazem cada vez mais parte da equação da segurança. Varsóvia está a reforçar a sua própria resiliência, ao mesmo tempo que aprende com a experiência ucraniana e ajuda, incluindo geradores de emergência durante a escassez de energia no inverno.

Questionado sobre as iniciativas de paz lideradas pelos EUA e as propostas de Trump, o presidente da câmara de Varsóvia disse que está a analisá-las de forma pragmática, mas insiste que a unidade transatlântica continua a ser essencial.

"Não se trata de emoções ou personalidades", afirmou. "O que está em causa é a segurança europeia. Se a Europa e os Estados Unidos não estiverem juntos, os nossos inimigos abrirão as garrafas de champanhe".

Rejeitou a ideia de que a Europa deve escolher entre Bruxelas e Washington.

"A Europa precisa de assumir mais responsabilidades e reforçar as suas capacidades", disse. "Mas, ao mesmo tempo, temos de manter os americanos envolvidos. Eles são os nossos aliados mais próximos".

Em resposta aos apelos do antigo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, para uma maior integração da UE, o responsável assumiu um tom pragmático.

"Não gosto de rótulos como federação ou confederação", disse. "Mas há áreas, como a defesa, os mercados de capitais, em que precisamos de mais integração se a Europa quiser ser um verdadeiro ator global."

Ao mesmo tempo, advertiu contra o excesso de centralização, argumentando que a UE também precisa de flexibilidade e autossuficiência estratégica para navegar num mundo cada vez mais instável.

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