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Zelenskyy alerta: guerra entre EUA e Irão pode desviar ajuda crítica da Ucrânia

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, fala durante uma entrevista à AP em Istambul, Turquia, sábado, 4 de abril de 2026.
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, fala durante uma entrevista à AP em Istambul, Turquia, sábado, 4 de abril de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Rory Elliott Armstrong com AP
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O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy avisou que uma guerra prolongada dos EUA e Israel contra o Irão está a ameaçar o fornecimento de mísseis Patriot e a impulsionar a economia russa através do aumento dos preços do petróleo.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy avisou que um conflito prolongado entre os EUA, Israel e o Irão corre o risco de desviar a atenção de Washington da Ucrânia, podendo deixar Kiev com uma perigosa escassez de sistemas essenciais de defesa aérea Patriot.

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A Ucrânia precisa desesperadamente de mais sistemas de defesa aérea Patriot, fabricados nos EUA, para a ajudar a contrariar os bombardeamentos diários da Rússia, disse Zelenskyy numa entrevista concedida no sábado em Istambul.

A Rússia tem vindo a bombardear incessantemente as zonas urbanas atrás da linha da frente, após a invasão em larga escala da Ucrânia há mais de quatro anos, matando milhares de civis. A Rússia tem também como alvo o fornecimento de energia à Ucrânia, com o objetivo de interromper a produção industrial de drones e mísseis recentemente desenvolvidos pela Ucrânia, negando aos civis o aquecimento e a água corrente no inverno.

"Temos de reconhecer que não somos a prioridade atual", afirmou Zelenskyy. "É por isso que receio que uma guerra longa (contra o Irão) nos dê menos apoio".

Perda de foco na Ucrânia

As últimas conversações entre Moscovo e Kiev, mediadas pelos EUA, terminaram em fevereiro sem qualquer sinal de avanço. Zelenskyy, que acusou a Rússia de "tentar arrastar as negociações" enquanto prossegue a invasão, dia que a Ucrânia continua em contacto com os negociadores norte-americanos sobre um potencial acordo para acabar com a guerra e continua a pressionar para obter garantias de segurança mais fortes.

Segundo Zelensky, mesmo essas discussões reflectem uma perda de foco mais ampla por parte da Ucrânia.

A preocupação mais imediata, segundo Zelenskyy, são os Patriots, essenciais para intercetar os mísseis balísticos russos, uma vez que a Ucrânia ainda não dispõe de uma alternativa eficaz.

Estes sistemas norte-americanos nunca foram entregues em quantidades suficientes, disse Zelenskyy, e se a guerra do Irão não terminar em breve, "o pacote - que não é muito grande para nós - será cada vez mais pequeno". "É por isso que, naturalmente, temos medo", acrescentou.

Guerras interligadas

Zelenskyy estava a contar com os parceiros europeus para ajudar na compra dos Patriots, apesar da escassez de oferta e da limitada capacidade de produção dos EUA.

A guerra do Irão, agora na sua sexta semana, abalou a economia global e afetou grande parte do Médio Oriente, sobrecarregando ainda mais estes recursos já limitados, desviando as reservas e deixando as cidades ucranianas mais expostas a ataques balísticos.

Para Kiev, um dos principais objetivos é enfraquecer a economia de Moscovo e tornar a guerra proibitivamente dispendiosa. O aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelo encerramento do Estreito de Ormuz pelo Irão, está a minar essa estratégia, aumentando as receitas petrolíferas do Kremlin e reforçando a capacidade de Moscovo para sustentar o esforço de guerra.

Na sua entrevista, Zelenskyy afirmou que a Rússia retira benefícios económicos da guerra no Médio Oriente, citando o alívio limitado das sanções americanas sobre o petróleo russo: "A Rússia recebe dinheiro adicional, por isso, sim, tem benefícios", disse.

Novo impulso diplomático

Para manter a Ucrânia na agenda internacional, Zelenskyy ofereceu-se para partilhar com os Estados Unidos e aliados a experiência adquirida no campo de batalha, a fim de desenvolver medidas eficazes contra os ataques iranianos.

A Ucrânia tem enfrentado a evolução da utilização pela Rússia de drones Shahed de fabrico iraniano com crescente sofisticação, engenho tecnológico e baixo custo.

Moscovo modificou significativamente o Shahed-136 original, rebatizado como Geran-2, aumentando a capacidade de escapar às defesas aéreas e de ser produzido em massa. A Ucrânia respondeu com a sua própria inovação rápida, incluindo drones intercetores de baixo custo concebidos para localizar e destruir drones que se aproximam.

Zelenskyy diz que a Ucrânia está disposta a partilhar com os países árabes do Golfo que são alvo do Irão a sua experiência e tecnologia, incluindo drones intercetores e drones marítimos, que a Ucrânia produz - mais do que os que são utilizados - com financiamento dos EUA e parceiros europeus.

Em troca, esses países poderiam ajudar a Ucrânia "com mísseis anti-balísticos", diz Zelenskyy.

No final de março, com a escalada da guerra com o Irão, Zelenskyy visitou os países árabes do Golfo para promover a experiência singular da Ucrânia no combate aos drones Shahed fabricados no Irão, o que levou a novos acordos de cooperação no domínio da defesa.

Zelenskyy também posicionou a Ucrânia como um potencial parceiro na salvaguarda das rotas comerciais globais, oferecendo assistência na reabertura do Estreito de Ormuz, partilhando as experiências da Ucrânia na segurança dos corredores marítimos no Mar Negro.

Zelenskyy esteve em Istambul para conversações com o presidente Recep Tayyip Erdogan, um dia depois de o líder turco ter falado com o chefe de Estado da Rússia, Vladimir Putin.

Zelenskyy diz que foram discutidas conversações de paz e uma possível reunião de líderes em Istambul, e que os dois países poderão assinar em breve novos acordos de defesa.

Rússia intensifica ofensiva de primavera

Todos os anos, quando o tempo melhora, a Rússia intensifica os ataques. No entanto, não tem conseguido conquistar cidades ucranianas e apenas tem feito ganhos incrementais nas zonas rurais. A Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, de que se apoderou em 2014.

Na linha da frente de cerca de 1250 quilómetros que se estende pelo leste e pelo sul da Ucrânia, os militares ucranianos, com pouco pessoal, estão a preparar-se para uma nova ofensiva do exército russo, de maiores dimensões.

O comandante-chefe das forças armadas ucranianas, o general Oleksandr Syrskyi, diz que as tropas russas fizeram nos últimos dias tentativas simultâneas de romper as linhas de defesa em várias áreas estratégicas.

Zelenskyy afirma que tem insistido e continuará a insistir numa coisa: um compromisso territorial e a cedência de terras não farão parte da agenda da Ucrânia.

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