Primeira-ministra italiana afirmou na quarta-feira que Itália está interessada em produzir drones com a Ucrânia, ao receber o presidente ucraniano em Roma. Zelensky está a viajar pela Europa para assegurar fornecimentos militares e parcerias de defesa, como já fez com a Alemanha e o Reino Unido.
Itália está interessada em produzir drones com a Ucrânia, garantiu a primeira-ministra do país, Giorgia Meloni, numa conferência de imprensa em Roma, na quarta-feira, após uma reunião bilateral com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
Este é um "setor em que sabemos que a Ucrânia se tornou uma nação líder nos últimos anos", explicou Meloni.
A visita de Zelensky faz parte da digressão europeia do líder ucraniano, que se centra no apoio militar e nas parcerias na área da defesa, nomeadamente na produção de drones.
"Apoiar a Ucrânia é um dever moral, mas também uma necessidade estratégica. A segurança da Europa está em jogo", afirmou Meloni. "Um Ocidente dividido e uma Europa dividida seria o único verdadeiro presente que poderíamos dar a Moscovo", acrescentou.
A chefe do governo italiano confirmou ainda que continuará a dar o seu "apoio total" a Kiev. "Penso que, como italianos, devemos estar orgulhosos" da ajuda prestada à Ucrânia.
"Quero recordar, com uma ponta de orgulho, o que o sistema italiano pôs em prática para ajudar o povo ucraniano a enfrentar as fases mais difíceis: fornecemos caldeiras industriais, geradores elétricos" para fazer face aos apagões, disse Meloni, acrescentando que o país vai continuar a pressionar a Rússia para que inicie negociações com a Ucrânia.
"O 20.º pacote de sanções representa um passo importante para reduzir ainda mais as receitas que ainda alimentam a máquina de guerra russa", afirmou.
Zelenskyy: "Vamos trabalhar para um acordo sobre drones"
Na conferência de imprensa, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia está pronta a trabalhar com a Itália num "acordo sobre drones" e "na produção de sistemas antiaéreos".
"Desenvolvemos um pacote específico, a que chamamos 'acordo sobre drones'. Trata-se da nossa experiência militar, das nossas capacidades defensivas em matéria de drones, mísseis, guerra eletrónica e intercâmbio de dados**"**, explicou o presidente ucraniano.
"Propomos combinar tudo isto com as capacidades dos nossos parceiros. Acordámos com Meloni que as nossas equipas trabalhariam em conjunto", referiu Zelenskyy.
O chefe de EStado ucraniano também agradeceu a Meloni e a Itália pelo seu apoio contínuo a Kiev. " A Itália, desde os primeiros dias da invasão russa da Ucrânia, fez uma clara escolha de valores, a favor da vida e da nossa proteção", sublinhou.
Esta semana, Zelenskyy já assinou acordos com Berlim e Oslo para a produção conjunta de drones, fornecimento de mísseis de defesa aérea Pac-2 e lançadores do sistema antiaéreo Iris-T. Também garantiu novas contribuições para o programa Purl (Prioritised Ukraine Requirements List), que permite a outros membros da NATO financiar a compra de armas americanas para a Ucrânia.
O pacote de defesa acordado entre Kiev e Berlim inclui dez acordos e tem um valor de quatro mil milhões de euros. Entre os contratos assinados pela Ucrânia está um com a empresa norte-americana Rtx para o fornecimento de mísseis Pac-2 e outro com a alemã Diehl Defence para a instalação do sistema Iris-T.
Desde o início da guerra com a Rússia, Kiev especializou-se no desenvolvimento e produção de sistemas remotamente pilotados de baixo custo. Um setor em que a Ucrânia adquiriu experiência e conhecimentos especializados, que são atualmente muito procurados na Europa, mas também no Médio Oriente, na Ásia e em África.
Itália forneceu à Ucrânia sistemas militares no valor de 3 mil milhões de euros
Desde o início da invasão russa, a Itália forneceu a Kiev sistemas e equipamentos militares no valor de mais de três mil milhões de euros, de acordo com uma declaração do chefe do Estado-Maior General italiano, Luciano Portolano, em dezembro passado.
Ao percorrer a Europa e visitar Roma, Zelenskyy pretende também promover a ideia de um sistema de defesa europeu comum que inclua a Ucrânia.
"Ou a Ucrânia se torna parte integrante do sistema de segurança europeu, ou alguns países europeus correm o risco de se tornarem parte do mundo russo", afirmou Zelenskyy na terça-feira.
Meloni sobre o Irão: "Acreditamos na validade do cessar-fogo"
O encontro bilateral entre Meloni e Zelenskyy também abordou a guerra no Irão.
"Continuamos a acreditar na validade do cessar-fogo. Alimentamos a esperança de que as negociações de paz possam ser retomadas, ainda que num contexto que não é certamente fácil. A Itália está, quero reiterar, pronta a desempenhar o seu papel", disse Meloni numa conferência de imprensa.
"É crucial para a nossa segurança, bem como a de Israel e dos países do Golfo, que o Irão não possa adquirir armas nucleares", acrescentou.
Zelenskyy sublinhou que Kiev está a fazer a sua parte, trabalhando com os países do Golfo "na proteção contra os ataques dos drones Shahed e no reforço da sua defesa".
"A guerra mudou, agora sem uma defesa verdadeiramente sólida ninguém se pode sentir seguro", acrescentou o líder ucraniano.