O ministro húngaro cessante faltará ao Conselho dos Negócios Estrangeiros da próxima semana, após a derrota do governo de Orbán nas eleições. Szijjártó é acusado de partilhar informações confidenciais com a Rússia e de destruir documentos sensíveis.
O ministro dos Negócios Estrangeiros cessante da Hungria, Péter Szijjártó, vai faltar à reunião dos Negócios Estrangeiros da próxima semana no Luxemburgo, na sequência da derrota do governo de Viktor Orbán, disseram diplomatas da UE à Euronews. O seu gabinete não respondeu aos nossos pedidos de comentário.
Na quarta-feira, os diplomatas confirmaram que o primeiro-ministro cessante, Viktor Orbán, vai faltar à Cimeira Europeia informal da próxima semana em Chipre.
Szijjártó esteve no centro da polémica durante a campanha devido aos laços estreitos com o homólogo russo, Serguei Lavrov.
A divulgação de chamadas telefónicas sugeria que Szijjártó se tinha oferecido para ajudar a retirar empresários russos da lista de sanções da UE e que tinha contactado Lavrov durante uma cimeira europeia importante em 2023, quando as negociações de adesão da Ucrânia estavam em discussão.
Após as eleições de domingo, que resultaram numa vitória esmagadora do partido da oposição Tisza, Szijjártó desapareceu em grande parte da opinião pública, incluindo das redes sociais, onde costumava ser muito ativo.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, acusou Szijjártó de ter destruído documentos sensíveis relacionados com as sanções contra a Rússia no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Magyar e a sua conselheira para os Negócios Estrangeiros, Anita Orbán, pediram aos funcionários do ministério que preservassem todos os ficheiros relevantes. O ministério rejeitou as alegações na quarta-feira, dizendo que apenas foram destruídas cópias em papel de ficheiros electrónicos e que não se perderam quaisquer dados.
Szijjártó enfrenta escrutínio sobre chamadas secretas para Moscovo
Os laços estreitos de Péter Szijjártó com Moscovo tornaram-se um dos principais temas da campanha depois de terem surgido transcrições e gravações de chamadas telefónicas.
Em março, o Washington Post noticiou que Szijjártó tinha telefonado a altos funcionários russos durante os intervalos das reuniões da UE em Bruxelas. O ministro húngaro contestou o momento, afirmando que os telefonemas tinham sido feitos antes e depois das reuniões, e negou ter violado quaisquer regras que o considerassem um compromisso diplomático. A Rússia é o país mais sancionado pelas regras da UE.
No final desse mês, um grupo de jornalistas de investigação publicou uma gravação de uma chamada entre Szijjártó e Lavrov, na qual o ministro húngaro se oferecia para ajudar a retirar a irmã de um empresário russo da lista de sanções da UE, a pedido do ministro russo.
Em abril, antes das eleições legislativas, uma nova fuga de informação alegou que Szijjártó tinha informado Lavrov durante uma pausa numa cimeira importante da UE em Bruxelas, em dezembro de 2023, na qual os líderes discutiam o lançamento das conversações de adesão da Ucrânia. De acordo com a gravação, Lavrov propôs que Szijjártó aproveitasse a ocasião para exercer pressão sobre a UE.
Szijjártó rejeitou as fugas de informação, acusando-as de visarem o governo do então primeiro-ministro Viktor Orbán antes da votação.