Estocolmo abandonou dois séculos de não-alinhamento militar e aderiu à NATO na sequência da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.
O governo sueco afirmou esta terça-feira que vai avançar com um plano para formar uma nova agência de espionagem destinada a combater as ameaças externas, no âmbito de uma reflexão mais alargada provocada pela guerra da Rússia na Ucrânia.
A nova agência chamar-se-á Serviço de Informações Externas da Suécia (UND) e iniciará as suas actividades em janeiro de 2027, afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros, Maria Malmer Stenergard, numa conferência de imprensa.
"Durante a atual guerra na Ucrânia, tornou-se muito claro que a vantagem da informação e a capacidade de adaptar rápida e continuamente vários sistemas técnicos são tão cruciais como os sistemas de armas avançados", disse Stenergard, acrescentando que o novo serviço seria comparável ao MI6 do Reino Unido.
A Suécia já tem um serviço de informações militares, o Serviço de Informações e Segurança Militar (MUST), responsável pelas ameaças externas, bem como o Serviço de Segurança Sueco (SAPO), não militar, que se concentra nas ameaças internas.
Stenergard afirmou que o novo serviço assumirá algumas das responsabilidades do MUST e trabalhará em estreita colaboração com as Forças Armadas da Suécia e o SAPO, bem como com o Instituto Nacional de Defesa Rádio (FRA), responsável pela interceção de sinais de rádio e segurança cibernética.
Em 2022, a Suécia abandonou dois séculos de não-alinhamento militar e pediu para aderir à NATO, na sequência da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia. O país aderiu à aliança de segurança em 2024.
"Ao desenvolvermos a nossa estrutura de informações, estaremos também mais bem alinhados com as estruturas existentes na NATO e entre os nossos aliados", afirmou.
A nova agência será responsável pela identificação de "ameaças externas contra a Suécia". "As suas atividades serão conduzidas através da recolha, processamento e análise de informação", disse Stenergard.
O projeto de lei será enviado ao Conselho de Legislação para análise, tendo o governo afirmado, em comunicado, que tenciona enviá-lo ao Parlamento em junho.