Com a chegada do calor e o aumento do risco de incêndios, mais de 700 operacionais de seis países europeus participaram, em Viseu, num exercício que simulou um fogo rural de grandes dimensões, testando a capacidade de resposta conjunta e a coordenação entre meios nacionais e estrangeiros.
Com o calor aí à porta, Portugal prepara a época de incêndios que todos os anos assola o território nacional, deixando centenas de milhares de hectares de área ardida e posicionando o país como um dos mais afetados na Europa.
Mais de 700 operacionais de Chipre, Chéquia, Espanha, França, Polónia e Portugal participaram entre esta terça-feira e quinta-feira, em Viseu, num exercício europeu que tem como cenário um incêndio rural de grandes dimensões e de rápida propagação.
O exercício europeu de proteção civil PT EU MODEX 2026 decorreu na localidade de Macieira, no município de Viseu, tanto durante o dia como de noite, com meios reais no terreno e simulação de cenários operacionais, afetando extensas áreas florestais e diversas zonas habitacionais, mas sem risco real para a população.
Organizado pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em colaboração com o consórcio internacional APELL - EUROMODEX, no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, o exercício visou testar e reforçar a capacidade de resposta conjunta e integrada a nível nacional e europeu, perante cenários complexos de emergência, com especial enfoque nos incêndios rurais.
Além do próprio combate a incêndios rurais, foi ainda testada a evacuação de populações, o apoio às comunidades afetadas, a coordenação de meios nacionais e internacionais e a receção e integração de equipas estrangeiras.
Os exercícios EU MODEX, financiados pela União Europeia, pretendem reforçar a cooperação internacional e garantir uma resposta mais eficaz e coordenada em situações de catástrofe.
Durante o primeiro dia de exercício, foram assegurados os trabalhos de coordenação, instalação e organização da operação, essenciais para o arranque do cenário simulado. Foi também declarada a Situação de Alerta no concelho e ativado o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.
Em declarações à Lusa, o comandante do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Viseu Dão Lafõe, Miguel Ângelo David, adiantou que uma das questões testada foi a autossuficiência dos módulos em termos de alimentação, logística de transporte, dormidas e rotação de operacionais.
"Não é um exercício habitual, como um simulacro. Estamos a jogar com o fator tempo, mas sobretudo estamos a falar de procedimentos. No final, os módulos internacionais vão obter a sua certificação ou recertificação [no Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia]", sublinhou, citado pela Lusa, acrescentando que haverá "avaliadores em permanência".