A Europa tem estado em alerta máximo há semanas, depois de os voos de drones no espaço aéreo da NATO terem atingido uma escala sem precedentes em setembro passado, levando os líderes a concordar em desenvolver um "muro de drones" ao longo das suas fronteiras.
O aeroporto de Helsínquia retomou as operações normais de voo na sexta-feira, depois de ter suspendido o tráfego aéreo durante três horas devido a um alerta de drone, informaram as autoridades.
O aeroporto suspendeu o tráfego aéreo das 4h00 às 7h00, hora local, depois de as autoridades de segurança terem emitido um alerta de perigo para a região sul de Uusimaa devido a um potencial drone na zona.
"Embora os voos estejam novamente a funcionar, a interrupção causará atrasos e cancelamentos na sexta-feira, 15 de maio. Os atrasos matinais podem também afetar os voos que partem e chegam ao fim da tarde", declarou o aeroporto de Helsínquia num comunicado.
O primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo, afirmou que as forças de defesa intensificaram a vigilância antes de confirmar no X que "o perigo em Uusimaa terminou", sem fornecer informações adicionais.
A Europa como um todo tem estado em alerta máximo há semanas, depois de os voos de drones no espaço aéreo da NATO terem atingido uma escala sem precedentes em setembro passado, levando os líderes europeus a concordar em desenvolver um "muro de drones" ao longo das suas fronteiras para melhor detetar, rastrear e intercetar drones que violam o espaço aéreo europeu.
Em novembro, oficiais militares da NATO afirmaram que um novo sistema anti-drone dos EUA tinha sido colocado no flanco oriental da aliança.
Na sequência de uma violação do espaço aéreo polaco, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, anunciou a criação do programa Sentinela de Leste, que visa impedir novas incursões russas.
Alguns responsáveis europeus descreveram os incidentes como um teste de Moscovo à resposta da NATO, o que levantou questões sobre o grau de preparação da aliança contra potenciais ameaças da Rússia.
O Kremlin rejeitou as alegações de que a Rússia está por detrás de alguns dos voos de drones não identificados na Europa como "infundadas".
Entretanto, na quinta-feira, a primeira-ministra da Letónia , Evika Siliņa, anunciou que iria demitir-se na sequência de um incidente com drones, desencadeando efetivamente o colapso da coligação governamental do país, que tem estado sob tensão há meses.
"O mais importante para mim é o bem-estar dos letões e a segurança do nosso país", disse numa conferência de imprensa.
"Estamos plenamente conscientes dos tempos que estamos a viver. A guerra brutal levada a cabo pela Rússia na Ucrânia alterou a situação de segurança em toda a Europa".
Os drones estavam numa missão de ataque do outro lado da fronteira com a Rússia e a Ucrânia disse que se despenharam em território letão no dia 7 de maio, depois de terem sido desviados eletronicamente pelos militares russos.
Um deles causou um incêndio num local de armazenamento de petróleo abandonado no leste da Letónia.
No domingo, Siliņa demitiu o seu ministro da Defesa, Andris Spruds, por causa do caso. Disse que os sistemas antidrone da Letónia não tinham sido utilizados com rapidez suficiente para combater as intrusões dos drones.
A demissão de Spruds levou nove dos seus aliados, membros do partido de esquerda Progressistas, a abandonar a coligação governamental de Siliņa, alegando que ela o tinha transformado num bode expiatório.
Spruds demitiu-se formalmente na segunda-feira e Salina propôs um oficial militar para o substituir, mas o Partido Progressista rejeitou-o.
As intrusões de drones não causaram vítimas, mas expuseram as fragilidades do sistema de defesa aérea da Letónia.
Na sequência de conversações com o presidente da Letónia, Edgars Rinkēvičs, numa cimeira em Bucareste, na quarta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, disse que iria enviar peritos para a Letónia para ajudar com as suas defesas aéreas.
A Ucrânia também vai trabalhar com a Letónia "para construir um sistema de defesa aérea com várias camadas contra diferentes tipos de ameaças", disse.
Rinkēvičs afirmou que será preparado um acordo de defesa aérea a "longo prazo".