Um relatório da UDEF aponta José Luis Rodríguez Zapatero e filhas como beneficiários do resgate da Plus Ultra e descreve manobras para influenciar a investigação da SEPI na pandemia.
O antigo primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e as filhas surgem como principais beneficiários dos fundos ligados ao resgate da companhia aérea Plus Ultra durante a pandemia, segundo um relatório da Unidade de Delinquência Económica e Fiscal (UDEF) da Polícia Nacional.
Documento a que tiveram acesso meios de comunicação espanhóis integra a investigação judicial em que Zapatero deverá prestar declarações como arguido no próximo dia 2 de junho.
Segundo os agentes, "o principal beneficiário último dos fundos obtidos pela rede seria José Luis Rodríguez Zapatero e a sociedade WhatTheFav, cujas administradoras e sócias são as suas filhas Alba e Laura Rodríguez Espinosa, sendo novamente a transferência de fundos justificada através de contratos que serviriam apenas como mera justificação documental".
Relatório policial também recolhe conversas entre empresários e advogados ligados ao caso Plus Ultra, em que são mencionadas alegadas manobras para interferir na investigação judicial. Numa dessas mensagens, os envolvidos falam em "fazer um Kitchen Cabinet" e em "a juíza do 15, como é", em referência ao acompanhamento do processo judicial.
Noutro intercâmbio, os investigadores incluem referências à alegada influência sobre o processo de resgate durante a pandemia. Nessas mensagens fala-se em "fazer pressão sobre o Zapa" e em falar "com o homónimo". "Talvez seja preciso ver quando a SEPI nos contactar para irmos conversando e esclarecendo dúvidas, mas com o homónimo temos de fazer com que isso avance depressa", terá dito Julio Martínez Martínez, amigo próximo de Zapatero e "rosto visível da rede de influência", segundo o relatório.
Relatório inclui ainda comunicações em que um dirigente ligado à Plus Ultra garante ter tido uma "conversa satisfatória" com um assessor ligado ao antigo chefe de Governo espanhol na Venezuela e a Nicolás Maduro. Numa outra conversa posterior, o mesmo executivo brinca com a sua relação com o antigo chefe de Governo: "Agora liga-me o Zapatero. Tive de mudar a minha foto de perfil. Ahahahah. Os suspensórios espanhóis, ahahahah".
O documento regista ainda referências internas à perceção de proximidade entre os intervenientes no caso, com comentários como "a procuradora-chefe é amiga" e "a instrução é muito importante", segundo consta no relatório policial. A investigação permanece em aberto enquanto a Audiência Nacional analisa novas diligências, incluindo pedidos de cooperação internacional.