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Emmanuel Macron reconhece "falha" no sistema judicial em caso de menina desaparecida

Presidente francês Emmanuel Macron recebe o primeiro-ministro húngaro Peter Magyar no Eliseu, na quarta-feira, 3 de junho de 2026
Macron recebe o primeiro-ministro húngaro Peter Magyar no Eliseu na quarta-feira, 3 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Thomas Padilla
Direitos de autor AP Photo/Thomas Padilla
De Vincent Reynier
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O perfil do principal suspeito reacende o debate sobre a proteção dos menores em França.

Emmanuel Macron expressou, esta sexta-feira, "a solidariedade" e "o carinho da nação" à família da jovem Lyhanna, reconhecendo "que houve uma falha" no sistema judicial.

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"É evidente que houve uma falha e que não podemos ignorar que se revelaram algumas lacunas. É preciso agora esclarecê-las, bem como as responsabilidades em causa", declarou o presidente a partir do Montenegro, onde chegou na quinta-feira.

"Hoje temos um sistema coletivo de proteção das nossas crianças que deve ser ainda melhorado e reforçado", acrescentou.

Resultados da autópsia são esperados esta sexta-feira

Esta declaração do presidente francês surgiu no momento em que o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, se reunia, na manhã desta sexta-feira, com os ministros do Interior e da Justiça, Laurent Nuñez e Gérald Darmanin, para fazer "um balanço da situação" sobre o caso Lyhanna.

Esta reunião decorreu na sequência da descoberta de um corpo que vestia "roupas semelhantes" às que a menina de 11 anos usava antes do seu desaparecimento, na passada sexta-feira, segundo o procurador de Agen, Olivier Naboulet.

A autópsia do corpo — que foi encontrado pelos gendarmes num silo de uma exploração agrícola, perto da aldeia de Puycasquier, no departamento de Gers — deverá realizar-se ao final da manhã. Deverá permitir identificar formalmente o corpo e apresentar conclusões sobre as causas da morte.

A autópsia visa igualmente determinar se a vítima sofreu violência sexual, tal como indicou à AFP um oficial da gendarmaria.

O perfil do principal suspeito, identificado como Jérôme Barella, reacendeu o debate sobre o acompanhamento judicial e a proteção de crianças. Este homem de 41 anos, pai de dois filhos, já tinha sido acusado várias vezes de abuso sexual de menores, sem que tivessem sido tomadas quaisquer medidas.

Desde que foi indiciado, na segunda-feira, Jérôme Barella não prestou qualquer declaração perante a juíza de instrução responsável pelo processo e não respondeu a nenhuma pergunta.

Laurent Nuñez anunciou, na quarta-feira, que tinha iniciado, juntamente com Gérald Darmanin, um inquérito administrativo para esclarecer eventuais falhas no tratamento das queixas de violação contra o suspeito.

O ministro da Justiça informou igualmente que se reunirá, na segunda-feira, com todos os procuradores-gerais para uma reunião de trabalho no Ministério da Justiça.

Responsáveis políticos de vários quadrantes pedem reforma do sistema judicial

Vários potenciais candidatos à eleição presidencial de 2027 apelaram, na quinta-feira, a uma revisão do funcionamento da justiça e a uma maior consideração pelo testemunho das crianças.

Édouard Philippe apela, nomeadamente, à criação de "um verdadeiro princípio de precaução face à violência contra as crianças", atribuindo "prioridade absoluta às queixas das crianças e às denúncias".

Já Bruno Retailleau, presidente do partido Les Républicains, lamentou, por seu lado, o que considerous er "uma falha" do sistema judicial, apelando a uma "reforma profunda".

"Uma sociedade que já nem sequer é capaz de proteger as suas crianças é uma sociedade cujos membros acabarão por se virar uns contra os outros", escreveu no X.

E Jordan Bardella, presidente do Rassemblement National (RN), acusa igualmente o Estado francês de ter "falhado gravemente" e afirma que "o povo francês exige responsabilizações".

"Este terrível drama poderia, deveria ter sido evitado, se a instituição judicial não tivesse sofrido tais disfunções", considera.

Para a presidente dos Ecologistas, Marine Tondelier, este caso é o "símbolo de um sistema político-judicial incapaz de gerir a questão da violência sexista e sexual".

"Em 2026, ainda se morre por ser mulher. Por ser criança", declara a política. "Neste caso, o principal suspeito já tem um longo historial de violência sexual contra crianças. [...] E adivinhem? Nunca foi interrogado pela polícia."

Por fim, Manuel Bompard, coordenador do La France Insoumise, apela a que "sejam dados os meios necessários aos investigadores que se dedicam a estes assuntos", considerando que "o governo limitou-se a cortá-los".

Anne-Cécile Mailfert, da associação ativista Fondation des Femmes, por seu lado, tinha solicitado "uma lei abrangente contra a violência sexual", considerando que o sistema atual "é deficiente".

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