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Caso Lyhanna: Macron apela a reagir sem demagogia às falhas

Presidente Emmanuel Macron diz-se "chocado" e denuncia "uma falha".
Presidente Emmanuel Macron diz-se «chocado» e denuncia «uma falha» Direitos de autor  AP Photo/Alberto Pezzali
Direitos de autor AP Photo/Alberto Pezzali
De Christina Molle com AFP
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No final do Conselho de Ministros desta quarta-feira, 10 de junho, a porta-voz do governo transmitiu as palavras do chefe de Estado sobre a morte da jovem Lyhanna. Este apela a que não se responda "a uma tragédia com gritos".

A comoção provocada pela morte de Lyhanna, na quinta-feira passada, continua a abalar a classe política. Emmanuel Macron declarou esta quarta-feira, em Conselho de Ministros, que este caso, em que _"_é evidente que houve disfuncionamentos manifestos", punha em causa "a confiança nas nossas instituições", segundo a porta-voz do governo, Maud Bregeon.

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Evocando _"_a emoção da Nação" e "o carinho e a solidariedade para com a família", o chefe de Estado considerou que "o respeito, o apoio e a decência devem prevalecer. (...) Não se responde a uma tragédia aos gritos. A precipitação e a demagogia são respostas que não estão à altura".

"Importa agora perceber o que decorre de responsabilidades individuais e de disfuncionamentos sistémicos no conjunto dos serviços públicos envolvidos", acrescentou o presidente francês.

Apelou também a que se aguardem os resultados das inspeções, em 19 de junho, para agir "com método" e "reforçar tudo o que tiver de ser reforçado à luz dos factos".

"Continuar a aumentar o orçamento da justiça"

Caso o projeto de lei recentemente apresentado sobre a proteção da infância (fonte em francês) tenha de "ser alterado, será unicamente à luz dos factos", considerou Emmanuel Macron, que não fez alusão à proposta de lei defendida nomeadamente pela presidente da Assembleia Nacional para tratar de forma global as violências sexistas e sexuais.

Maud Bregeon garantiu que o governo não vai "varrer o problema para debaixo do tapete" e precisou que "se forem necessárias sanções, elas serão aplicadas. Se o texto de lei apresentado pelo governo tiver de ser alterado, será alterado".

Anunciou ainda que o governo proporá ao Parlamento "continuar a aumentar o orçamento da justiça em 2027", sem dar mais pormenores.

Sébastien Lecornu reconhece falta de "meios" na justiça

Por seu lado, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, reconheceu perante o Senado um problema de "meios" na justiça francesa: "a triagem entre os investigadores, os gendarmes, os ministérios públicos... tudo isto talvez pudesse ter permitido evitar a tragédia de Lyhanna".

Anunciou igualmente um decreto, nos "próximos dias", sobre "a necessidade de fundamentar" os arquivamentos das queixas relativas a crimes sexuais contra menores. "A redação desse decreto já está em curso e assiná-lo-ei com o ministro da Justiça nos muito próximos dias", afirmou o primeiro-ministro durante a sessão de perguntas ao governo.

Medida diretamente ligada ao caso Lyhanna: há alguns dias, meios de comunicação locais revelaram que o principal suspeito, Jérôme B., já tinha sido alvo de várias queixas no passado, algumas das quais foram arquivadas.

Senado lança comissão de inquérito sobre falhas da política penal

A câmara alta decidiu criar uma comissão de inquérito sobre os disfuncionamentos da justiça e a condução da política penal.

"Queremos fazer um retrato global da realidade dos problemas da justiça, indo muito além do âmbito do inquérito ao desaparecimento de Lyhanna", indicou o grupo Os Republicanos. O objetivo será "determinar o carácter sistémico dos disfuncionamentos", prometeu Gérard Larcher, presidente do Senado, na abertura da sessão de perguntas ao governo.

Muriel Jourda, senadora de Morbihan, será a relatora desta missão de controlo transpartidária, acompanhada por vários responsáveis designados em cada grupo político, precisaram vários senadores da comissão.

Nesta segunda-feira, cerca de 60 000 pessoas manifestaram-se em toda a França para denunciar os problemas da justiça no tratamento de casos de violência sexual, em particular os que envolvem menores. Os manifestantes pediram igualmente a demissão do ministro da Justiça, Gérald Darmanin. Este recusou deixar o cargo, mas apresentou desculpas por aquilo que qualificou como uma "enorme falha" no caso Lyhanna.

Funeral da criança realiza-se "na mais estrita intimidade"

O funeral de Lyhanna terá lugar na sexta-feira "na mais estrita intimidade", de acordo com o desejo da família da aluna, indicou à AFP o advogado dos pais, François Roujou de Boubée.

O enterro está previsto para as 14h30 no cemitério de Fleurance, o município onde a adolescente estudava. No domingo, uma homenagem em sua memória juntou ali cerca de 6 000 pessoas.

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