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Newsletter: da vaga do K-pop aos tanques K2, Coreia do Sul afirma-se na Europa

O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, chega ao segundo dia da Cimeira de Líderes do G20, em Joanesburgo, África do Sul, domingo, 23 de novembro de 2025
Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, chega ao segundo dia da cimeira de líderes do G20, em Joanesburgo, África do Sul, domingo, 23 de novembro de 2025 Direitos de autor  AP Photo
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De Angela Skujins
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O presidente sul-coreano Lee Jae Myung desloca-se na quarta-feira a Bruxelas para uma aguardada Cimeira UE-Coreia do Sul, onde se prevê uma mostra de poder asiático, da influência global do K-pop às capacidades militares.

Bom dia, Bruxelas. Angela Skujins a tomar conta da newsletter desta quarta-feira.

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Toda a gente na capital belga se prepara para uma cimeira UE-Coreia do Sul muito escrutinada, que pretende mostrar mais do que o poder suave do país da Ásia Oriental, conhecido pelos cuidados de pele, pelo K-pop e pelo seu cinema. Parasite, de Bong Joon Ho, diz-vos alguma coisa?

Para lá da diplomacia cultural, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vão representar a UE na cimeira, pensada para reforçar as relações entre as capitais. O encontro acontece numa altura em que o presidente chinês, Xi Jinping, termina uma visita de dois dias à Coreia do Norte, onde foi calorosamente recebido pelo líder norte-coreano, Kim Jong Un.

De volta à capital belga, os pesos pesados da UE juntam-se, nesta reunião de potências intermédias, ao presidente da República da Coreia, Lee Jae Myung. Trata-se de um líder sul-coreano que tem insistido na importância de construir uma segurança autónoma, defendendo que os tempos de coexistência pacífica ficaram para trás.

Lidera um país separado do vizinho do norte por uma fronteira e Zona Desmilitarizada (DMZ) de 250 quilómetros, marcada por arame farpado, torres de metralhadoras e patrulhas de soldados. (Esta jornalista teve a sorte de visitar a DMZ em lua de mel — romântico, bem sei — e pode confirmar a sua impressionante capacidade militar).

A Coreia do Sul é um país tecnicamente ainda em guerra, o que ajuda a explicar que seja uma potência na indústria de defesa. Entre 2020 e 2024 figurou entre os dez maiores exportadores de armas do mundo e planeia aumentar a despesa em defesa para 8,2% do PIB em 2026; além disso, é o segundo maior fornecedor de armamento aos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Muitos veem esta cimeira como uma oportunidade para os europeus assegurarem uma parte deste negócio militar, depois de, no final do ano passado, a UE e a Coreia do Sul terem assinado uma parceria em matéria de segurança e defesa. A Polónia já é um grande comprador de armas e capacidades testadas em combate sul-coreanas, absorvendo 46% das exportações totais de defesa do país em 2024. Entre as aquisições recentes contam-se carros de combate K2 Black Panther, aviões FA-50 e sistemas de artilharia e de lançamento de rockets.

As conversações vão centrar-se em quatro grandes pilares: prosperidade e a economia, de um lado e segurança e a defesa, do outro.

À medida que os Estados Unidos continuam a recuar da Europa, revelando uma lacuna de defesa de 500 mil milhões de euros muitos vão acompanhar de perto para perceber de que forma a Coreia do Sul pode ajudar a colmatar este valor.

Seul em foco. Além de querer abrir portas a mercados europeus de defesa mais amplos, o presidente sul-coreano está claramente a tomar o pulso à situação num contexto de disputas comerciais e alianças de defesa em mutação. O presidente coreano destacou a sua primeira viagem à Europa na rede social X, sublinhando que a deslocação ocorre numa altura de "crises globais sobrepostas", mas mostrando-se esperançado de que a cimeira leve a uma "cooperação".

Mas o presidente Lee também não ignora o poder da cultura pop, fazendo referência a um dos mais bem-sucedidos produtos culturais de exportação do país fora do setor da defesa: a boy band BTS.

"Com o primeiro concerto a solo dos BTS na Bélgica previsto para o início do próximo mês, acredito que isso irá aprofundar ainda mais os laços entre as gerações mais jovens dos nossos dois países", prosseguiu na sua declaração online. A receção oficial está marcada para as 14h00, com uma conferência de imprensa agendada para as 16h40.

Apertar o cerco ao Kremlin. Como antecipámos ontem, a Comissão Europeia apresentou a sua proposta para um 21.º pacote de sanções contra a Rússia, relata o jornalista Jorge Liboreiro.

O executivo decidiu adiar para janeiro de 2027 a revisão do teto máximo para o preço do petróleo, para evitar dar a Moscovo um alívio económico. Os preços do crude dispararam em reação ao encerramento do estreito de Ormuz, pelo que uma revisão colocaria o bloco numa posição delicada.

Outro elemento central da proposta é a proibição de entrada no espaço Schengen de militares russos que participaram na invasão em larga escala da Ucrânia, uma iniciativa apresentada pela Estónia no início deste ano e que foi ganhando apoios.

Além disso, o patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa russa, está entre os muitos nomes incluídos no pacote, relatam Jorge e Luca Bertuzzi. Isto só foi possível graças à mudança de governo na Hungria.

Uma coisa que ficou de fora foi a alumina, apesar das revelações recentes sobre os laços comerciais entre a Aughinish Alumina, uma fábrica no oeste da Irlanda, e a Rússia. Numa visita a Dublin, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, instou o governo irlandês a clarificar se as vendas de alumina ajudam a construir os mísseis balísticos e drones que atingem a Ucrânia.

"Nenhum produto europeu deve acabar em drones e mísseis que matam civis ucranianos", afirmou. "É importante esclarecer todos os factos." Leia aqui a história completa.

Outras notícias: aposta de Kushner na Albânia. A Comissão Europeia deixou um aviso velado à Albânia sobre um controverso projeto imobiliário de 1,4 mil milhões de euros ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como a minha colega Mared Gwyn relata, manifestantes têm saído às ruas na Albânia nas últimas duas semanas em protestos contra os planos para construir um resort turístico de luxo numa área ecologicamente protegida, onde vivem espécies como o flamingo-rosado. A sociedade de investimento por detrás do projeto é liderada pelo genro de Trump, Jared Kushner.

Em resposta a uma pergunta da Euronews na terça-feira, um porta-voz do executivo da UE instou as autoridades albanesas a "agir sem demora" para evitar pôr em causa a candidatura do país à adesão à UE, que exigirá o alinhamento com as regras ambientais do bloco.

Exclusivo: a luta da UE para travar a evasão chinesa às tarifas

À medida que a UE procura proteger o seu mercado da vaga de importações chinesas de baixo custo, cresce na Europa a preocupação com um novo fenómeno: empresas chinesas que publicitam formas de contornar as barreiras pautais do bloco.

França, Itália, Espanha, Países Baixos e Lituânia alertaram em conjunto a Comissão Europeia para "ações cada vez mais difusas e complexas" destinadas a evitar os direitos aduaneiros da UE.

Num documento informal redigido no mês passado, que se abstém de mencionar qualquer empresa chinesa, estes países apelaram a melhorias no instrumento anti-evasão da UE, que "permitiriam à UE garantir o efeito jurídico e a eficácia das suas atuais medidas de defesa comercial".

Uma investigação persistente de Peggy Corlin, da Euronews, encontrou empresas chinesas a anunciar abertamente na internet formas de contornar as medidas de defesa comercial da UE, incluindo os direitos anti-dumping que Bruxelas impõe às importações vendidas no bloco a preços inferiores aos praticados na China.

Leia mais sobre esta investigação exclusivaaqui.

Mais das nossas redações

UE mira patriarca russo Kirill em nova proposta de sanções

A União Europeia vai tentar novamente sancionar o patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa russa, depois de a Hungria ter vetado a decisão em 2022. Leia mais sobre esta história de Luca Bertuzzi e Jorge.

Consórcio liderado pela Airbus propõe alternativa de caça após falhanço de projeto franco-alemão

O programa FCAS era visto como um projeto emblemático da defesa europeia, destinado a reforçar a cooperação militar numa altura em que a Europa enfrenta uma Rússia mais assertiva. Doloresz Katanich tem mais sobre esta história de combate ou fuga.

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França proibiu o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, de entrar no país, numa altura em que aumenta a pressão sobre a política de colonatos israelita e a violência na Cisjordânia ocupada. Simon Ormiston tem os detalhes .

Em direto, estará connosco o general Dominique Trinquand, antigo chefe da Missão Militar francesa junto da ONU e da NATO.

Também debaixo de olho

  • Os líderes dos grupos políticos do Parlamento Europeu vão dar conferências de imprensa sobre as novas regras de migração da UE às 9h15, a partir do Parlamento Europeu em Bruxelas, Bélgica.
  • O comissário europeu para o Orçamento, a Luta Antifraude e a Administração Pública, Piotr Serafin, fará uma apresentação às 13h30 sobre o projeto de orçamento para 2027 no Parlamento Europeu.
  • O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, vai reunir-se com a Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu às 18h30, no Parlamento Europeu.É tudo por hoje. Jorge Liboreiro e Mared Gwyn contribuíram para esta newsletter.
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