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Lagarde defende subida de juros do BCE como sólida em três cenários

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu Direitos de autor  AP Photo/Michael Probst
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De Eleonora Vasques
Publicado a Últimas notícias
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Críticos receiam que a decisão de manter as taxas elevadas prejudique a produtividade e atrase o regresso da inflação à meta até 2027.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu a decisão de aumentar as taxas de juro, afirmando que é "sólida em três cenários diferentes".

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O BCE anunciou hoje que vai subir as taxas em 0,25 pontos percentuais pela primeira vez em três anos devido à guerra em curso no Médio Oriente. Trata-se da primeira subida desde 2023, quando aumentou as taxas em resposta à escalada dos preços da energia provocada pela invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

"A guerra está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de subir as taxas é sólida num conjunto de cenários que avaliam como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a zona euro", disse Lagarde aos jornalistas numa conferência de imprensa na quinta-feira.

Os efeitos do conflito no Médio Oriente, iniciado em fevereiro, fizeram-se sentir em toda a Europa. O encerramento intermitente do estreito de Ormuz fez disparar os preços do petróleo e do gás, com um forte impacto nos importadores europeus.

A subida das taxas do BCE marca uma inversão clara do ciclo de afrouxamento monetário que definiu a abordagem do banco durante grande parte de 2025. A inflação na zona euro atingiu 3,2 por cento em maio, o valor mais elevado desde setembro de 2023, impulsionada por um aumento de 10,9 por cento nos preços da energia.

A economia da União Europeia contraiu-se 0,2 por cento no primeiro trimestre de 2026, levando economistas a alertar para um período de "estagflação", em que um crescimento fraco se combina com uma inflação em alta e um agravamento da confiança dos consumidores.

De acordo com as últimas Previsões Económicas Europeias, publicadas no final de maio, prevê-se que o crescimento do PIB da UE abrande de 1,1 por cento em 2026 para 1,4 por cento em 2027, enquanto a inflação deverá subir de 3,1 por cento em 2026 para 2,4 por cento em 2027.

Três cenários do BCE

Nas declarações de quinta-feira, Lagarde deixou claro que a instituição não está a seguir uma trajetória específica para as taxas de juro.

"As nossas decisões sobre taxas de juro basear-se-ão na avaliação que fizermos das perspetivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, à luz dos dados económicos e financeiros que forem chegando, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária", afirmou.

Apesar das incertezas, o BCE projetou três cenários de curto prazo possíveis para junho de 2026: benigno, adverso e grave.

No cenário mais benigno, os preços do petróleo "normalizam mais rapidamente do que no cenário de referência, o que implica uma moderação mais rápida da inflação, que ficaria abaixo da meta de 2 por cento em 2027 e 2028, enquanto o crescimento do PIB recuperaria um pouco mais cedo e de forma mais robusta do que no cenário de referência", explica o BCE.

Nesta situação, o crescimento do PIB passaria de 0,8 por cento em 2026 para 1,4 por cento em 2027, enquanto a inflação recuaria de 2,9 por cento em 2026 para 1,8 por cento em 2027.

O cenário adverso, por sua vez, pressupõe que os preços da energia continuem a subir com elevada incerteza e efeitos de contágio internacionais, bem como efeitos indiretos e de segunda ordem mais fortes sobre a inflação. O crescimento real do PIB atingiria 0,7 por cento em 2026, subindo para 0,9 por cento em 2027, enquanto a inflação deverá chegar a 3,3 por cento em 2026 e 3,0 por cento em 2027.

No cenário grave, a UE enfrentaria um choque energético mais forte e persistente, com o crescimento real do PIB a abrandar para 0,5 por cento em 2026-27, antes de recuperar um pouco mais rapidamente em 2028.

Taxas de juro, inflação e crescimento

Lagarde afirmou aos jornalistas que a prioridade número um do BCE é conter a inflação.

"Se deixarmos a inflação começar a escapar ao controlo, torna-se muito mais difícil trazê-la de volta ao nível de estabilidade de preços que temos de garantir", disse.

"A decisão acertada foi precisamente subir as taxas de juro para assumir e concretizar o compromisso com a estabilidade de preços, de forma a que as pessoas tomem as suas decisões de investimento, de emprego e de negociação salarial à luz desse compromisso de restaurar a estabilidade de preços".

Os críticos da decisão de Lagarde consideram que o aumento das taxas de juro penalizará sobretudo os setores mais produtivos e inovadores da Europa.

"Esta decisão não vai reduzir os preços da energia. Vai, no entanto, tornar mais caros os investimentos em energia limpa, atrasando a única solução que poderia baixar estes preços de forma duradoura. Isto é importante porque as renováveis não são apenas uma solução climática, são uma solução para a estabilidade de preços", afirmou Calvin Vella, investigador da Positive Money Europe, uma organização não governamental sediada em Bruxelas, em comunicado.

"A subida do custo do financiamento também coloca em risco a competitividade da Europa ao tornar mais caros os investimentos em indústrias mais limpas, o que reduz a capacidade de garantir segurança energética para o continente", acrescentou. "O aumento das taxas de juro também aprofunda as desigualdades, ao pressionar os salários e reduzir a oferta de emprego".

Falando na quinta-feira, Lagarde referiu que a economia europeia beneficiaria de mudanças estruturais importantes, como investir em energias renováveis em detrimento do petróleo e do gás.

"As reformas para reforçar o potencial de crescimento da zona euro e acelerar a transição energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis, são mais vitais do que nunca", declarou.

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