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Europeus deixam G7 aliviados, entre interesses próprios e elogios para conter Trump

Trump ri durante sessão do G7 presidida por Macron
Presidente Trump ri-se em sessão do G7 presidida por Macron Direitos de autor  AP PHOTO
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De Maria Tadeo
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Macron considerou a cimeira do G7 “objetivamente bem-sucedida”, depois de os líderes acordarem questões-chave, da Ucrânia e do Irão aos minerais críticos. Responsáveis europeus apontam maior convergência com Washington, mas a diplomacia volátil de Trump continua a ensombrar relações transatlânticas.

Em palco, o presidente francês irradiava satisfação.

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À medida que a cimeira do G7 chegava ao fim, esta quarta-feira, após três dias de diplomacia intensa, Emmanuel Macron saudou aquilo que descreveu como um encontro "objetivamente bem-sucedido", apontando para uma declaração conjunta subscrita por todos os líderes, incluindo o presidente norte-americano, Donald Trump.

Nas semanas que antecederam a reunião, multiplicaram-se as especulações de que o presidente Trump poderia não comparecer à cimeira ou partir mais cedo.

Os diplomatas franceses receavam igualmente confrontos, falhas diplomáticas e uma falta de unidade que poderia ter tornado o formato G7 irrelevante no palco internacional.

Um ano antes, no Canadá, Trump abandonara a cimeira antecipadamente, quando rebentou a guerra entre Israel e o Irão. Esse G7 no Canadá também não conseguira produzir uma posição comum sobre questões-chave, enquanto as tarifas alfandegárias dos Estados Unidos contra aliados aumentaram a incerteza e deixaram os parceiros da UE inquietos.

Desta vez, os diplomatas franceses destacaram uma cimeira que produziu o resultado que esperavam. Macron foi mais longe e disse aos jornalistas, em conferência de imprensa após a reunião, que o encontro de Évian marcou um ponto de viragem.

"Isto é uma mudança real em relação aos últimos meses, não apenas da parte dos europeus, mas de todos os membros do G7", disse aos jornalistas.

Nas primeiras horas de quarta-feira, os líderes acordaram uma declaração conjunta em que afirmam estar "unidos no nosso apoio inabalável à Ucrânia na defesa da sua liberdade, soberania e integridade territorial".

O comunicado do G7 prometeu ainda sanções mais duras sobre a energia russa, respondendo a uma exigência central de responsáveis europeus e ucranianos que procuram aumentar a pressão sobre Vladimir Putin. Fontes disseram à Euronews que a medida representa um "verdadeiro momento de convergência" entre a administração norte-americana e os europeus.

"Esta cimeira de Évian representa uma mudança muito profunda de abordagem, uma vontade, por parte dos Estados Unidos, de trabalhar com os europeus em apoio da Ucrânia", afirmou Macron na conferência de imprensa no final da cimeira.

Europa aposta numa ofensiva de charme para defender os seus interesses

Para os europeus, que receavam ficar de fora das negociações sobre o futuro da paz no continente enquanto Trump procurava um contacto direto com Putin, o lugar à mesa parece agora firmemente assegurado.

O impulso vindo do G7 também legitima a estratégia de dupla via: manter uma estreita articulação com Washington e, ao mesmo tempo, reforçar o apoio diplomático, militar e financeiro próprio à Ucrânia.

Macron alinhou com essa leitura, afirmando que os europeus se reorganizaram depois de os Estados Unidos terem iniciado negociações com Putin, estendendo a "mão" a Moscovo, apenas para chegar à mesma conclusão: a de que a Rússia não demonstra uma vontade séria de procurar a paz e de que a Ucrânia está a resistir muito melhor do que "alguns tinham imaginado".

Fontes europeias disseram à Euronews que a mensagem terá feito eco em Trump, que indicou que os Estados Unidos poderão voltar a impor sanções à energia russa, ainda que sem avançar qualquer calendário.

Embora os europeus tenham saudado também uma sessão de trabalho produtiva sobre a Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelensky não conseguiu garantir uma reunião bilateral com Trump, limitando-se a uma breve conversa à margem de uma discussão em grupo.

À medida que se intensificam os esforços para lançar conversações de paz, um outro responsável da União Europeia disse à Euronews que o presidente do Conselho, António Costa, que representa os 27 Estados-membros, testou discretamente canais diplomáticos para avaliar se seria possível estabelecer uma linha de comunicação com o Kremlin. Kiev tem instado os europeus a serem mais ativos nas negociações.

O responsável ressalvou, no entanto, que "nada foi discutido em termos de conteúdo" e sublinhou que a UE não se vê como mediadora, mas como apoiadora da Ucrânia. O tema deverá ser debatido na cimeira de líderes europeus de quinta-feira, com a presença do presidente Zelenskyy.

Quando os líderes começaram a deixar o Hotel Royal, onde passaram horas em reuniões, os europeus pareciam ter encontrado uma fórmula que funciona, pelo menos por agora e pelo menos em Évian: envolvimento, diplomacia e contactos estratégicos para defender os seus próprios interesses.

Enquanto os europeus insistiam na questão ucraniana, acolheram também com agrado o acordo de Trump com o Irão para pôr fim à guerra, apesar de subsistirem sérias dúvidas sobre o programa nuclear de Teerão. Responsáveis europeus reconhecem que o acordo não está isento de riscos.

Ainda assim, entre os aliados prevalecia a sensação de que o resultado oferecia uma saída para cenários ainda piores: um acordo que poderá aliviar a pressão sobre os mercados energéticos, recentrar a atenção na Ucrânia e ajudar a travar ações militares israelitas que alguns europeus consideram excessivas em países vizinhos, como o Líbano.

"As posições aproximaram-se neste ponto", afirmou um diplomata.

Já Trump seguiu depois para Versalhes, o palácio que foi residência de Luís XIV, o Rei-Sol, para um jantar que assinalou 250 anos de amizade franco-americana.

Questionado se o faustoso banquete não corria o risco de ir longe demais para agradar a Trump, Macron respondeu que o palácio sempre foi, e continua a ser, um instrumento de diplomacia.

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