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Reino Unido condena sino-britânicos por espiar dissidentes de Hong Kong no exílio

Bandeiras da China e do Reino Unido durante o Diálogo Energético China-Reino Unido, em Pequim, 17 de março de 2025
Bandeiras da China e do Reino Unido durante o Diálogo Energético China–Reino Unido em Pequim, 17 de março de 2025 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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A abrangente Lei de Segurança Nacional, que restringiu severamente as liberdades em Hong Kong, contribuiu para anos de relações tensas entre Pequim e Londres.

Um tribunal britânico condenou, esta quinta-feira, a penas de prisão dois cidadãos com dupla nacionalidade chinesa e britânica, após terem sido considerados culpados de espionagem contra dissidentes de Hong Kong no Reino Unido em nome da China.

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O antigo responsável da agência britânica de controlo fronteiriço Border Force, Peter Wai, de 40 anos, foi condenado a 10 anos de prisão e o ex-polícia de Hong Kong Bill Yuen, de 65 anos, recebeu uma pena de oito anos por realizarem "policiamento clandestino" em território britânico.

Ao ditar a sentença de Yuen e Wai no tribunal de Old Bailey, em Londres, a juíza Bobbie Cheema-Grubb afirmou que as suas ações foram "deliberadas, concertadas e graves".

Tinham causado um dano "real e significativo", deixando as pessoas visadas com medo e angustiadas, acrescentou a juíza.

Ambos foram condenados em maio por auxiliarem um serviço de informações estrangeiro ao abrigo das leis de segurança nacional, após um julgamento de dois meses.

Wai, que trabalhava na agência de controlo de imigração e alfândega Border Force do Reino Unido, depois de ter servido anteriormente na polícia britânica e na Marinha Real, foi igualmente condenado por má conduta em cargo público.

Chi Leung (Peter) Wai abandona o tribunal de Old Bailey, em Londres, 24 de maio de 2024
Chi Leung (Peter) Wai abandona o tribunal de Old Bailey, em Londres, 24 de maio de 2024 AP Photo

Segundo a acusação, Wai consultou o sistema informático do Ministério do Interior para procurar pessoas de interesse para as autoridades de Hong Kong.

O tribunal ouviu ainda que Wai recolhia informações por ordem de Yuen, então diretor sénior do Hong Kong Economic and Trade Office (HKETO), que representa o governo de Hong Kong em Londres.

"Responsabilizar a China"

O duo visou dissidentes de Hong Kong e manifestantes pró-democracia a viver no Reino Unido, dedicando "atenção especial" a políticos, incluindo o destacado dirigente conservador da oposição Iain Duncan Smith.

De acordo com a investigação, os homens realizaram recolha de informações, vigilância e atos de engano, e numa das operações chegaram a tirar fotografias ao conhecido ativista Nathan Law.

As atividades coincidiram com a decisão das autoridades de Hong Kong de oferecerem recompensas de cerca de 100 mil libras (115 406 euros) por informações que permitissem identificar vários ativistas radicados no Reino Unido, entre eles Law.

Manifestantes erguem as lanternas dos telemóveis e as mãos para simbolizar as cinco exigências do movimento pró-democracia em Hong Kong, 23 de dezembro de 2019
Manifestantes erguem as lanternas dos telemóveis e as mãos para simbolizar as cinco exigências do movimento pró-democracia em Hong Kong, 23 de dezembro de 2019 AP Photo

Dezenas de milhares de pessoas, incluindo ativistas pró-democracia procurados pelas autoridades chinesas, mudaram-se para o Reino Unido desde que Hong Kong aprovou uma lei de segurança nacional em meados de 2020.

A ampla Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, que restringiu fortemente as liberdades na antiga colónia britânica, contribuiu para anos de relações tensas, que se deterioraram ainda mais à medida que Londres e Pequim trocavam acusações de espionagem.

O atual governo trabalhista britânico procurou recompor as relações, mas enfrentou oposição interna em alguns setores, em particular depois de aprovar planos controversos para uma nova mega-embaixada chinesa em Londres.

A ministra da Segurança, Angela Eagle, afirmou que as penas transmitem uma mensagem clara de que o Reino Unido não irá "tolerar que ninguém viole as nossas leis e comprometa a nossa segurança para ajudar um Estado estrangeiro".

"Continuaremos a responsabilizar a China e a agir contra tudo o que coloque em risco a segurança das pessoas no nosso país", acrescentou, em comunicado.

Isto inclui a utilização, pela Polícia de Hong Kong, de mandados de detenção e recompensas, "que encorajam comportamentos ilegais em território britânico", acrescentou.

Outras fontes • AFP

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