Pax Silica: que benefícios traz à Grécia e que planos de investimento inclui a iniciativa?
A Grécia aderiu oficialmente à iniciativa Pax Silica, promovida pelos Estados Unidos, que visa reforçar a cooperação nos domínios da inteligência artificial e da energia, bem como da segurança das cadeias de abastecimento de semicondutores e minerais críticos.
A respetiva declaração foi assinada na tarde de terça-feira, no Departamento de Estado, pelo embaixador da Grécia em Washington, Antonis Alexandridis, e pelo subsecretário de Estado dos EUA responsável pelo Crescimento Económico, Energia e Ambiente, Jacob Helberg.
A Pax Silica é apresentada como uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos que procura definir cadeias de abastecimento mais seguras e resilientes em setores tecnológicos críticos.
No centro estão os semicondutores e os minerais críticos, com o objetivo de reduzir a dependência dos países ocidentais em relação à China.
Além da Grécia, aderiram à Pax Silica a Comissão Europeia, a Alemanha e os Países Baixos.
A iniciativa conta já com a participação do Japão, Coreia do Sul, Singapura, Austrália, Israel, Reino Unido, Catar, Emirados Árabes Unidos, Suécia, Finlândia e Índia.
A adesão da Grécia surge na sequência da "declaração de Segurança Económica" que o país assinou com os Estados Unidos em novembro passado, durante a cimeira energética P-Tec, no Zappeion Megaro. Essa declaração serviu mais tarde de base para a conceção da Pax Silica.
Do lado grego, a participação na Pax Silica é vista como um passo que reforça a cooperação com os Estados Unidos em áreas ligadas à segurança económica e nacional.
Neste contexto, a adesão à iniciativa permite à Grécia participar no planeamento norte-americano para a resiliência das cadeias de abastecimento, numa altura em que os semicondutores, os minerais críticos e as infraestruturas digitais ganham crescente importância geopolítica.
Em Atenas considera-se também que a participação na Pax Silica pode melhorar o acesso do país a minerais críticos, tidos como essenciais para a transição verde e digital.
Em paralelo, o recurso a tecnologia norte-americana avançada e fiável, tanto em termos de hardware como de software, é associado, do lado grego, ao reforço da cibersegurança das infraestruturas nacionais.
No interesse grego pela iniciativa incluem-se projetos de investimento e infraestruturas ligados a tecnologias de ponta, como o centro de dados da DEI em Kozani, com capacidade de 300 MW numa primeira fase e em parceria com um grande grupo tecnológico norte-americano que fornece infraestruturas e serviços de cloud, bem como o supercomputador DAEDALOS em Lavrio, que irá operar com equipamento da norte-americana Nvidia.
Nesta mesma lógica, estes projetos podem contribuir para aumentar a capacidade de cálculo disponível para grandes programas de investigação e criar condições para novos investimentos em alta tecnologia.
A primeira cimeira da Pax Silica está agendada para 25 e 26 de junho, em Washington, com a participação de representantes dos países envolvidos na iniciativa, bem como de empresas da área da inteligência artificial e das tecnologias de ponta.