Desembolso de 3,2 mil milhões de euros vai ajudar a cobrir as necessidades financeiras e orçamentais de Kiev. Preveem-se, nos próximos dias, um segundo pagamento de cerca de 6 mil milhões, destinado à produção de drones.
A Ucrânia recebeu 3,2 mil milhões de euros, o primeiro desembolso do empréstimo de apoio de 90 mil milhões de euros da União Europeia, anunciou Ursula von der Leyen.
Os 3,2 mil milhões de euros vão ajudar a cobrir as lacunas orçamentais de Kiev e a garantir a estabilidade financeira.
Espera-se que, nos próximos dias, seja anunciado um segundo desembolso, dedicado à produção de drones e no valor de cerca de 6 mil milhões de euros.
A notícia surge numa altura em que a Ucrânia ganha novo ímpeto no campo de batalha contra as tropas russas e a máquina de guerra de Moscovo dá sinais crescentes de desgaste.
“Hoje estamos a transferir a primeira tranche deste empréstimo, cara Yulia (Svyrydenko), são exatamente 3,2 mil milhões de euros em assistência macrofinanceira”, disse na quinta-feira a presidente da Comissão Europeia, dirigindo-se à primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, na Conferência sobre a Reconstrução da Ucrânia, em Gdańsk, na Polónia.
“Isto é, de facto, solidariedade em ação. Mostra que o apoio da Europa à Ucrânia veio para ficar”, acrescentou von der Leyen.
O anúncio marca um ponto de viragem após seis meses de luta política para pôr o empréstimo em marcha.
Os 27 líderes da UE acordaram o pacote de ajuda extraordinária em dezembro, depois de uma proposta inovadora para utilizar os ativos imobilizados da Rússia ter fracassado à última da hora.
Como alternativa, optaram por criar o empréstimo de 90 mil milhões de euros através de dívida conjunta. A Hungria, a Eslováquia e a Chéquia negociaram uma isenção deste mecanismo.
Bruxelas acelerou os preparativos técnicos e jurídicos para iniciar os desembolsos o mais depressa possível e impedir que o governo, com falta de liquidez, em Kiev entrasse em incumprimento.
Mas, no final de fevereiro, quando a invasão em grande escala da Rússia se preparava para completar quatro anos, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, surpreendeu os homólogos ao impor um veto súbito ao último ato legislativo, devido a um litígio não relacionado com a Ucrânia, envolvendo o oleoduto Druzhba.
O veto desencadeou uma troca amarga de recriminações entre Budapeste e Kiev, com Bruxelas apanhada no meio. O impasse só foi ultrapassado no final de abril, depois de Orbán ter sofrido uma pesada derrota nas eleições legislativas húngaras.
Seis meses após a cimeira crucial de dezembro, a UE está finalmente em condições de iniciar a transferência de fundos.
Os 3,2 mil milhões de euros representam o início de uma série de pagamentos que serão efetuados de forma gradual até ao final do ano. Para 2026, Bruxelas reservou 45 mil milhões de euros, dos quais 16,7 mil milhões serão destinados a apoio financeiro e 28,3 mil milhões a apoio militar.
Os pagamentos ficarão condicionados a reformas em Kiev e qualquer recuo na luta contra a corrupção poderá resultar na suspensão temporária da ajuda.
É importante salientar que o pilar militar do empréstimo estará sujeito a condições para garantir que o armamento e as munições adquiridos são de fabrico europeu.
No entanto, o próximo pagamento de 5 mil milhões de euros ficará isento desta obrigação, visto a Ucrânia necessitar de adquirir determinados componentes à China para produzir os seus drones de baixo custo.
Kiev está também à procura de formas de adquirir sistemas de defesa antiaérea Patriot, fabricados nos Estados Unidos da América. Não está claro se o empréstimo europeu será utilizado para esse efeito numa fase posterior.
Os restantes 45 mil milhões de euros estão reservados para 2027 e cobrirão dois terços das necessidades de financiamento da Ucrânia. Espera-se que os aliados ocidentais cubram o terço restante.
"Continuamos a apelar a todos os nossos parceiros para que mantenham o seu apoio, pois uma Ucrânia forte e independente é do interesse de todos nós", afirmou von der Leyen na quinta-feira.
"A nossa ambição não é apenas ajudar a Ucrânia a resistir, mas também a crescer e a prosperar como país livre e europeu."
Os 24 Estados-membros que participam no empréstimo conjunto pagarão cerca de 3 mil milhões de euros anuais em juros.
A Ucrânia só será chamada a devolver o empréstimo de 90 mil milhões de euros se a Rússia algum dia aceitar pagar indemnizações de guerra, algo que Moscovo exclui categoricamente.
A Comissão insiste que mantém o direito de utilizar os 210 mil milhões de euros em ativos imobilizados do Banco Central da Rússia, na ausência de indemnizações.