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Bruxelas diz que disputa entre Ucrânia e Polónia é contraproducente

Karol Nawrocki, da Polónia, e Volodymyr Zelenskyy, da Ucrânia
Karol Nawrocki, da Polónia, e Volodymyr Zelenskyy, da Ucrânia Direitos de autor  Czarek Sokolowski/Copyright 2025 The AP. All rights reserved
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De Jorge Liboreiro
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Bruxelas lança aviso duro à medida que aumentam as tensões entre os presidentes polaco e ucraniano. "Só há um observador satisfeito: o agressor", afirma a Comissão Europeia.

Uma disputa pública crescente entre os presidentes da Polónia e da Ucrânia, Karol Nawrocki e Volodymyr Zelenskyy, está a comprometer a unidade política e a servir diretamente os interesses da Rússia, advertiu a Comissão Europeia.

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"Se há algo que aprendemos nos últimos cinco anos a enfrentar nesta guerra não provocada na Ucrânia é que a unidade é o nosso instrumento mais forte e que tudo o que fragiliza essa unidade, incluindo disputas, neste caso entre um Estado‑membro e a Ucrânia, não é útil», afirmou Paula Pinho, porta‑voz principal da Comissão, aos jornalistas, na terça‑feira.

"Há apenas um observador satisfeito neste tipo de situação, e é o agressor da Ucrânia, por isso não devemos cair na sua estratégia". Desde o fim de maio que as tensões aumentaram rapidamente, depois de Zelenskyy ter assinado um decreto que dá a uma unidade militar o nome do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), um movimento guerrilheiro descentralizado criado durante a Segunda Guerra Mundial.

Na Ucrânia, o UPA é admirado pela resistência contra a União Soviética e pela luta por um Estado independente. Já na Polónia, é considerado responsável pelos massacres de polacos na Volínia e na Galícia Oriental, que Varsóvia classifica como genocídio.

Em resposta à decisão, o presidente nacionalista da Polónia, Karol Nawrocki, anunciouna sexta‑feira que irá retirar a Zelenskyy a Ordem da Águia Branca, a mais alta distinção do país, descrevendo o gesto como um «sinal de alerta» dirigido ao seu homólogo.

"Há limites que não podem ser ultrapassados nas relações polaco‑ucranianas", declarou. No dia seguinte, Zelenskyy publicou nas redes sociais uma fotografia que parecia mostrar a condecoração a ser enviada de volta para Varsóvia. Outras figuras ucranianas devolveram as suas distinções polacas numa demonstração de solidariedade.

"Um símbolo destes exige não apenas mérito, mas também respeito pelos valores que estão na base da nossa comunidade", afirmou Zelenskyy.

O primeiro‑ministro polaco, Donald Tusk, que tem chocado regularmente com Nawrocki, classificou o confronto como um "erro estratégico que vai sair caro a ambos os lados".

A amarga disputa surge poucos dias antes de a Polónia acolher a Conferência para a Recuperação da Ucrânia, em Gdańsk. Zelenskyy, cuja presença era esperada, vai faltar à cerimónia e a primeira‑ministra Yuliia Svyrydenko chefiará a delegação em seu lugar.

Na terça‑feira, a Comissão confirmou que a presidente Ursula von der Leyen participará na conferência de recuperação como previsto inicialmente e ofereceu‑se para mediar entre as partes em conflito. "Estamos preparados para fazer tudo o que for necessário para garantir que isto não impede a realização de uma boa conferência em Gdańsk, no final desta semana", disse Pinho.

«Confiamos nas conversações em curso entre a Polónia e a Ucrânia e acreditamos que a situação será resolvida.»

É a segunda vez este ano que o executivo se vê obrigado a agir com cautela entre um Estado‑membro e Kiev. No início do ano, a Comissão ficou envolvida numa disputa amarga entre a Hungria e a Ucrânia em torno do oleoduto Druzhba.

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