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“Não podemos destruir a nossa indústria por causa das alterações climáticas”, diz Manfred Weber

Manfred Weber é presidente do Partido Popular Europeu desde 2014
Manfred Weber é presidente do Partido Popular Europeu desde 2014 Direitos de autor  Euronews
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De Vincenzo Genovese
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Manfred Weber, líder do PPE, disse à Euronews que a política climática da UE deve ser "razoável para as empresas" e contestou o plano espanhol de regularizar em massa migrantes sem documentos.

A União Europeia não pode "matar a sua indústria por causa das alterações climáticas", afirmou Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu, ao principal programa da Euronews Europe Today, numa altura em que uma onda de calor extrema que atravessa a Europa já causou cerca de 1300 mortos e reacendeu o debate sobre as políticas climáticas do bloco.

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Weber lidera o Partido Popular Europeu, a maior força política do continente, que nos últimos anos recuou em relação a algumas partes do Pacto Ecológico Europeu — um conjunto de políticas concebido para alcançar emissões líquidas nulas de gases com efeito de estufa em toda a União Europeia até 2050 — numa tentativa de dar prioridade à competitividade industrial.

"O que pedimos é bom senso no plano económico. Precisamos, por isso, de um entendimento comum para equilibrar as coisas", afirmou, sublinhando o papel do seu partido na definição do Pacto Ecológico Europeu durante a legislatura anterior.

Ao defender que a política climática tem de encontrar um equilíbrio com as realidades económicas, Weber aplica o mesmo raciocínio ao consumo de energia no dia a dia. Para ele, usar ar condicionado é uma necessidade, embora, quando alimentado por combustíveis fósseis, contribua para as emissões de gases com efeito de estufa, tendo-se tornado num ponto sensível no debate sobre a transição climática da UE.

"Temos a grande vantagem de poder usar facilmente energia solar para o ar condicionado", afirmou.

Quanto à migração, Weber criticou duramente o vasto plano de Espanha para regularizar migrantes indocumentados no país, que já recebeu mais de um milhão de candidaturas.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem defendido que a imigração é essencial para sustentar a economia do país numa altura em que a população envelhece, avisando que, sem ela, Espanha poderá perder 19% do seu PIB até 2050.

Contudo, Weber considera que esta regularização repentina constitui um problema para os restantes países da UE.

"Esperaria que os líderes também falassem deste tipo de legalização em massa, que abrange um milhão de pessoas", afirmou, alegando que os migrantes regularizados teriam liberdade para circular por outros países da UE, o que teria impacto na sociedade.

"Um milhão de pessoas legalizadas em poucas semanas não é um procedimento normal", declarou.

O líder do PPE defendeu também a legislação da União Europeia que permite a criação de centros de retorno para migrantes em situação irregular fora da UE, recentemente aprovada pelo Parlamento Europeu, apesar das críticas por potenciais violações dos direitos humanos.

No entanto, não especificou se devem ou não ser utilizados fundos da UE para financiar estes centros nem em que países terceiros deveriam ser instalados. "Temos parceiros em África e no Médio Oriente com quem podemos trabalhar. Mas agora cabe aos Estados-membros", afirmou.

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