Num comunicado, um porta-voz da Associated Newspapers classificou o desfecho como "uma vitória esmagadora para o Daily Mail e os seus jornalistas" e "uma magnífica validação do jornalismo do diário".
O Tribunal Superior britânico rejeitou na terça-feira o processo por violação de privacidade intentado pelo príncipe Harry contra a Associated Newspapers, proprietária do jornal Daily Mail.
Harry e outras seis pessoas, entre as quais o cantor Elton John, tinham avançado com a ação contra a editora, alegando que cada um deles foi vítima de recolha ilícita de informações para artigos.
Acusaram a Associated, que nega qualquer irregularidade, de obter dados privados e confidenciais através de técnicas como escutas telefónicas e recurso a detetives privados.
Num acórdão escrito publicado na terça-feira, o juiz Nicklin afirmou que os queixosos “não conseguiram provar as acusações formuladas” e que o tribunal não podia simplesmente concluir que a informação tinha sido obtida de forma ilícita se ainda existia uma forma legal de a ter obtido.
“A suspeita, mesmo quando compreensível, não era suficiente. Os queixosos tinham de provar que a informação contestada tinha sido obtida ilegalmente”, lê-se na decisão. “O tribunal rejeitou o argumento de que, só porque a informação era privada e porque a Associated não conseguia explicar de forma concreta como tinha sido obtida, o artigo em causa tinha necessariamente sido obtido de forma ilícita”.
Nicklin referiu que os jornalistas da Associated apresentaram também “explicações legais para a origem dos artigos e incidentes contestados”. O juiz rejeitou ainda as alegações de que três altos responsáveis da Associated teriam mentido nos depoimentos prestados ao inquérito Leveson, entre 2011 e 2012, sobre a cultura, práticas e ética da imprensa britânica.
Numa declaração, um porta-voz da Associated Newspapers classificou a decisão como uma “vitória esmagadora para o Daily Mail e os seus jornalistas” e uma “magnífica validação do jornalismo do título”.
Acrescentou que as alegações de escutas em carros e casas, escutas telefónicas e acesso ilícito a contas bancárias eram “escandalosas” e “absurdas” e que “nunca foi apresentada qualquer prova credível”.
A batalha judicial custou à Associated mais de 50 milhões de libras em honorários legais, montante que a empresa vai procurar recuperar, acrescentou o porta-voz.
Segundo a comunicação social britânica, o príncipe Harry descreveu entretanto a decisão como “totalmente injustificada” e um “branqueamento”.
“É um branqueamento completo e óbvio, mas infelizmente não totalmente inesperado”, disse Harry em comunicado conjunto com Doreen Lawrence, uma das outras queixosas no processo.