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Europa regista 10 mil mortes em excesso durante ondas de calor em junho, revelam novos dados

Uma pessoa refresca-se na fonte do Trocadero, perto da Torre Eiffel, durante uma onda de calor em Paris, 24 de junho de 2026
Pessoa refresca-se na fonte do Trocadéro, junto à Torre Eiffel, durante uma onda de calor em Paris, 24 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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As ondas de calor de junho teriam sido “praticamente impossíveis” sem as alterações climáticas, afirmou o grupo de cientistas World Weather Attribution.

Novos dados revelam que os países da Europa registaram mais de 10 mil mortes em excesso durante as ondas de calor extremas que assolaram o oeste do continente no final de junho.

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A grande maioria das mortes, mais de 9 mil, foi registada entre pessoas com 65 anos ou mais, de acordo com dados publicados pela EuroMOMO, o observatório europeu de mortalidade apoiado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde.

As ondas de calor na Europa bateram recordes de temperatura em vários países e provocaram milhares de mortes em excesso, segundo estimativas da Bélgica, Reino Unido, França e Espanha.

As ondas de calor de junho teriam sido "praticamente impossíveis" sem as alterações climáticas, segundo o grupo de cientistas World Weather Attribution.

Inglaterra: ondas de calor causam mais de 2 700 mortes

Entretanto, pelo menos 2.700 pessoas morreram em Inglaterra e no País de Gales devido às ondas de calor que atingiram a região em maio e junho, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira.

Especialistas do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene and Tropical Medicine recorreram a dados meteorológicos, modelos climáticos e estudos sobre excesso de mortalidade em ondas de calor para chegar a esta estimativa.

O Reino Unido e grande parte da Europa enfrentaram duas ondas de calor sem precedentes em maio e junho, com recordes mensais de 35,1°C e 37,7°C, respetivamente, em Inglaterra.

"Foram ondas de calor extremas para o Reino Unido e para todas as partes da Europa ocidental, particularmente excecionais pela altura em que ocorreram e por terem surgido tão cedo no ano", afirmou Mark McCarthy, responsável científico da equipa de atribuição climática do Met Office, citado no estudo.

Uma mulher bebe água em Londres perante a previsão de uma onda de calor, 23 de junho de 2026
Uma mulher bebe água em Londres perante a previsão de uma onda de calor, 23 de junho de 2026 AP Photo

A Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) deverá publicar nas próximas semanas a sua estimativa oficial de mortes relacionadas com o calor, com base em registos de óbitos das recentes ondas de calor.

Os modelos usados no estudo divulgado na segunda-feira "ajudam a ilustrar a dimensão do risco associado ao calor extremo e a ameaça crescente que as alterações climáticas representam para o nosso bem-estar", explicou Lea Berrang Ford, diretora do Centro para o Clima e Segurança em Saúde da UKHSA.

O estudo estima que cerca de 550 pessoas morreram devido ao calor entre 21 e 29 de maio e que quase 2.200 morreram entre 18 e 28 de junho, em Inglaterra e no País de Gales.

Os autores sublinham o papel das alterações climáticas, que estão a tornar as ondas de calor mais intensas e mais frequentes.

Estimam que as temperaturas máximas diurnas foram entre 3°C e 4°C superiores ao que teriam sido sem o aquecimento global.

O Comité das Alterações Climáticas (CCC), organismo responsável por aconselhar o governo sobre o clima, avisou no ano passado que o Reino Unido "não estava preparado" para lidar com as consequências das alterações climáticas.

Num relatório publicado em maio, estimou que 92 % das habitações britânicas podem tornar-se demasiado quentes até 2050 e recomendou que o governo fixe limites máximos de temperatura nos locais de trabalho, além de investir em sistemas de ar condicionado em edifícios públicos como hospitais e escolas.

Outras fontes • AFP

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