A criação da coligação antimíssil surge perante a ameaça crescente sobre a Europa. A declaração afirma que vai atuar de forma "puramente defensiva".
Nove países europeus e a Ucrânia anunciaram a criação de uma coligação para desenvolver capacidades antibalísticas da Europa e proteger o continente.
"Consideramos que a proteção da Europa exige uma solução global, assente numa arquitetura integrada de defesa antimíssil, capaz de dissuadir e neutralizar futuras ameaças de mísseis", lê-se numa declaração conjunta da Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Ucrânia e Reino Unido.
"Perante a ameaça balística, fazemos uma escolha clara: proteger a Ucrânia, reforçar a nossa segurança coletiva e construir a Europa da defesa", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron, na rede X.
A declaração surge à margem da Coligação dos Interessados, que reúne em Paris, entre esta segunda e terça-feira, pelo menos 25 chefes de Estado ou de governo para debater o apoio à Ucrânia e o aumento da pressão sobre a Rússia.
Antes da reunião, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, encontrou-se com Macron e afirmou que os dois "falaram em detalhe sobre a situação na frente e sobre as necessidades da Ucrânia na proteção dos civis contra os ataques russos".
"É importante fortalecer a Ucrânia, reforçar as nossas defesas aéreas e acelerar o desenvolvimento das capacidades antibalísticas da Europa", afirmou Zelenskyy, acrescentando que "a França dispõe precisamente das capacidades e das tecnologias avançadas necessárias para ajudar".
Segundo a presidência francesa, esta cimeira, a decorrer em Paris e coorganizada com o Reino Unido, vai defender um cessar-fogo e a retoma das negociações de paz.
Reunidos no Hôtel des Invalides, os aliados pretendem "reforçar" um renovado sentido de unidade e cooperação em apoio à Ucrânia, de acordo com a presidência francesa.
Estes compromissos baseiam-se nas promessas feitas recentemente na cimeira do G7 em Évian e na cimeira da NATO em Ancara, onde os aliados acordaram enviar 70 mil milhões de euros em ajuda militar para Kiev este ano.
A coligação foi, entretanto, alargada para 37 países, que se reúnem presencialmente e por videoconferência. Dois dos novos membros, a Moldávia e a Macedónia do Norte, devem participar pela primeira vez neste encontro.
O Kremlin desvalorizou, a cimeira, classificando-a como uma "coligação de belicistas" em que os líderes "não querem a paz".
França: Europa defende a liberdade a qualquer custo
A reunião realiza-se na véspera do feriado nacional francês, o Dia da Bastilha.
Num discurso às forças armadas, antes da reunião dos aliados da Ucrânia, Macron disse que a Europa vai defender a liberdade e os direitos a qualquer custo.
"A mensagem que enviamos ao mundo é a seguinte: sim, a paz é o nosso objetivo. Sim, prezamos a liberdade e os direitos. E sim, estamos prontos para combater para os defender sempre, mesmo ao preço de sangue, se necessário", declarou o presidente francês.
"Daqui a alguns anos, teremos construído novas capacidades na Europa e teremos desencadeado um despertar estratégico", acrescentou Macron, sublinhando que "a Europa se está a tornar uma potência" que "está pronta para se defender".
Zelenskyy está em Paris entre segunda e terça-feira. Todos os líderes são esperados no desfile militar nos Campos Elísios, no centro da capital francesa, no dia nacional.