Os líderes de cerca de 35 países reúnem-se em Paris na terça-feira para discutir garantias de segurança para a Ucrânia, com Kiev ansiosa por obter compromissos concretos caso a Rússia volte a atacar.
Os líderes de cerca de 35 países reúnem-se em Paris, na terça-feira, para discutir as garantias de segurança para a Ucrânia, uma componente crucial de qualquer futuro acordo de paz que ponha fim à invasão total da Rússia.
O presidente francês Emmanuel Macron afirmou, no seu discurso de Ano Novo, que se espera que sejam assumidos "compromissos firmes" para proteger a Ucrânia contra qualquer agressão russa após a conclusão de qualquer acordo.
"No dia 6 de janeiro, em Paris, muitos Estados europeus e aliados irão assumir compromissos concretos para proteger a Ucrânia e garantir uma paz justa e duradoura no nosso continente europeu", afirmou Macron.
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o conselheiro de Donald Trump, Jared Kushner, deverão participar numa cimeira de líderes em Paris.
A 3 de janeiro, os conselheiros de segurança nacional europeus reuniram-se em Kiev para discutir um potencial plano de paz para a Ucrânia.
Após essas conversações, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que a Ucrânia está a preparar-se tanto para a possibilidade de um acordo de paz como para a necessidade de continuar a defender o país contra a agressão russa.
O que está na ordem do dia em Paris?
O debate sobre as garantias de segurança retomará a declaração conjunta divulgada por um grupo de líderes europeus após uma reunião em Berlim no mês passado. Os dirigentes centrar-se-ão em compromissos a longo prazo para a Ucrânia, com o objetivo de impedir a Rússia de qualquer ataque ou invasão no futuro.
Juntamente com o apoio militar e político sustentado do Ocidente, estes compromissos são considerados por Kiev e Washington como uma parte crucial de qualquer possível acordo de paz.
O compromisso, que suscitou comparações com o artigo 5º da NATO relativo à defesa coletiva, é considerado fundamental para convencer Kiev a abandonar a sua aspiração constitucionalmente consagrada de aderir à aliança transatlântica em troca de uma dissuasão credível e robusta.
A garantia semelhante à do artigo 5.º teria grandes consequências para os governos europeus e exigiria a aprovação dos seus parlamentos nacionais, um processo que implica sempre riscos. Uma aprovação pelo Congresso dos EUA poderia ajudar a aliviar as reservas que ainda subsistem nalguns países europeus.
Outro ponto fulcral do trabalho sobre garantias de segurança é o mecanismo para verificar potenciais violações de um futuro cessar-fogo e atribuir responsabilidades, uma vez que uma violação, uma vez identificada, pode acionar a disposição semelhante à do artigo 5. O sistema proposto prevê a utilização de alta tecnologia em toda a linha de contacto.
Outro nível de garantias de segurança é a adesão da Ucrânia à União Europeia. O atual plano de paz de 20 pontos prevê uma admissão até janeiro de 2027, o que muitos funcionários da Comissão Europeia consideram irrealista e inviável. É muito provável que a data mude e se torne uma aspiração, com a Ucrânia a entrar no bloco por fases para evitar perturbações, por exemplo, nos mercados agrícolas.
Para Kiev, a inclusão de uma data de adesão no texto final é uma prioridade máxima, uma vez que poderia ajudar a compensar a dor das concessões territoriais e facilitar um resultado positivo num eventual referendo.
A administração dos EUA afirmou repetidamente que a Europa deve assumir uma maior responsabilidade pela futura segurança da Ucrânia.
Após uma reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e Zelenskyy, na Florida, em dezembro, o presidente dos EUA sugeriu que haveria um acordo de segurança "forte" para a Ucrânia e disse que "as nações europeias estão muito envolvidas".
"Sinto que as nações europeias têm sido muito boas e estão muito empenhadas nesta reunião e em conseguir um acordo. São todos pessoas fantásticas", disse Trump.
Um dos elementos mais controversos a ser discutido em Paris é a possibilidade de enviar tropas para dentro ou para perto da Ucrânia, mas longe da linha da frente.
A Rússia afirmou que não aceita tropas de países da NATO em solo ucraniano.
Plano de paz para a Ucrânia
Após as conversações com Trump em Mar-a-Lago, o presidente ucraniano afirmou que as garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia foram "100% acordadas".
"Temos grandes conquistas, o plano de paz de 20 pontos foi acordado em 90% e as garantias de segurança entre os EUA e a Ucrânia foram acordadas a 100%", disse Zelenskyy aos jornalistas.
Zelenskyy disse que após a reunião em Paris, espera-se que os documentos sejam acordados "a nível de todos os líderes" e só depois será agendada uma reunião com Trump e os líderes europeus.
Zelenskyy também explicou aos jornalistas no chat presidencial do WhatsApp que, depois de uma reunião com Trump e os europeus, "se tudo correr passo a passo, haverá uma reunião, num formato ou noutro, com os russos".