Na quinta-feira, 15 cidades italianas estarão em alerta vermelho por calor extremo. Estafetas de entregas ao domicílio exigem parar nas horas mais quentes sem perda de salário
O anticiclone africano volta a trazer o calor tórrido a Itália, que entra na terceira vaga de calor do verão, com os termómetros prestes a aproximar-se de novos recordes.
Esta quarta-feira há sete cidades em alerta vermelho, segundo o ministério da Saúde: a Brescia, Florença, Perugia e Turim juntam-se Bolonha, Frosinone e Roma.
Número que na quinta-feira dispara para 15. Juntam-se Cagliari, Campobasso, Génova, Latina, Palermo, Pescara, Rieti e Viterbo.
A Sardenha é a região mais quente. Os 40 graus já foram atingidos, mas o pior é esperado nos próximos dias, quando nas zonas interiores se poderão aproximar dos 45. E a ilha já está a braços com vários incêndios espalhados pelo território.
Onde e por que razão os estafetas fazem greve
Para fazer face a estas condições meteorológicas difíceis e a mais uma tutela negada, os estafetas saem à rua. No topo da lista de exigências do sindicato dos trabalhadores chamados atípicos - Nidil-Cgil - está a suspensão das entregas nas horas de maior calor. Defendem que a paragem não tenha repercussões no salário: se houver obrigação de parar, esse tempo deve ser remunerado.
Ao final da tarde de quarta-feira, em algumas grandes cidades italianas começará uma greve dos estafetas da Glovo e da Deliveroo, duas das principais aplicações de entregas ao domicílio em Itália. Está também envolvida a Just Eat, cujos estafetas não aderem por já estarem mais protegidos. Em Milão e Florença a greve começa às 18 horas, em Bolonha às 16:30, e nas três cidades haverá igualmente cortejos. Os estafetas do Piemonte farão greve amanhã, quinta-feira, 16 de julho, das 10 às 17 horas.
Como as plataformas de entregas ao domicílio contornam ordens de proteção contra o calor
Muitas regiões e municípios emitiram ordens que obrigam os trabalhadores mais expostos ao calor a parar nas horas centrais do dia, entre as 12:30 e as 16:00, nos dias em que é previsto o chamado bollino rosso, ou seja, o nível máximo de alerta para as condições meteorológicas.
Nestas ordens incluem-se também os estafetas, mas os próprios diplomas preveem que os trabalhadores possam continuar a laborar nessas horas se a empresa os colocar em condições de o fazer em segurança, graças à introdução de não especificadas “medidas de redução do risco”.
Assim, as plataformas de entregas ao domicílio fornecem aos estafetas cursos de formação online sobre os riscos de trabalhar com calor e dão-lhes água e proteção solar: depois, cada um pode escolher se e quando trabalha.
A escolha, porém, não é totalmente livre, porque a remuneração dos estafetas com contratos de colaboração varia consoante o número de entregas: se deixarem de trabalhar por causa do calor não entregam, e, portanto, não ganham.
Isto não se aplica à maioria dos estafetas da Just Eat, que, pelo contrário, têm contrato e direito às tutelas dos trabalhadores por conta de outrem. Também no seu caso uma parte do pagamento está ligada ao número de entregas, mas estão protegidos por um salário à hora que lhes é devido em qualquer circunstância.
O que pedem os estafetas
Com as greves, os estafetas pedem às empresas que as ordens sejam aplicadas com bom senso e a garantia de receberem, ainda assim, os pagamentos a que renunciariam ao parar nas horas mais quentes. A greve inclui, naturalmente, as questões mais amplas do setor, como o pedido de contratar os estafetas mais assíduos.
Na quinta-feira está prevista a abertura de uma mesa nacional no ministério do Trabalho entre os sindicatos e as plataformas, que há muito mantêm um processo negocial para o reconhecimento de maiores proteções, como contratações e também a possi_bilidade de acesso a_ mecanismos de proteção social, por exemplo um regime de lay-off por motivo de calor, que garanta a continuidade do rendimento.