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Espanha propõe Yolanda Díaz para liderar Organização Internacional do Trabalho

A segunda vice-presidente e ministra do Trabalho de Espanha, Yolanda Díaz, durante o debate de investidura no Parlamento espanhol, em Madrid, em 15 de novembro de 2023.
A segunda vice-presidente e ministra do Trabalho de Espanha, Yolanda Díaz, durante o debate de investidura no Parlamento espanhol, em Madrid, em 15 de novembro de 2023. Direitos de autor  AP/Manu Fernández
Direitos de autor AP/Manu Fernández
De Maria Muñoz Morillo
Publicado a
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Se a candidatura avançar, a atual segunda vice-presidente e ministra do Trabalho tornar-se-á a primeira mulher e a primeira espanhola a liderar a agência da ONU. Ao assumir o cargo, terá de renunciar à vice-presidência do governo de Espanha.

O governo de Espanha formalizou esta quinta-feira a candidatura da segunda vice-presidente e ministra do Trabalho e da Economia Social, Yolanda Díaz, à Direção-Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com este passo, o executivo procura colocar a representação espanhola à frente do principal organismo das Nações Unidas responsável por promover o trabalho decente, a justiça social e a defesa dos direitos laborais a nível internacional.

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Fundada em 1919, a OIT tornou-se a primeira agência especializada do sistema das Nações Unidas e integra atualmente 187 Estados-membros. A instituição destaca-se pelo seu modelo de governação tripartido único, que reúne, de forma articulada, representantes de governos, organizações empresariais e sindicatos para definir normas laborais globais, sistemas de proteção social e políticas de promoção do emprego.

Equilíbrio no diálogo social como credencial

Para sustentar a proposta, a Moncloa destaca a trajetória de Díaz à frente do Ministério do Trabalho, sublinhando a sua capacidade para alcançar acordos no âmbito do diálogo social. Durante a sua liderança, foram assinados 30 acordos de concertação social entre o executivo, as organizações patronais e as estruturas sindicais.

Entre as medidas mais relevantes impulsionadas pela ministra, a nota oficial da Moncloa aponta a reforma laboral acordada com os parceiros sociais — que, segundo o comunicado, permitiu reduzir a taxa de contratos temporários a mínimos históricos e atingir recordes de inscritos na Segurança Social —, a regulação pioneira do trabalho em plataformas digitais (conhecida como Lei Rider) e o aumento contínuo do Salário Mínimo Interprofissional (SMI).

Aposta pelo trabalho decente e pelo peso de Espanha na OIT

O executivo sublinha que a apresentação desta candidatura pretende reforçar o papel da OIT face aos grandes desafios que estão a transformar o mercado de trabalho global, como a digitalização, a transição ecológica e as mudanças estruturais na economia mundial.

Sublinha-se também o compromisso histórico do país com o organismo internacional: Espanha é atualmente o Estado-membro que mais convenções da OIT ratificou à escala global, com um total de 141 acordos.

Se a votação para a direção-geral chegar a bom porto, Yolanda Díaz protagonizará um duplo marco institucional, ao tornar-se não só a primeira pessoa de nacionalidade espanhola a assumir a máxima responsabilidade na OIT, mas também a primeira mulher a liderar esta organização centenária. Se for escolhida, terá de renunciar à vice-presidência do governo de Espanha e ao Ministério do Trabalho, por serem cargos incompatíveis com a direção da OIT.

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