A ministra da Ciência afirmou que Feijóo traça um caminho cada vez mais próximo dos "governos criminosos" do nazismo, referindo-se ao pacto orçamental entre o PP e o Vox
A ministra da Ciência, Inovação e Universidades, Diana Morant, acentuou esta quarta-feira a tensão entre o governo e o Partido Popular (PP) com uma comparação que não tardou a gerar polémica.
Numa entrevista ao programa Mañaneros 360, da TVE, a dirigente socialista afirmou que Alberto Núñez Feijóo avança para um modelo cada vez mais próximo de "governos criminosos como o de Hitler". A reação do PP foi imediata: exigência de retratação e de pedido de desculpas, bem como um apelo a Pedro Sánchez para que desautorize a sua ministra.
Origem: orçamentos valencianos e pacto com o Vox
O fator que provocou a controvérsia foi o acordo orçamental que o governo valenciano, presidido por Pérez Llorca, fechou com o apoio do Vox. Morant centrou boa parte das suas críticas no conceito de "prioridade nacional" incluído nesse pacto, que, na sua opinião, introduz uma distinção entre cidadãos com mais ou menos direitos consoante a origem, no momento de aceder a serviços públicos como a saúde ou a educação.
A ministra foi mais longe e atacou também a proposta de Feijóo para endurecer o acesso à nacionalidade espanhola, chegando a afirmar que muitos intuíam que o Vox "sempre estivera dentro do PP".
A entrevista ganhou ainda outra dimensão quando Morant ligou esse debate aos insultos racistas que, segundo denunciou, têm sido dirigidos a futebolistas da seleção espanhola como Lamine Yamal. A ministra exigiu ao PP que fizesse uma condenação expressa desses ataques e foi taxativa quanto ao lado em que se coloca: "é preciso saber em que lado se está", afirmou, descrevendo o jogador blaugrana como "tão espanhol como Feijóo".
Resposta do PP
A resposta do PP chegou em poucos minutos. Na sua conta oficial na rede social X, o partido qualificou a comparação como "um limite inaceitável" e exigiu que Morant recuasse e pedisse desculpa por declarações que, defendem, só alimentam a crispação.
O porta-voz nacional do PP, Borja Sémper, foi mais longe ao falar nos "estertores" de uma formação em plena "decomposição" e ao acusar a ministra de procurar desviar a atenção, sem poupar uma farpa sobre o nível exigível a um membro do governo.
A porta-voz parlamentar Ester Muñoz também veio a público reagir e, a partir das estruturas territoriais de Madrid, Andaluzia e Galiza, a resposta foi igualmente unânime, algo que em no PP é interpretado como sinal de que o partido aprendeu com crises anteriores. A exigência final, repetida por vários dirigentes, foi a mesma: que Sánchez desautorize publicamente a sua ministra.