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França: Ministério Público de Paris investiga ingerência russa contra Attal e Philippe

Antigo primeiro-ministro francês, Gabriel Attal, durante cerimónia de homenagem nacional ao almirante Philippe de Gaulle
O antigo primeiro-ministro francês Gabriel Attal durante uma cerimónia de homenagem nacional ao almirante Philippe de Gaulle. Direitos de autor  Ludovic Marin, Pool via AP
Direitos de autor Ludovic Marin, Pool via AP
De Nathan Joubioux com AFP
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No início do mês, o Ministério Público já tinha aberto inquérito a suspeitas de ingerência russa envolvendo outro potencial candidato presidencial, Raphaël Glucksmann.

O Ministério Público de Paris anunciou esta terça-feira que abriu uma investigação, através da secção “proteção das liberdades fundamentais”, sobre suspeitas de ingerência russa que terão visado os candidatos à próxima eleição presidencial, Édouard Philippe (Horizons) e Gabriel Attal (Renaissance).

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No que respeita a este último, circularam online vídeos manipulados que utilizavam os logótipos e a identidade visual de vários meios de comunicação franceses, como o Le Figaro ou o Libération, lançando dúvidas sobre o seu estado de saúde. De acordo com algumas dessas publicações, teria sido hospitalizado, outras afirmavam que sofre de doença de Parkinson. Attal apresentou queixa a 7 de agosto por “ingerência estrangeira” “proveniente de redes russas”.

Em declarações à RTL, o antigo primeiro-ministro avisou que, se não fossem tomadas medidas, “a eleição poderia ser viciada”. Acusou ainda “a Rússia de querer roubar” a próxima presidencial.

Também Édouard Philippe foi alvo de notícias falsas sobre o seu estado de saúde. Vários sites falsos e contas nas redes sociais afirmaram, erradamente, que o antigo chefe do governo em Matignon sofria de uma forma de “demência” que o impediria de se candidatar ao Eliseu. O boato foi rapidamente desmentido pelo seu círculo próximo.

Investigadores da rede de monitorização de bots AntiBot4Navalny identificaram uma campanha ligada à Matriochka, uma operação secreta de influência e desinformação alinhada com a Rússia.

Segundo uma fonte de segurança, estas operações permaneceram pouco visíveis, mas são as primeiras, desde o início da campanha, a visarem diretamente aspirantes ao Eliseu.

Raphaël Glucksmann já visado

O Ministério Público de Paris já tinha aberto uma investigação, no início do mês, sobre os mesmos factos que terão visado outro possível candidato, Raphaël Glucksmann (Place publique). As falsas informações apontavam então à sua companheira, Léa Salamé, que “teria tentado subornar órgãos de comunicação em troca da publicação de artigos destinados a dar uma imagem positiva do marido e a promover o seu programa eleitoral”.

O eurodeputado explicou ter sido informado pelo Secretariado-Geral da Defesa e da Segurança Nacional (SGDSN) de um ataque atribuído ao grupo de propaganda Storm-1516, alegadamente ligado aos serviços de informações militares russos (GRU).

Também ele levou o caso à justiça, a 12 de agosto. “É fundamental dizer uma coisa simples: não podemos deixar a Rússia de Vladimir Putin manipular a eleição”, declarou então. “O objetivo é tornar viral uma mentira absoluta para denegrir personalidades consideradas hostis pelo regime russo.”

As suspeitas de ingerência russa em processos eleitorais não são novas. Em França, a Rússia já foi acusada de tentativas de influência, nomeadamente nas eleições legislativas antecipadas de 2024 e nas eleições municipais de 2026.

Neste último sufrágio, candidatos do partido França Insubmissa em Marselha, Toulouse e Roubaix também foram alvo de deepfakes. As suspeitas recaíram então sobre uma empresa israelita. A investigação mantém-se em curso, indicou o Ministério Público de Paris.

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