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Líderes da UE criticam funeral “chocante” de Ratko Mladić na Sérvia

Cortejo fúnebre do antigo comandante do exército sérvio bósnio Ratko Mladic, após cerimónia religiosa na igreja de São Luka, em Belgrado, Sérvia, 7 de setembro de 2026
Cortejo fúnebre do ex-comandante do exército sérvio-bósnio Ratko Mladic, após serviço religioso na Igreja de São Lucas, em Belgrado, Sérvia, a 7 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Darko Vojinovic
Direitos de autor AP Photo/Darko Vojinovic
De Luca Bertuzzi
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Von der Leyen e Costa consideram “chocante” o funeral de Ratko Mladić em Belgrado, com altos responsáveis sérvios presentes com honras militares, complicando a candidatura da Sérvia à UE num futuro previsível.

Os líderes das duas principais instituições da UE condenaram a presença de altos responsáveis sérvios no funeral do criminoso de guerra condenado, numa declaração conjunta publicada em simultâneo na rede social X na manhã de terça-feira.

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“As imagens do funeral de Ratko Mladić ontem em Belgrado foram chocantes. Ratko Mladić era um criminoso de guerra condenado. Foi responsável por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, escreveram na rede social X a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Ratko Mladić, conhecido como o Carniceiro da Bósnia, morreu no final de agosto, aos 84 anos, num centro de detenção das Nações Unidas em Haia. O sérvio da Bósnia serviu no Exército da República Srpska com a patente de coronel-general durante as guerras da Jugoslávia.

Após a sua morte, o corpo foi transportado para Belgrado num avião de Estado, foi recebido com guarda de honra pelo exército sérvio e por várias forças de segurança e foi elogiado pela televisão pública e pela Igreja Ortodoxa sérvia. O caixão foi envolvido na bandeira da Sérvia.

Na sexta-feira, a glorificação do criminoso de guerra provocou a indignação de altos responsáveis da UE, ministros e diplomatas, enquanto a comissária do Alargamento, Marta Kos, advertiu que o funeral seria “um teste importante” para a candidatura de adesão da Sérvia.

“Morreu enquanto cumpria uma pena de prisão perpétua pelo genocídio de Srebrenica e por outros crimes. Os elementos de apoio oficial e a presença de alguns altos responsáveis sérvios no funeral são profundamente lamentáveis”, prossegue a publicação.

Na segunda-feira, a principal porta-voz da Comissão, Paula Pinho, gerou fortes críticas públicas depois de, na conferência de imprensa diária, ter afirmado que “tínhamos ouvido que estava previsto um funeral com honras de Estado, o que não aconteceu”.

“Cinco ministros do Governo sérvio estavam sentados na primeira fila do funeral, um criminoso de guerra condenado recebeu honras militares e o seu corpo foi transportado num avião do Governo sérvio”, escreveu a conta oficial no X do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Bósnia-Herzegovina, classificando a declaração de Pinho como “uma vergonha para toda a União Europeia”.

A declaração conjunta de von der Leyen e Costa parece consolidar a condenação institucional da UE à glorificação de Mladić, sublinhando que a incapacidade da Sérvia para enfrentar um capítulo sombrio da história europeia contraria os valores que sustentam a adesão à União. Assinala também uma clara escalada, de simples aviso para condenação institucional.

Em julho, a Comissão tentou relançar a candidatura de adesão da Sérvia ao voltar a pôr em cima da mesa a abertura do Cluster 3. Oito Estados-membros bloquearam o avanço, invocando preocupações com o Estado de direito e o facto de Belgrado não se ter alinhado com as sanções da UE contra a Rússia.

“Toda a gente percebe que, após esta hedionda glorificação de Mladić, a abertura do Cluster 3 está completamente fora de questão, por agora”, disse um diplomata da UE à Euronews, sob condição de anonimato.

A comissária do Alargamento, Marta Kos, cancelou a visita que tinha prevista à Sérvia, enquanto um porta-voz da Comissão negou que Ursula von der Leyen alguma vez tivesse previsto qualquer visita ao país.

O presidente sérvio, Aleksandar Vučić, convocou eleições legislativas antecipadas para o final de outubro.

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