O Ministério Público alemão apresentou uma acusação contra uma empresária de Berlim, que alegadamente terá facilitado, ao longo de vários anos, o acesso de um agente dos serviços secretos russos a círculos políticos e militares.
A Procuradoria-Geral Federal alemã deduziu em 7 de setembro de 2026 perante o Senado de Segurança do Estado do Tribunal Superior de Berlim uma acusação contra a cidadã germano-ucraniana Ilona W.
A mulher é acusada de atuar como agente de serviços de informações, enquanto geria uma agência de marketing e presidia em simultâneo a uma associação de lóbi, o que lhe garantiu amplas ligações a círculos militares e políticos. Segundo a acusação, mantinha, pelo menos desde outubro de 2023, contactos com um funcionário de carreira de um serviço de informações russo colocado na embaixada da Rússia em Berlim.
Durante anos forneceu‑lhe indicações sobre eventos de alto nível, que ele pôde em parte frequentar sob nome falso para aí montar a sua própria rede de agentes. Ela própria participava também nesses encontros para identificar potenciais alvos. Além disso, tentou abordar pessoas do Ministério da Defesa e da indústria de armamento e, por ordem do seu contacto, recolheu informações sobre a política de defesa alemã. Ilona W. foi detida já a 21 de janeiro de 2026 e permanece em prisão preventiva desde então.
Multiplicam-se detenções de alegados agentes
Casos deste tipo têm vindo a multiplicar‑se. Em abril, a Procuradoria-Geral Federal em Berlim mandou deter um cidadão do Cazaquistão, que terá mantido contactos com um serviço de informações russo e transmitido informações sobre fabricantes alemães de armamento e drones, bem como fotografias de colunas militares.
Já em março tinham sido detidos dois alegados agentes, suspeitos de espionarem um fabricante alemão de drones, e em fevereiro um homem com ligações à Bielorrússia.
Sanções após incidente com drone em Leipzig
Em setembro, o governo federal reagiu ainda a um alegado ato de sabotagem russo. A 4 de agosto, foi detetado no aeroporto de Leipzig/Halle um drone carregado com explosivos nas imediações de aviões de carga ucranianos. A 1 de setembro, o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, atribuíram oficialmente a responsabilidade à Rússia. De acordo com investigações da NDR, WDR e do Süddeutsche Zeitung, o inquérito da Polícia Criminal Federal (BKA) tinha identificado dois suspeitos.
Em resposta, Berlim anunciou várias medidas. O último consulado-geral russo ainda aberto em Bona será encerrado a 18 de setembro e vários diplomatas serão expulsos.O contrato com a “Casa Russa” em Berlim também será rescindido.
Aplicam‑se ainda controlos reforçados de entrada para cidadãos russos e a Alemanha endurece a resposta contra a "frota fantasma" russa.
Ao nível da UE, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, prepara um novo pacote de sanções contra cerca de 1 600 pessoas e empresas com ligação ao complexo militar‑industrial russo.
Moscovo rejeitou as acusações como uma provocação e, em resposta, encerrou os três institutos Goethe existentes na Rússia. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, acusou a Alemanha de travar uma guerra contra a Rússia.