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Não, a UE não está a exigir que a Ucrânia mobilize mulheres contra a invasão da Rússia

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ARQUIVO: Militares ucranianas desfilam na avenida principal Khreshchatyk durante um desfile militar pelo Dia da Independência, em Kiev, Ucrânia, em 24 de agosto de 2018.
IMAGEM DE ARQUIVO: Militares ucranianas marcham na rua principal Khreshchatyk durante o desfile militar do Dia da Independência em Kiev, Ucrânia, em 24 de agosto de 2018. Direitos de autor  AP Photo/Efrem Lukatsky
Direitos de autor AP Photo/Efrem Lukatsky
De James Thomas
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A agência ucraniana de combate à desinformação afirma que as alegações tiveram origem no Serviço de Informações Externas da Rússia.

A UE está a exigir que a Ucrânia mobilize mulheres para reforçar as suas forças contra a invasão russa?

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A pergunta tem sido discutida por muitos utilizadores nas redes sociais, depois de alegações nesse sentido terem surgido nas últimas semanas na plataforma X e em canais de Telegram em língua russa.

A resposta, contudo, é negativa. O Centro de Combate à Desinformação, um organismo de trabalho do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, afirmou que a alegação teve origem no Serviço de Informações Externas da Rússia (SVR), que afirmou, sem apresentar provas, que Bruxelas está a pressionar Kiev para recrutar mulheres à força.

A Rússia afirmou também, de forma incorreta, que a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, qualificou a medida como “um passo na direção certa”, segundo o centro de combate à desinformação.

Não há, porém, qualquer indício de que algum responsável político da UE tenha feito tal exigência, nem qualquer órgão de comunicação social credível noticiou que Bruxelas esteja a pressionar Kiev para recrutar mulheres.

As mulheres podem integrar voluntariamente as forças de defesa ucranianas, mas não existem, neste momento, planos para a sua mobilização obrigatória, nem legislação nesse sentido em discussão no parlamento.

O Centro de Combate à Desinformação já tinha divulgado que propagandistas pró-russos difundiram uma alegação falsa segundo a qual os meios de comunicação ocidentais lançaram uma campanha em apoio da mobilização de mulheres ucranianas.

De acordo com a mesma entidade, a alegação assenta num artigo publicado pelo The Telegraph sobre a experiência de mulheres a servir no exército. No entanto, o artigo só menciona uma vez a mobilização de mulheres, no âmbito das opiniões pessoais de uma operadora de drones.

A operadora, identificada no artigo como Katya, afirmou ter achado inspirador o facto de Israel recrutar homens e mulheres e disse gostar que o mesmo fosse aplicado na Ucrânia. O artigo, em si, não defende essa medida.

Andrius Kubilius, comissário europeu para a Defesa e o Espaço, rejeitou igualmente a ideia de que a UE esteja a exigir que a Ucrânia obrigue mulheres a entrar nas forças armadas.

Falando com jornalistas a 11 de setembro, após a primeira reunião do conselho da Aliança UE-Ucrânia para Drones, afirmou não ter “qualquer informação” sobre uma medida desse tipo.

“Diria que seria estranho se a Europa tentasse convencer os ucranianos sobre como devem organizar a mobilização, incluindo a mobilização de mulheres”, afirmou Kubilius. “Não me surpreende que isso venha do Kremlin.”

A questão do recrutamento feminino tem, ainda assim, ganho atenção noutras partes da Europa. A Dinamarca estendeu o serviço militar obrigatório às mulheres a partir de julho de 2025, com as primeiras mulheres a entrarem no sistema em 2026, num modelo semelhante a uma lotaria. Junta-se assim à Noruega e à Suécia, que têm modelos de conscrição universal em vigor.

No final de 2025, o governo alemão decidiu introduzir um modelo voluntário de serviço militar para homens, o que desencadeou também um debate sobre o papel das mulheres nas forças armadas.

A Alemanha não é, contudo, uma exceção na Europa: nos países onde existe serviço militar obrigatório, o recrutamento de mulheres é voluntário na maioria dos casos.

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