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Deficiente e sem emprego: uma realidade europeia

De  Naomi Lloyd  & euronews
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Real Economy
Real Economy   -   Direitos de autor  euronews

Na Europa, menos de metade das pessoas com deficiência estão integradas no mercado de trabalho.

Cerca de 87 milhões de pessoas possuem uma deficiência na Europa. Qualquer pessoa por ter uma deficiência ao longo da vida, seja por causa de um acidente ou de uma doença.

Uma das melhores formas de garantir a independência e a inclusão social das pessoas com deficiência é o acesso ao emprego. Mas, apenas metade das pessoas com deficiência está a trabalhar porque existem muitos obstáculos à integração no mercado de trabalho.

Em Espanha, o número de pessoas com deficiência integradas no mercado de trabalho aumentou mais de 20% nos últimos seis anos, particularmente, graças a financiamentos e programas públicos.

Em Madrid, a Fundação ONCE apoia projetos que ajudam a melhorar a vida de pessoas com deficiência, nomeadamente um programa de integração profissional que oferece formação digital e tecnológica.

Formação na área das tecnologias

Graças à fundação ONCE, Alicia Gómez Escribano fez um curso de programação informática. A jovem de 23 anos com uma deficiência auditiva conseguiu recentemente o primeiro emprego, testa aplicações.

“A minha concentração é afetada pelas conversas, por isso puseram-me neste sítio longe dos outros, tenho menos dores de cabeça, e compraram-me uns auscultadores que reduzem o ruído", contou Alicia Gómez Escribano, operadora Informática, do Grupo Tragsa, em Espanha.

O empregador de Alicia, uma empresa pública, possui um plano de integração social, para ter em conta as necessidades de cada pessoa:

“O fator chave é criar uma boa comunicação entre o gestor e o empregado sobre o trabalho e as necessidades de cada um. As empresas devem reflectir a sociedade tal como ela é”, explicou Ana Belén Blanco del Campo, gestora de projectos, do Grupo Tragsa.

O programa da fundação espanhola dá formação às pessoas com deficiência na área das novas tecnologias, onde existem muitas oportunidades de emprego.

"Aproveitamos este nicho importante do mercado de trabalho, para formar pessoas que serão tão produtivas como uma pessoa que não tem uma deficiência", explicou David Alonso, consultor, da Inserta Empleo Madrid, na Fundação ONCE.

Parcialmente financiado pelo Fundo Social Europeu, o programa formou mais de cinco mil jovens em 2021. Está prevista a criação de novos cursos em tecnologias avançadas. “As pessoas com deficiência devem estar presentes em todos os sectores de uma sociedade”, frisou David Alonso.

O Pilar Europeu dos Direitos Sociais

A igualdade de oportunidades no mercado de trabalho é uma das ambições do pilar europeu dos direitos sociais que integra vinte princípios para construir uma Europa social forte, justa e inclusiva.

“Tenho uma deficiência motora, fiquei doente aos 2 anos. A minha doença chama-se Dermatomiosite, causa limitações físicas ao nível da locomoção e doenças internas", contou à euronews Monika Jankowska-Rangelov, diretora de Inclusão e Diversidade da EMEA, na Polónia.

Um dos primeiros obstáculos na carreira profissional das pessoas com deficiência é a dificuldade de aceder à universidade. Na Europa, cerca de 30% dos deficientes têm um diploma universitário, um número que sobe para 40% quando não se tem deficiência.

"Tive sorte porque os meus pais sempre me explicaram que eu não podia trabalhar fisicamente, tinha de trabalhar com a mente. Queria entrar na universidade pedagógica mas não foi possível porque era inacessível ao nível dos transportes", explicou Monika Jankowska-Rangelov.

Monika fez uma licenciatura em línguas e, passo a passo, conseguiu obter o seu emprego de sonho. Mas enfrentou uma segunda dificuldade. Como passou a trabalhar e a receber um salário, perdeu a pensão de invalidez e tem dificuldades em pagar todos os medicamentos de que precisa.

"Penso que seria muito benéfico aumentar o plafond, porque tenho muitas despesas, por exemplo, com os meus medicamentos todos os meses. E mesmo com um emprego, é um desafio pagar todas as despesas”, contou a responsável.

De acordo com a especialista é preciso agir em três áreas para derrubar barreiras para quem tem uma deficiência: melhorar a acessibilidade e o apoio financeiro e implementar planos de integração social no trabalho.

“A educação é um fator chave e a sensibilização de todos os trabalhadores para serem inclusivos e pensarem nos outros como se pensassem em si próprios. Há cada vez mais pessoas com incapacidades à nossa volta, toda a gente merece ter as mesmas oportunidades no trabalho, para ser ativo e poder viver a vida ao máximo”, frisou Monika Jankowska-Rangelov.

A estratégia para os Direitos das Pessoas com Deficiência

O Parlamento Europeu aprovou a Directiva para a Igualdade no Emprego. "No ano passado, a Comissão Europeia adotou uma Estratégia para os Direitos das Pessoas com Deficiência , para apoiar o direito de viver de forma independente e de participar em pé de igualdade em todas as áreas da vida. A euronews entrevistou Helena Dalli, Comissária Europeia para a Igualdade.

euronews: "Porque é que na Europa as pessoas com deficiência continuam a enfrentar tantos obstáculos para entrar no local de trabalho?"

Helena Dalli, Comissária Europeia para a Igualdade: "Por onde começar? É um problema que temos mesmo de resolver. As pessoas com deficiência deparam-se com muitos problemas para entrar no mercado de trabalho. Os problemas começam cedo com o acesso à educação, por exemplo. Temos de olhar para esta realidade a partir da perspectiva do resto da sociedade. O que é que a sociedade está a fazer para permitir que os cidadãos integrem o mercado de trabalho? Os empregadores devem proporcionar alojamento às pessoas com deficiência".

euronews: "O que é que a Comissão Europeia está a fazer para lidar com estas barreiras?"

Helena Dalli, Comissária Europeia para a Igualdade: "Temos agora a estratégia para a deficiência. Esta estratégia lida com as coisas de que estamos a falar aqui. Há um pacote de medidas sobre o emprego das pessoas com deficiência, em que se fala da necessidade de fornecer alojamento razoável e de ajudar as pessoas com deficiência a entrar no mercado trabalho. Temos ainda a plataforma da deficiência, por exemplo, que permite o encontro entre diferentes organizações para partilhar boas práticas. Faço questão de encontrar pessoas com deficiência porque são elas as especialistas da realidade que vivem. Partilhamos o que aprendemos com os parceiros sociais.”