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Itália e Alemanha: agenda para a competitividade europeia

Giorgia Meloni (à dir.), primeira-ministra, e Friedrich Merz (à esq.), chanceler, em conferência de imprensa no fim da cimeira intergovernamental na Villa Doria Pamphilj
Primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, à direita, e chanceler Friedrich Merz, à esquerda, participam em conferência de imprensa após uma cimeira na Villa Doria Pamphilj Direitos de autor  2026 Copyright The Associated Press
Direitos de autor 2026 Copyright The Associated Press
De Egle Markeviciute, EU Tech Loop and Euronews
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Plano de Ação ítalo-alemão revisto por Merz e Meloni reforça autocontenção legislativa, simplificação e Legislar Melhor; teste será o avanço do pacote Omnibus e a reforma do Legislar Melhor.

Na semana passada, o chanceler alemão Friedrich Merz reuniu-se com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em Roma, onde os dois dirigentes assinaram uma versão atualizada do Plano de Ação ítalo-alemão para a cooperação estratégica bilateral e na UE.

O plano abrange várias áreas, tanto da cooperação bilateral entre Itália e Alemanha como ao nível da UE, e alinha-se, em grande medida, com os planos estratégicos da Comissão Europeia até 2029.

Destaca-se a aposta aberta e ambiciosa dos líderes alemão e italiano na “autocontenção legislativa”, na continuidade da agenda de simplificação, numa mudança de abordagem à regulação e em reformas na administração pública

A ideia não é nova e já foi vista entre líderes da UE; para a concretizar na íntegra, é preciso mudar de mentalidade e avaliar de forma tangível o regime legislativo e regulatório, não só ao nível da simplificação da legislação em vigor, mas também das propostas que agora começam a ser apresentadas.

Por fim, os defensores da competitividade na Europa devem ser cautelosos com a próxima reforma do Better Regulation, que poderá reduzir ainda mais a capacidade de tomar decisões informadas sobre a necessidade de certas novas iniciativas.

Prosseguir agenda de simplificação e autocontenção legislativa

No plano, italianos e alemães defendem uma “agenda de simplificação consequente”, “autocontenção legislativa” e uma implementação das iniciativas da UE “desburocratizada e favorável às empresas e às PME”.

Objetivos que soam bem no papel, mas são difíceis de concretizar sem uma mudança de mentalidade: passar de grandes volumes de novas iniciativas para um processo legislativo mais focado, ponderado e proporcional, com ação real e coordenada no Conselho da UE para influenciar a agenda da Comissão Europeia.

O plano reconhece as limitações a esta mudança e afirma ser necessária “uma nova mentalidade de autocontenção legislativa e regulatória”. A ideia de que novas propostas legislativas suscetíveis de introduzir encargos administrativos excessivos “devem ser retiradas ou nem sequer apresentadas” também é promissora, mas levanta dúvidas quanto à capacidade de Itália e Alemanha levarem estas intenções até ao fim não só através da simplificação, como também mantendo firmeza face a novas iniciativas legislativas que possam duplicar as existentes ou afetar de forma desproporcionada empresas e consumidores europeus.

Posições conjuntas sobre as propostas Omnibus

No plano, Alemanha e Itália declaram que irão partilhar posições sobre as propostas Omnibus e tentar pressionar em conjunto por uma “simplificação com substância” e uma “redução tangível de encargos” para start-ups, PME e “a indústria no seu conjunto”.

Mudança suscetível de encorajar Estados-Membros mais pequenos a seguir o exemplo. Até agora, as propostas Omnibus tiveram um acolhimento frio por parte de políticos e organizações à esquerda, que não hesitam em pressionar decisores a recuar ou a ficar inativos.

Reforma do Better Regulation: sinal de cautela

A ambição de Itália e Alemanha de impulsionar uma Europa mais competitiva através de melhor regulamentação e de políticas legislativas mais inteligentes será testada, em primeiro lugar, com a próxima reforma do sistema de Better Regulation.

A Comissão Europeia tem em curso, até 4 de fevereiro, um apelo à apresentação de contributos sobre o Better Regulation, com apenas 23 respostas até ao momento. Os documentos de suporte defendem, em essência, que a UE precisa de acelerar a tomada de decisões, já que alguns processos de consulta e avaliação consomem tempo e recursos em excesso.

As orientações e princípios do Better Regulation da UE são frequentemente criticados por serem ambiciosos e participativos (e reconhecidos por organizações como a OCDE como exemplares), mas pouco cumpridos, com decisores a recorrerem a exceções e a evitarem os passos necessários por alegadas circunstâncias de “força maior”. Por exemplo, as orientações de Better Regulation estabelecem que a isenção do cumprimento das regras (com a consequente remoção/redução das etapas de consulta e avaliação) pode ser solicitada ao Secretariado-Geral. Existe até uma caixa de correio dedicada para esse efeito.

Se as orientações do Better Regulation forem ainda mais flexibilizadas, se o processo de consulta às partes interessadas for reduzido, permitindo à Comissão escolher a quem quer pedir contributos, e se os processos de avaliação (a necessidade de nova ação legislativa, o impacto na economia e o enquadramento vigente) forem reduzidos ao mínimo, países como Itália e Alemanha terão ainda menos margem para influenciar a agenda da Comissão Europeia e não conseguirão tomar decisões informadas ao discutir as propostas apresentadas nas negociações de trílogo.

Esta história foi originalmente publicada no EU Tech Loop e foi republicada no âmbito de um acordo com a Euronews.

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