O CEO da Nvidia, Jensen Huang, falou durante quase três horas na Califórnia, num discurso de apresentação das novas soluções de software da empresa para levar IA autónoma a empresas, ao espaço e a robotáxis.
O presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, apresentou uma série de avanços na inteligência artificial (IA), nos veículos autónomos e na computação espacial na conferência anual da empresa em San Jose, na Califórnia.
Entre os destaques estiveram o NemoClaw, uma plataforma de código aberto para agentes de IA, o módulo Space-1 Vera Rubin, capaz de executar IA diretamente no espaço, e uma nova parceria com a aplicação europeia de partilha de viagens Bolt para expandir os veículos autónomos no continente.
Huang enquadrou estas inovações como a próxima fase da computação, com o objetivo de levar tecnologia mais inteligente, rápida e autónoma da nuvem para as ruas e, inclusivamente, para o espaço.
‘NemoClaw’ leva agentes de IA às empresas
A Nvidia lançou uma ferramenta de código aberto chamada NemoClaw, que permite às empresas executar agentes de IA com controlos reforçados de segurança e privacidade.
Os agentes de IA são programas informáticos autónomos que podem tomar decisões e agir sem interferência humana.
O NemoClaw da Nvidia baseia-se no OpenClaw, um software de assistente pessoal com IA criado pelo programador austríaco Peter Steinberger.
Os agentes construídos através do OpenClaw gerem agendas, reservam voos ou conversam entre si numa plataforma de redes sociais. É o software por detrás do MoltBook, a controversa rede social onde bots interagem sem intervenção humana, apesar de alguns estudos indicarem que os bots de IA não são totalmente autónomos.
Huang reconheceu que o OpenClaw teve anteriormente acesso a informação sensível, incluindo dados de trabalhadores e financeiros, que podia partilhar entre agentes. A Nvidia trabalhou com Steinberger para criar um modelo mais seguro para empresas.
“Podem descarregá-lo, experimentar e ligá-lo ao motor de políticas… de todas as empresas do mundo”, afirmou Huang.
O OpenClaw teve uma influência “profunda” no setor da IA, acrescentou Huang, descrevendo-o como o projeto de código aberto “mais popular da história da humanidade”.
“As implicações são incríveis”, disse. “Hoje, todas as empresas do mundo precisam de ter uma estratégia OpenClaw. Este é o novo computador.”
Steinberger juntou-se recentemente à OpenAI para “criar um agente que até a minha mãe consiga utilizar”, mas o seu software vai manter-se de código aberto sob a tutela de uma fundação.
Computadores espaciais em desenvolvimento
Huang revelou o módulo Space-1 Vera Rubin, uma unidade de processamento gráfico (GPU) e computador que vai alimentar centros de dados no espaço.
O modelo fornecerá até 25 vezes mais capacidade de computação do que outros chips da Nvidia, o que permitirá executar tarefas avançadas de IA a partir do espaço, indicou a empresa num comunicado de imprensa (fonte em inglês) após o discurso principal de Huang.
A capacidade de computação adicional permite realizar em órbita tarefas mais complexas, como a execução de grandes modelos de linguagem (LLM) necessários para treinar modelos de IA.
O Space-1 Vera Rubin também será capaz de processar instantaneamente dados provenientes de instrumentos espaciais, sem ter de enviar primeiro essa informação para a Terra, segundo a empresa.
Huang afirmou que continua “muito complicado” construir centros de dados no espaço, salientando que o arrefecimento dos computadores nesses centros continua a ser um dos principais obstáculos.
Destacou ainda outros modelos preparados para o espaço, como a tecnologia de robótica IGX Thor, que já foi homologada para operar sob radiação. O modelo suporta IA em tempo real, funcionalidades de segurança e operações autónomas, permitindo que satélites processem a bordo os dados que recolhem.
A Nvidia não avançou uma data de lançamento para o modelo Space-1 Vera Rubin, apenas que “estará disponível numa fase posterior”.
Nvidia e Bolt: levar veículos autónomos à Europa
A Nvidia adiantou também, à margem da GTC, que vai fazer uma parceria com a aplicação de partilha de viagens Bolt para escalar os veículos autónomos (VA) na Europa.
A Bolt terá acesso à plataforma de robotáxi de Nível 4 da Nvidia, capaz de operar sem intervenção humana.
A plataforma utiliza dados do veículo provenientes de sistemas lidar (Light Detection and Ranging), câmaras e radares para processar em tempo real as condições da estrada. A Bolt vai também usar ferramentas de IA da Nvidia para recriar comportamentos de condução variados nas ruas europeias.
A parceria pretende criar uma “oferta de VA liderada pela Europa que garanta que o nosso continente se mantém na linha da frente da inovação na mobilidade, preservando o controlo total sobre os nossos dados e tecnologia”, afirmou Jevgeni Kabanov, presidente e responsável pela condução autónoma na Bolt.
A Bolt já assinou parcerias em veículos autónomos com a Pony.AI (fonte em inglês), uma empresa chinesa de condução autónoma, e com o construtor automóvel Stellantis (fonte em inglês), com testes na Europa previstos para 2026. A Bolt pretende integrar 100 mil veículos autónomos nas suas operações até 2035.
Huang anunciou também outros parceiros para a plataforma de robotáxis da Nvidia, incluindo os construtores BYD, Hyundai, Nissan e Geely.
O responsável mencionou ainda uma parceria semelhante com a Uber para integrar na sua rede veículos preparados para operar como robotáxis.
“Chegou o momento ChatGPT da condução automóvel”, afirmou Huang. “Sabemos agora que conseguimos conduzir carros de forma totalmente autónoma.”
O anúncio da Bolt surge numa altura em que várias outras empresas, incluindo a aplicação de partilha de viagens Uber, o construtor automóvel alemão Volkswagen (fonte em inglês) e a empresa de condução autónoma WeRide (fonte em inglês), estão a planear veículos autónomos ou já lançaram projetos-piloto em várias cidades europeias.