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Europa falha diagnóstico de 1 em cada 5 casos de tuberculose, alertam autoridades de saúde

FICHEIRO - Nesta fotografia de arquivo de sexta-feira, 9 de julho de 2021, uma profissional de saúde analisa a radiografia no Hospital del Mar, em Barcelona, Espanha.
FOTO DE ARQUIVO - Numa foto de sexta-feira, 9 de julho de 2021, uma profissional de saúde observa uma radiografia no Hospital del Mar, em Barcelona, Espanha. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
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A tuberculose continua a ser um problema de saúde pública na Europa, com a região a afastar-se das metas de eliminação, segundo relatório da OMS e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

Um em cada cinco casos de tuberculose na região europeia não é diagnosticado, numa altura em que a resistência aos medicamentos continua mais elevada do que noutras partes do mundo, um novo relatório (fonte em inglês) da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou.

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Apesar da diminuição do número total de casos, a tuberculose (TB) continua a ser um problema de saúde pública na União Europeia e os progressos rumo à eliminação permanecem insuficientes, indica o relatório.

A tuberculose é a principal causa de morte por um único agente infecioso em todo o mundo. Trata-se de uma doença infecciosa que se transmite de pessoa para pessoa quando alguém com TB pulmonar expulsa bactérias para o ar ao tossir.

Os sintomas variam consoante a parte do corpo afetada. Os mais comuns incluem tosse persistente durante mais de duas semanas, febre, suores noturnos e perda de peso.

Na Região Europeia da OMS, que abrange 53 países da Europa e da Ásia Central, a incidência diminuiu 39 % desde 2015 e o número de mortes caiu 49 %.

Mas ambos os valores ficam aquém das metas para 2025 da Estratégia Fim da TB da OMS, fixadas em 50 % e 75 %, respetivamente.

Na União Europeia, os casos diminuíram 33 % e as mortes 17 %, o que não basta para cumprir as metas para 2030, «resultando em milhares de novas infeções e mortes que poderiam ser evitadas», salientaram as agências de saúde.

Em 2024, foram notificados na região mais de 160 000 novos casos de TB diagnosticados, enquanto o número estimado de casos reais foi de 204 000, o que significa que apenas 79 % dos novos casos e recaídas estimados foram comunicados.

Segundo Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, o número de casos não diagnosticados representa não só uma falha na deteção, mas também uma oportunidade perdida para tratar os doentes mais cedo, evitar sofrimento e travar novas cadeias de transmissão.

«Ao investir em diagnóstico rápido, em esquemas de tratamento mais curtos, totalmente orais, e num acompanhamento mais sólido, os países conseguem chegar mais cedo a mais pessoas, melhorar os resultados e recolocar-nos na rota das metas», acrescentou.

Segundo o relatório, o diagnóstico tardio não só torna a infeção mais difícil de tratar, como aumenta o risco de transmissão a outras pessoas.

Resistência aos antibióticos aumenta

A tuberculose resistente aos medicamentos continua a constituir um grande desafio em toda a Europa, conclui o relatório. A proporção de tuberculose multirresistente entre os novos casos e os previamente tratados foi de 23 % e 51 %, respetivamente, valores que ultrapassam largamente a média mundial de 3,2 % e 16 %.

Segundo o documento, o elevado número de resistências, sobretudo entre doentes previamente tratados, excede de forma significativa as médias globais e reflete transmissão contínua.

O tratamento padrão da TB não resistente consiste num esquema de seis meses com quatro medicamentos de primeira linha (isoniazida, rifampicina, etambutol e pirazinamida), com taxas de sucesso habitualmente superiores a 85 %.

Estirpes resistentes aos antibióticos exigem tratamentos mais prolongados, com mais fármacos, e estão associadas a taxas de sucesso mais baixas.

A maioria dos países europeus é de baixa incidência, com uma taxa de notificação inferior a 10 por 100 000 habitantes, onde a TB afeta sobretudo populações vulneráveis, como migrantes, reclusos e pessoas com coinfeção por VIH.

De acordo com Ralf Otto-Knapp, do Comité Central Alemão contra a Tuberculose, que não participou no relatório, a diminuição dos casos na Europa Ocidental está a desviar a atenção da doença, o que dificulta o combate a novos casos de tuberculose multirresistente.

«É preciso preparar-nos para isto, reforçando os serviços de tratamento e prevenção, garantindo fácil acesso a novos medicamentos e promovendo a cooperação transfronteiriça», acrescentou.

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