Morreu aos 59 anos o lendário piloto e campeão paralímpico Alessandro Zanardi. Da Fórmula 1 às vitórias em handbike, a sua vida tornou-se um símbolo mundial de resiliência e determinação.
O mundo do desporto chora um dos seus filhos mais acarinhados. Alessandro "Alex" Zanardi morreu na noite de 1 de maio, a poucos meses de atingir a meta dos 60 anos, que completaria em outubro.
A família divulgou a notícia em comunicado oficial, no qual refere que Alex morreu serenamente, rodeado do carinho dos seus entes queridos. Ao agradecer a todos os que estão a manifestar apoio, os familiares pediram o máximo respeito pela sua dor e pela privacidade neste momento de luto, remetendo para mais tarde as informações sobre as cerimónias fúnebres.
Dos primeiros tempos ao "Parigino" do karting
A lenda de Zanardi nasce no asfalto das pistas de karting, paixão que surgiu aos 14 anos graças a uma prenda do pai. Pela sua extraordinária habilidade técnica e condução impecável, Alex ganhou rapidamente a alcunha de "Parigino" (por conduzir no centro da pista). Depois da estreia na Fórmula 3, em 1988, deu o salto em 1991, na Fórmula 3000.
Ao volante do Reynard da equipa "Il Barone Rampante", o italiano surpreendeu o mundo do automobilismo ao vencer logo na estreia em Vallelunga e ao discutir o título até à última corrida com Christian Fittipaldi, apesar de alguns problemas de fiabilidade.
Ascensão de Zanardi na Fórmula 1
Exibições convincentes nas categorias inferiores chamaram a atenção dos responsáveis da Fórmula 1. A estreia na categoria máxima chegou em 1991, com a Jordan, chamado para substituir Roberto Moreno. A carreira na classe rainha prosseguiu depois na Lotus, equipa com a qual sobreviveu a um grave acidente em Spa-Francorchamps, em 1993, quando um embate a 240 km/h no Raidillon o obrigou a terminar a época antes do tempo.
Apesar do talento evidente, a falta de carros competitivos e as dinâmicas financeiras das equipas empurraram-no para os Estados Unidos, onde se tornou uma autêntica referência ao conquistar dois títulos no campeonato CART.
Drama de Lausitzring e renascimento
Foi precisamente nessa categoria que, em 15 de setembro de 2001, a vida de Alex mudou para sempre. No circuito alemão de Lausitzring, um choque violento com o carro de Alex Tagliani provocou a amputação imediata de ambas as pernas.
Zanardi chegou ao hospital em estado crítico e recebeu mesmo a extrema-unção, mas, após seis semanas internado e quinze operações cirúrgicas, iniciou um processo de reabilitação que viria a maravilhar o mundo.
Último desafio e acidente em Pienza
Em vez de desistir, Zanardi transformou a tragédia numa oportunidade extraordinária. Depois de regressar às corridas automóveis com comandos especiais, iniciou uma nova carreira no paraciclismo que o levou a dominar a cena internacional**. Nos Jogos de Londres 2012 conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata,** feitos que repetiu quatro anos depois, no Rio 2016, com mais dois títulos olímpicos. O palmarés ficou ainda mais impressionante com doze títulos mundiais entre 2013 e 2019, tornando-o um embaixador global do desporto para pessoas com deficiência.
O destino voltou a atingir o campeão em 19 de junho de 2020, quando esteve envolvido num grave acidente rodoviário em Pienza, durante uma estafeta de beneficência em handbike. A colisão com um camião provocou-lhe lesões neurológicas muito graves, dando início a uma nova e longa batalha clínica, marcada por numerosas intervenções e progressos lentos.
Apesar de ter recuperado a consciência em 2021 e da estabilidade alcançada nos meses seguintes, as consequências desse trágico episódio marcaram a fase final da sua vida. Zanardi deixa um legado que vai muito além das medalhas, permanecendo para sempre como exemplo vivo de como a vontade humana pode ultrapassar qualquer obstáculo.