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Alemanha: resgate aéreo entre missões de emergência e pressão de custos

Projeto para estabilizar contribuições do seguro de saúde público pode pôr em risco urgências asseguradas pelas organizações de salvamento aéreo
Projeto para estabilizar as contribuições do seguro de saúde público poderá pôr em risco a assistência de urgência prestada pelas organizações de resgate aéreo Direitos de autor  Euronews / DRF Luftrettung
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De Donogh McCabe & Maja Kunert
Publicado a Últimas notícias
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Quando chega um pedido de socorro, cada minuto conta. A emergência aérea pode aterrar em poucos minutos e reforça o socorro em terra, mas o novo plano para conter os custos das seguradoras de saúde pode pôr este apoio rápido em risco

Chega um alerta de emergência. Pouco depois, levanta voo em Marzahn, junto ao Unfallkrankenhaus Berlin (ukb), um helicóptero de socorro. A bordo seguem o piloto, um médico de emergência e um técnico de emergência médica – uma equipa rotinada em missões em que rotina, precisão e tempo podem ser decisivos.

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Destino: a pequena cidade de Lübben, em Brandemburgo. Ali espera um doente com queimaduras graves. Tem de ser levado rapidamente para o centro especializado de queimados do ukb. Para a tripulação, é um procedimento familiar.

«Quando chega um alerta, conta cada segundo», afirma o médico de emergência Jan Martin. «Sobretudo em casos de enfarte ou AVC, perde-se tecido a cada minuto sem tratamento.» Por isso, no início de cada turno tudo tem de estar preparado para que a equipa possa descolar de imediato. Entre o alarme e a descolagem passam, regra geral, não mais de dois minutos.

No Unfallkrankenhaus Berlin-Marzahn, a DRF Luftrettung opera desde 2008 com o helicóptero de transporte intensivo «Christoph Berlin».No Unfallkrankenhaus Berlin-Marzahn, a DRF Luftrettung opera desde 2008 com o helicóptero de transporte intensivo «Christoph Berlin».

Onde o socorro aéreo é mais importante

O socorro aéreo não substitui o serviço de emergência em terra, complementa-o. Ganha especial importância onde as distâncias são grandes, os hospitais ficam afastados entre si ou os tratamentos especializados só existem em poucos locais. Nessas situações, o tempo ganho com o helicóptero pode ser decisivo, tanto na primeira resposta como nas transferências entre unidades.

A DRF Luftrettung opera em todo o país 34 bases de helicópteros em 32 locais, três deles em Berlim. A base de Berlim está operacional 24 horas por dia. Um helicóptero percorre cerca de 70 quilómetros em aproximadamente 17 minutos. Fora das grandes áreas urbanas, isso pode fazer uma diferença significativa.

Missões de emergência e transferências

A particularidade desta base: o helicóptero de transporte intensivo «Christoph Berlin», estacionado no Unfallkrankenhaus Berlin, assegura dois tipos de missões. As missões primárias são intervenções de emergência diretamente no local – por exemplo após acidentes de viação ou em situações clínicas agudas. Aqui, o que conta sobretudo é que a ajuda médica chegue depressa.

Há ainda as missões secundárias, ou seja, transferências entre hospitais. Nesses casos, os doentes são levados para outra unidade onde é possível receberem um tratamento especializado.

O médico de emergência Jan Martin (à direita) e o técnico de emergência médica Mathias Buchholz (à esquerda) integram a tripulação do «Christoph Berlin» e são responsáveis pelos cuidados médicos.O médico de emergência Jan Martin (à direita) e o técnico de emergência médica Mathias Buchholz (à esquerda) integram a tripulação do «Christoph Berlin» e são responsáveis pelos cuidados médicos.

Treze horas por dia prontos para a emergência

O turno diurno começa cedo. Às 6h30, os membros da tripulação verificam os sistemas, o equipamento e a prontidão operacional. Incluem-se o material médico, a inspeção do helicóptero e a avaliação das condições meteorológicas. O briefing conjunto é feito ao pequeno-almoço.

O piloto Sebastian Nothbaum explica quantos fatores têm de ser ponderados antes da descolagem: meteorologia, restrições no espaço aéreo, exercícios, regras para as rotas de voo. O socorro aéreo não significa apenas voar depressa, mas também planear com precisão sob pressão de tempo.

As equipas trabalham em turnos de 13 horas. Isso exige muitas horas de concentração, mesmo quando é preciso esperar bastante pelo próximo alerta. Assim que o alarme soa, tudo tem de funcionar rapidamente. Somam-se os voos noturnos, as condições meteorológicas variáveis e a carga emocional. A tripulação resume de forma pragmática: «É preciso querer isto.»

Ajuda altamente especializada a bordo

A bordo segue tecnologia médica moderna. Em Berlin-Marzahn, o equipamento inclui desde novembro de 2024 reservas de sangue e de plasma. Em casos de ferimentos graves ou de grande perda de sangue, é possível iniciar ainda antes de chegar ao hospital medidas que salvam vidas.

Também em termos de pessoal, o socorro aéreo é altamente especializado. Os médicos de emergência precisam de uma qualificação adicional para atuar a bordo do helicóptero. Muitos trabalham em paralelo em anestesiologia ou medicina intensiva, para manter uma ligação estreita à prática hospitalar. Nem sempre estão diretamente vinculados à DRF Luftrettung; chegam muitas vezes de hospitais parceiros.

Em doentes com grande perda de sangue, a administração de hemoderivados ainda no local do acidente pode aumentar as hipóteses de sobrevivência e melhorar os cuidados de emergência.Em doentes com grande perda de sangue, a administração de hemoderivados ainda no local do acidente pode aumentar as hipóteses de sobrevivência e melhorar os cuidados de emergência.

Pilotos e técnicos de emergência médica (HEMS-TC) também enfrentam exigências específicas. Têm de dominar os procedimentos médicos e de voo e funcionar como equipa sob pressão de tempo. Essa coordenação é decisiva, sobretudo nas aterragens fora dos hospitais.

No local, segue-se a chamada avaliação a partir do ar: a tripulação observa de cima onde pode aterrar em segurança e como chegar da melhor forma ao doente. Nem sempre existe um acesso direto, por isso muitas decisões sobre o transporte só são tomadas já no terreno.

Limites do socorro aéreo

Com nuvens baixas, trovoadas, tempestade ou nevoeiro cerrado, o voo pode não ser possível ou ter de ser limitado. Antes de cada descolagem, avalia-se se a missão pode ser realizada em segurança, incluindo com base em informações do serviço meteorológico alemão.

Também no local da ocorrência nem tudo é simples. Nem todos os sítios são adequados como zona de aterragem e, por vezes, a tripulação ainda tem de percorrer um troço a pé até ao doente. É também necessária a colaboração das pessoas que se encontram no local. Se as distâncias de segurança não forem respeitadas ou as instruções não forem compreendidas, a aterragem pode tornar-se problemática.

O que está por detrás de cada missão

Para que o socorro aéreo esteja disponível a qualquer momento, é necessária uma infraestrutura complexa. Helicópteros, tecnologia, manutenção, combustível e pessoal altamente qualificado têm de estar permanentemente assegurados. Segundo a DRF Luftrettung, um helicóptero com todo o equipamento custa vários milhões de euros e, por hora de voo, consome cerca de 280 litros de querosene.

Há ainda outro fator: não são apenas os transportes bem-sucedidos que têm custos. Também as saídas em vão ou as missões interrompidas pesam no sistema. Cada descolagem aproxima o helicóptero da próxima revisão. O que se financia, portanto, não é apenas um voo isolado, mas todo um sistema permanente de prontidão.

O diretor-geral da DRF, Dr. Krystian Pracz, explica: «Faturamos ao minuto de voo, como está acordado com os seguros de saúde. Isso inclui todas as prestações.» Na sua opinião, o debate sobre os custos é muitas vezes redutor. Alega que um resgate rápido pode também ajudar a reduzir custos de tratamento futuros, por exemplo quando os doentes são assistidos mais cedo e o processo de recuperação se encurta.

Com cerca de 36 000 missões por ano, a DRF Luftrettung contribui para a prestação de cuidados de emergência médica.Com cerca de 36 000 missões por ano, a DRF Luftrettung contribui para a prestação de cuidados de emergência médica.

Alemanha: lei para limitar custos das caixas de seguro de saúde alarma o setor

Com o previsto GKV-Beitragssatzstabilisierungsgesetz (fonte em alemão), o governo federal alemão quer estabilizar as finanças do seguro de saúde legal e limitar novos aumentos das contribuições. A proposta prevê limitar os aumentos de remunerações em muitos setores do sistema de saúde. Esses aumentos passariam a estar indexados à taxa de salário de base, que reflete a variação percentual média anual dos rendimentos sujeitos a contribuições de todos os segurados no sistema público. Em alternativa, podem servir de referência os aumentos reais de custos, consoante qual dos valores for mais baixo.

Do ponto de vista dos operadores, isto é problemático para o socorro aéreo, porque o financiamento não acompanha a evolução dos custos. As organizações de socorro aéreo sem fins lucrativos ADAC, DRF e Johanniter alertam por isso para um défice de financiamento (fonte em alemão). Consideram que isso colocaria sob pressão um serviço que se torna ainda mais importante num sistema de saúde cada vez mais especializado.

Impacto na assistência médica em zonas rurais

Este debate é particularmente relevante para as regiões rurais. Onde os hospitais estão mais afastados, as unidades especializadas não ficam por perto e as deslocações em terra demoram mais, o socorro aéreo pode ter um papel decisivo, tanto nas urgências como nas transferências.

O socorro aéreo é sobretudo importante onde os hospitais estão mais distantes ou são necessários tratamentos especializados.O socorro aéreo é sobretudo importante onde os hospitais estão mais distantes ou são necessários tratamentos especializados.

Mathias Buchholz, técnico de emergência médica e Helicopter Emergency Medical Service Technical Crew Member (HEMS-TC), resume assim a vantagem, com base na experiência diária: «Se o transporte tivesse sido feito por via terrestre, um médico de emergência teria ficado fora da sua área de atuação durante três a quatro horas. Assim é significativamente mais rápido.» Um transporte longo por terra ocupa equipas e pode degradar a assistência noutras ocorrências. Para o homem gravemente ferido de Lübben, o que conta no fim é sobretudo a rapidez com que chega ao centro especializado de queimados.

No Unfallkrankenhaus Berlin-Marzahn volta a instalar-se a calma. O doente foi entregue, os rotores estão parados. Para a tripulação, a missão terminou, mas o serviço está longe de acabar. Mantêm-se de prevenção durante mais algumas horas.

Se este sistema continuará ou não a funcionar com a mesma fiabilidade passa agora também por decisões políticas. O Bundestag deverá votar o pacote de poupança em 10 de julho. Para os doentes, no fim, pouco importará quanto custa um minuto de voo, mas sim que sejam transportados a tempo.

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