De quadros de Picasso a dar cor ao convés a ateliers com conceituados artistas contemporâneos, eis como os cruzeiros estão a abraçar a criatividade.
Piscinas, saunas e jardins zen: os navios de cruzeiros de luxo exibem todo o tipo de comodidades extraordinárias a bordo.
Mas a tendência mais recente que está a marcar o segmento de topo é a arte.
De quadros de Picasso a darem cor aos conveses a workshops com conceituados artistas contemporâneos, é assim que os cruzeiros se estão a tornar mais criativos.
Único ovo Fabergé em alto mar
Esqueçam as reproduções genéricas; as companhias de cruzeiros de luxo estão a decorar os navios com coleções de arte dignas de um museu.
Em 2023, a Regent Seven Seas Cruises apresentou a sua coleção de 1 600 peças, instalada no mais recente navio da companhia, o Seven Seas Grandeur.
“Com cada novo navio, a nossa equipa trabalha incansavelmente para identificar e adquirir a seleção mais impressionante de obras, construindo uma coleção que seria motivo de inveja para a maioria dos museus contemporâneos”, afirmou Andrea DeMarco, presidente da Regent Seven Seas Cruises.
A coleção inclui um ovo Fabergé criado por encomenda, o primeiro e único a residir permanentemente em alto mar, segundo a companhia.
No átrio do navio encontra-se também um tapete mural tecido à mão, com 12 metros de altura, do artista brasileiro Walter Goldfarb, e à entrada do restaurante pan-asiático destaca-se a escultura de cerejeira em bonsai, em bronze e vidro, feita por encomenda pelos Savoy Studios.
O especialista em arte Bleu Bosworth, fundador e marchand da galeria contemporânea Optima Contemporary, afirma que as exposições a bordo de navios de cruzeiro acompanham mudanças mais amplas na forma como a arte moderna é consumida.
“Um navio de cruzeiro permite que a arte exista fora da tradicional galeria de ‘caixa branca’ e seja encontrada de forma muito mais orgânica por um público global”, diz.
“De muitas formas, isso está em linha com o espírito de muitos artistas contemporâneos, sobretudo os que trabalham em arte urbana ou pública, cujas obras nunca foram pensadas para existir apenas entre paredes institucionais.”
De Picasso a Andy Warhol
Os grandes nomes do mundo da arte estão bem representados em alto mar.
“As melhores coleções em cruzeiros tratam a arte com o mesmo rigor curatorial que se espera de uma grande galeria ou museu, escolhendo obras com voz própria, ponto de vista e relevância cultural, em vez de simplesmente preencherem espaço”, explica Bosworth.
Os navios da Oceania Cruises exibem mais de 2 000 obras originais, adquiridas pessoalmente pelo fundador Frank J. Del Rio e pelo cofundador Bob Binder. Os dois responsáveis terão corrido o mundo a escolher, peça a peça, cada obra de arte.
Os navios da companhia acolhem hoje obras de Picasso e Miró, arte contemporânea de Robert Mars e Damien Hirst e peças de artistas emergentes como Li Domíguez Fong e Carlos Luna.
Numa referência às raízes cubanas de Del Rio, a coleção inclui também vários artistas de renome de Cuba, entre eles Wifredo Lam, Cundo Bermúdez e René Portocarrero.
O Explora I, da Explora Journeys, apresenta serigrafias e litografias de edição limitada de Andy Warhol e Roy Lichtenstein, e os passageiros podem aprofundar as histórias por detrás das obras em palestras a bordo conduzidas por curadores de arte.
Os interiores exuberantes e ecléticos da Uniworld escondem obras de destaque em cada canto, de Matisse e Chagall a Picasso e Miró.
O SS Bon Voyage, que navega para Bordéus, exibe o quadro “Figura na Noite”, de Miró, na parede da suite.
O SS Beatrice, que percorre o Reno e o Danúbio, impressiona com pavimentos em mármore, paredes espelhadas e candelabros de vidro de Murano. No átrio destaca-se um cavalo em vidro, colorido e em tamanho real, de Pino Signoretto, considerado um dos mais importantes artistas do vidro do século XXI.
Leilões de arte e oficinas de pintura
Demonstrações de arte, oficinas e leilões estão também a tornar-se ofertas habituais nos cruzeiros de luxo.
A Park West Gallery, do Michigan, associou-se a dezenas de companhias de cruzeiros para organizar leilões de arte a bordo. São sobretudo procurados pelo lado lúdico, eventos cheios de animação impulsionados por flutes de champanhe oferecidas.
Embora não seja possível levar para casa um Picasso, surgem frequentemente peças interessantes de artistas como Alexandre Renoir, bisneto do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir, e Orlando Quevedo, um cubano que cria obras de realismo mágico.
A Celebrity Cruises associou-se à Hollywood Hot Glass, onde demonstradores moldam esculturas em vidro num forno a 2 000 ºC. Os passageiros podem ainda reservar uma sessão com um artista para experimentar criar o seu próprio souvenir em vidro.
A Windstar Cruises opera viagens especializadas com temática artística, em que os passageiros podem observar instalações de arte ao vivo e participar em oficinas de pintura.
Numa recente viagem Masterpieces at Sea, a bordo do Star Legend, um historiador de arte juntou-se também ao cruzeiro para realizar três apresentações centradas na história da arte e em formas artísticas ligadas aos portos de escala: Livorno, Nice e Barcelona.