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Site de viagens criado por IA levou turistas a uma nascente termal inexistente

IA usada por operador turístico da Tasmânia deixa-o em apuros
Recurso à IA põe operador turístico da Tasmânia em apuros Direitos de autor  Fidel Fernando/Unsplash
Direitos de autor Fidel Fernando/Unsplash
De Craig Saueurs
Publicado a Últimas notícias
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De fontes termais inexistentes a locais sagrados inventados, viajantes que recorrem à IA para planear viagens acabam a procurar o que não existe

Há anos que especialistas falam em a IA abalar o setor das viagens. Mas não desta forma.

Um operador turístico australiano ficou em maus lençóis depois de um artigo gerado por IA ter enviado turistas para um local recôndito na Tasmânia à procura de nascentes termais inexistentes.

No site da Tasmania Tours, um artigo entretanto apagado incentivava os viajantes a explorar o “refúgio tranquilo” de Weldborough Hot Springs, uma das “7 melhores experiências de águas termais na Tasmânia para 2026”, segundo a Australian Broadcasting Corporation (ABC).

Weldborough, porém, nunca teve águas termais e quem for à procura de um mergulho revigorante arrisca-se a descobrir que a única opção é um banho gelado no rio Weld.

Viajantes perdem-se a caminho de locais que não existem

O artigo foi publicado em julho do ano passado. Desde então, a localidade remota, uma antiga aldeia mineira de estanho no nordeste do país, a cerca de 45 quilómetros do polo de pesca desportiva de St Helens, tem recebido um fluxo constante de viajantes enganados.

“Há dois dias apareceu lá um grupo de 24 condutores que vinha numa viagem do continente e até fez um desvio para ir às águas termais”, conta Kristy Probert, dona de um pub nas proximidades, à ABC.

“Disse-lhes: ‘Se encontrarem as águas termais, voltem e avisem-me e eu pago-vos as cervejas a noite toda’. Não voltaram”.

No artigo das “melhores experiências”, as (inexistentes) Weldborough Hot Springs surgiam ao lado das (reais) Hastings Caves and Thermal Springs, no sul da Tasmânia.

Mas o texto incluía também escolhas estranhas, como Liaweenee, descrita como “o lugar mais frio da Austrália”, onde as temperaturas já desceram ao mínimo recorde de -14,2 °C.

Como a IA ajuda operadores turísticos a criar conteúdos

A Tasmania Tours publicou vários artigos e publicações de blogue sobre destinos a não perderque pareciam escritos por IA, com imagens geradas por IA. Que tenha recorrido à IA para marketing de conteúdos não surpreende os profissionais de viagens.

De Google a Expedia, todos têm exaltado o poder da IA no planeamento de viagens, numa altura em que o entusiasmo pela tecnologia ganhou apoio total nos conselhos de administração.

Para operações mais pequenas, de nicho, como a Tasmania Tours, a ascensão imparável da IA tem pressionado muitos a adotar as mesmas ferramentas para não ficar para trás.

“Estamos a tentar competir com os grandes e, para isso, é preciso manter os conteúdos sempre atualizados e frescos”, diz o proprietário, Scott Hennessy.

Explica que a Tasmania Tours subcontratou o marketing a um terceiro que usava IA. Acrescenta que a empresa costuma rever todas as publicações antes de saírem, mas que algumas foram tornadas públicas “por engano” enquanto estava fora do país.

“A nossa IA falhou redondamente”, afirma.

Não é a primeira vez que a IA induz viajantes em erro

No ano passado, a BBC noticiou que os viajantes estão a ser enganados pela IA com frequência.

Num caso, dois turistas no Peru partiram à procura do “Desfiladeiro Sagrado de Humantay” nos Andes, até que um guia local os ouviu e os impediu de continuar. Segundo o guia, tinham pago cerca de €140 para chegar a uma estrada rural remota “sem guia nem [destino]”, disse à BBC.

Noutro, dois viajantes usaram o ChatGPT para planear uma caminhada romântica ao pôr do sol até ao topo de uma montanha no Japão. Quando lá chegaram, perceberam que a ferramenta lhes tinha dado horários errados do teleférico para descer e ficaram presos no escuro.

O problema pode agravar-se antes de melhorar.

Um inquérito da Booking.com revelou que 89% dos consumidores querem usar IA no planeamento de viagens no futuro. Já hoje, segundo o inquérito, assistentes de IA são considerados fonte mais fiável do que bloggers de viagens ou influenciadores nas redes sociais.

Com a IA a tornar-se mais prevalente, é provável que a desinformação sobre viagens continue a espalhar-se, deixando viajantes desiludidos a descobrir enganos como o de Weldborough Hot Springs apenas quando chegam.

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