O serviço prevê expandir-se para França no final de 2026, numa nova fase de crescimento da sua oferta no mercado europeu de serviços digitais
Apelada a «easyJet dos caminhos-de-ferro», a startup neerlandesa GoVolta realizou esta semana a sua viagem inaugural.
O operador ferroviário aposta em tarifas baixas para atrair passageiros; os bilhetes para as novas rotas de Amesterdão para Hamburgo e Berlim começam nos 19 €.
Os passageiros podem também reservar, através da GoVolta, pacotes de escapadelas citadinas que incluem bilhetes de comboio e hotel.
A empresa prevê alargar o serviço com uma ligação Amesterdão-Paris a partir de dezembro de 2026.
GoVolta promete bilhetes baratos e ligações diretas
GoVolta lança duas rotas internacionais: Amesterdão–Berlim e Amesterdão–Hamburgo, ambas a operar três vezes por semana. A partir de 1 de julho de 2026, o serviço para Berlim passa a ser diário.
A rota Amesterdão–Berlim efetua paragens em Amersfoort, Deventer, Hengelo, Bad Bentheim, Osnabrück e Hanôver. A ligação a Hamburgo passa por Amersfoort, Deventer, Hengelo e Bremen.
GoVolta quer agitar o mercado ferroviário internacional europeu com três promessas: preços acessíveis, lugar garantido com cada bilhete e ligações diretas.
«Se perguntar às pessoas pelos comboios internacionais, ouve sempre a mesma história», afirma Hessel Winkelman, cofundador da GoVolta. «Passa uma eternidade à procura, paga caro e, mesmo assim, é duvidoso se terá lugar sentado. Queremos mudar isso.»
Atualmente, os bilhetes normais de Amesterdão para Hamburgo, em março, nos comboios ICE da Deutsche Bahn, custam entre 34 € e 59 €, com entre uma e quatro mudanças de comboio. A reserva de lugar custa mais 5,70 €.
A GoVolta pratica um preço médio de 30 € por trajeto, com tarifas a partir de 19 €.
Mas os preços baixos da startup têm uma contrapartida: os comboios só atingem uma velocidade máxima de 160 km/h, bem abaixo dos 300 km/h possíveis nos ICE e no Eurostar.
Isso significa que as viagens serão, muitas vezes, mais demoradas, cerca de uma hora a mais entre Amesterdão e Berlim, enquanto a ligação a Paris poderá demorar o dobro do tempo do Eurostar.
«Tornar as viagens de comboio pela Europa tão simples e acessíveis como voar»
GoVolta assume como objetivo «tornar as viagens para a Europa de comboio tão simples e acessíveis como voar».
«Quanto mais ligações acessíveis e atrativas existirem, mais fácil se torna trocar o carro e o avião pelo comboio. Isso é essencial para o clima e para a conectividade europeia», disse em comunicado Jeroen Wesdorp, responsável pelo programa de Comboios Internacionais na ProRail.
Mas não é o primeiro operador ferroviário low-cost a defender viagens sustentáveis e a manter as companhias aéreas de baixo custo em alerta.
Segue o exemplo da startup neerlandesa-belga European Sleeper, que começou a oferecer comboios noturnos a preços acessíveis em 2023. A empresa vai expandir-se em junho de 2026 com novas rotas de Bruxelas e Amesterdão para Milão, via Suíça.
Ouigo, em França, Avlo, em Espanha, e Lumo, no Reino Unido, também desafiam o monopólio dos operadores ferroviários nacionais e das companhias aéreas low-cost, trazendo aos passageiros de comboio opções de alta velocidade a preços reduzidos.
Como será a viagem a bordo dos comboios GoVolta?
Os comboios da GoVolta contam com cerca de 820 lugares distribuídos por 11 carruagens. Uma carruagem lounge serve bebidas quentes e frias, snacks e refeições ligeiras.
Os passageiros podem escolher entre duas classes de bilhete: economy e comfort, sendo que esta última promete um ambiente mais silencioso e lugares mais espaçosos.
Os passageiros em economy podem ainda fazer um upgrade do bilhete para reservar, a preço reduzido, o lugar em frente e disporem assim de mais espaço.
Os bilhetes incluem, de base, duas peças de bagagem de mão, enquanto volumes maiores ou adicionais podem ser reservados à parte.