A Força Interina das Nações Unidas no Líbano tem cumprido funções de manutenção da paz entre Israel e o Líbano desde 1978.
As Nações Unidas afirmaram na quinta-feira que estão a "trabalhar no sentido" de manter uma presença no Líbano, quando o mandato da sua força de manutenção da paz UNIFIL expirar no final do ano.
"Em termos de pós-UNIFIL, estamos atualmente a trabalhar nessas opções", disse Jean-Pierre Lacroix, subsecretário-geral da ONU para as Operações de Paz, com o governo libanês "muito claro que gostaria de manter uma presença da ONU".
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano tem cumprido funções de manutenção da paz entre o país e Israel desde 1978, mas encontra-se no meio do fogo cruzado entre as forças israelitas e o Hezbollah.
A UNIFIL é composta por cerca de 8.200 efetivos de 47 países. Nos últimos dias, perdeu cinco soldados: dois franceses e três indonésios.
O Líbano foi arrastado para a guerra a 2 de março, quando o Hezbollah, um grupo militante apoiado pelo Irão, começou a disparar foguetes contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, em ataques aéreos israelitas e norte-americanos.
Lacroix disse numa conferência de imprensa em Genebra que qualquer futura presença uniformizada da ONU no sul do Líbano teria de ser decidida pelo Conselho de Segurança, em Nova Iorque.
O Conselho de Segurança solicitou opções para uma possível presença das Nações Unidas pós-UNIFIL, e "temos de apresentar estas recomendações... antes de 1 de junho", disse.
Lacroix não entrou em pormenores sobre as várias opções, mas afirmou que qualquer eventual presença seria provavelmente mais pequena do que a UNIFIL.
"Solução duradoura"
O mandato da força é renovado anualmente, e deverá expirar a 31 de dezembro.
No final de agosto, sob pressão dos Estados Unidos e de Israel, o Conselho de Segurança decidiu programar a sua retirada para 2027, uma medida que alguns consideraram prematura.
A UNIFIL tem como principal missão apoiar o trabalho humanitário, mas também pode mobilizar as suas forças para garantir que a área de operações não é utilizada para ações hostis.
Lacroix disse que havia "uma série de capacidades.... que temos vindo a fornecer" que Beirute gostaria de manter, tais como monitorizar, informar, observar e estabelecer contactos.
"Uma solução duradoura para o problema terá de ter em conta as necessidades de segurança do Líbano e de Israel", afirmou.
Desde sexta-feira que está em vigor no Líbano um cessar-fogo de 10 dias, que interrompeu a guerra entre Israel e o Hezbollah, que já fez mais de 2400 mortos no Líbano.
No terreno, "tem havido um cessar-fogo relativo nos últimos dias, mas ainda assim uma calmaria" que permitiu à FINUL "intensificar" as suas atividades em certas áreas, incluindo o apoio às populações civis, disse Lacroix.
A FINUL "está disposta a fazer mais para apoiar o exército libanês e o governo libanês em todas as acções que possam empreender para fazer avançar o processo de desarmamento dos grupos armados", declarou, sublinhando no entanto que "isso será difícil" devido à "resistência do Hezbollah" e às "limitações das capacidades do exército libanês".
Israel e o Líbano vão realizar uma segunda ronda de conversações em Washington na quinta-feira, durante a qual Beirute vai pedir uma extensão de um mês do cessar-fogo, de acordo com um funcionário libanês.